O Concelho de Cedeira e Portos da Galiza acordárom a proposta definitiva para a reversom dos terrenos do Passeio da Marinha que deixárom de ser necessários para a atividade portuária. O acordo delimita uma superfície de 4.830 metros quadrados, cuja declaraçom de desnecessidade foi solicitada polo município em outubro de 2021. O procedimento prevê que os terrenos retornem primeiro à Administraçom Geral do Estado para poderem ser posteriormente transferidos ao Concelho de Cedeira. O BNG aposta por uma infraestrutura limitada às necessidades reais de Cedeira, sem novos recheios e aproveitando a zona de fondeio já existente, de escala limitada, aproveitando a lâmina de água já utilizada para o fondeio e sem novos recheios sobre a ria, com todas as garantias ambientais, pesqueiras e marisqueiras.

A superfície afetada estende-se desde a praça da Marieta até à Ponte Nova e inclui os jardins que continuam pola linha de costa em direçom ao caminho de Arealonga. Na prática, trata-se de espaços de uso público e urbano que o próprio Concello já vinha mantendo, apesar de continuarem sob titularidade portuária. A mudança deverá permitir que a administraçom municipal disponha deles sem as atuais limitaçons e taxas derivadas da sua pertença a Portos.
O acordo sobre o Passeio da Marinha nom significa, porém, que estejam resolvidas outras duas questons que o Concelho voltou a apresentar durante a mesma reuniom: o saneamento da zona portuária e a criaçom de amarres para embarcaçons desportivas. Em ambos os casos trata-se ainda de demandas pendentes, nom de atuaçons já acordadas por Portos.
No primeiro caso, o Concelho reclamou novamente que toda a zona portuária disponha de saneamento ligado à rede e aos coletores municipais, de maneira que as águas residuais recebam tratamento e se evitem possíveis vertidos à ria. A reivindicaçom nom é nova. Já em 2023 o governo local advertia de que a deficiente recolha e tratamento das águas residuais e pluviais da zona podia repercutir na qualidade da água e na atividade marisqueira.
A segunda questom é a possibilidade de dotar Cedeira de um pequeno porto desportivo. A proposta municipal atual situa-se entre 60 e 80 amarres e, segundo a informaçom difundida polo Concelho, na reuniom chegou a falar-se da zona abrigada em que poderiam ser instalados o pontal e passarela de amarre de barcos.
É precisamente aí onde deverá concretizar-se o desenho da atuaçom. Uma intervençom desta escala nom deveria recuperar os antigos projetos baseados em ganhar novo terreno ao mar, mas estudar prioritariamente o aproveitamento da lâmina de água já utilizada para o fondeio das pequenas embarcaçons na zona de Arealonga, mediante cais e instalaçons compatíveis com o espaço disponível. A ausência de recheios e a mínima alteraçom possível da linha litoral constituem, portanto, condiçons que o futuro projeto técnico deverá esclarecer.
A diferença de escala nom é menor. O projeto manejado em Cedeira por Portos de Galicia em 2007 chegava aos 411 pontos de amarre, o que o teria convertido num dos maiores portos desportivos da Galiza. Previa também um dique de 315 metros e foi contestado entom polo Concello e pola Confraria de Pescadores, entre outros motivos polo impacto sobre uma ria de dimensons reduzidas e pola presença de bancos marisqueiros. A própria informaçom municipal publicada agora recorda o anterior projeto de cerca de 400 amarres anunciado em 2004 e apresenta a atual proposta de 60–80 como uma atuaçom de dimensons substancialmente menores.
A reversom do Passeio da Marinha supom, portanto, o avanço administrativo mais concreto da reuniom. O saneamento integral do porto e uma possível instalaçom náutico-desportiva continuam pendentes de desenvolvimento. Neste último caso, a dimensom, a localizaçom das passarelas e, sobretudo, a eventual necessidade ou exclusom de recheios serám determinantes para saber se se trata realmente de uma pequena infraestrutura adaptada à ria ou de uma intervençom com transformaçons maiores sobre o litoral.
O “pilar” eleitoral do PP: porto desportivo, mas qual?
Nas eleiçons municipais de 2023, o candidato do PP, Xulio Cribeiro, incluiu também a construçom dum porto desportivo entre os chamados «cinco pilares» da sua candidatura e afirmou ter trasladado pessoalmente a petiçom à conselheira do Mar. A proposta apareceu, porém, no contexto da campanha sem que a informaçom publicada concretasse o número de amarres, a localizaçom, as dimensons da infraestrutura ou o modelo de intervençom sobre a ria. Mais que um projeto definido e dimensionado para as características de Cedeira, o que se apresentou publicamente foi, portanto, a reivindicaçom genérica dum porto desportivo. Com os dados disponíveis nom é possível saber se o modelo defendido polo representante do PP se aproxima dumha instalaçom limitada às necessidades locais ou se recupera, total ou parcialmente, concepçons de maior escala como as formuladas no passado. A ambiçom de situá-lo entre os “cinco pilares” eleitorais contrastava com a ausência pública dum projeto minimamente definido.
Um porto para Cedeira, nom Cedeira para um porto
Se completar o saneamento da zona portuária e ligá-lo à rede e à depuradora municipal é uma atuaçom necessária e reclamada desde há anos —e, portanto, uma boa nova—, no que diz respeito ao porto desportivo será necessário partir da premissa clara de nom repetir os erros de planificaçom do passado.
Cedeira já conheceu um projeto desta natureza concebido numa escala dificilmente compatível com as dimensons da ria. A proposta promovida a meados da década de 2000 chegou a contemplar 411 pontos de amarre, um dique de abrigo de 315 metros e um recheio sobre a ria. A oposiçom do Concello e da Confraria de Pescadores obrigou posteriormente a rever substancialmente aquela atuaçom, até o próprio Portos anunciar a eliminaçom do recheio e a reduçom do número de amarres.
A experiência nom deveria ser esquecida. E hoje contamos, ademais, com um elemento que reforça a necessidade de prudência: a própria Declaraçom de Impacto Ambiental das atuaçons na praia da Madalena reconhece que as sucessivas ampliaçons do porto modificárom a dinâmica litoral da enseada, provocando o basculamento da praia e contribuindo, junto com outros fatores, para a regressom da linha de costa.
Por isso, um eventual porto desportivo deve ser concebido à medida de Cedeira, e nom Cedeira adaptada às necessidades dum porto desportivo. Os 60–80 amarres dos que se fala atualmente representam uma escala radicalmente diferente daquela velha proposta, mas a dimensom nom é o único critério. Som igualmente decisivos a localizaçom, o tipo de estruturas empregadas e a ausência de novos recheios. Um porto à medida da ria, sem novos recheios.
Neste sentido, parece razoável estudar prioritariamente o espaço de lâmina de água situado entre o peirao novo e Arealonga, uma área historicamente utilizada para o fondeio de embarcaçons menores. A possível instalaçom de pantaláns deveria procurar ordenar e melhorar esse uso existente, nom ampliar artificialmente a superfície portuária nem ganhar novo terreno à ria.
Segundo fontes consultadas do BNG a posiçom, portanto, é clara: qualquer soluçom deveria partir de três critérios —uma escala limitada às necessidades reais de Cedeira, aproveitamento da lâmina de água já utilizada para o fondeio e zero novos recheios— e ser acompanhada dos correspondentes estudos de batimetria, agitaçom marítima, dinâmica sedimentária e efeitos sobre os usos pesqueiros e marisqueiros
Nom se trata de rejeitar uma infraestrutura náutica, mas de evitar que, sob a denominaçom de «porto desportivo», volte a aparecer uma lógica de transformaçom da ria que a experiência passada e os próprios estudos ambientais aconselham nom repetir.


















