O concelho natal do filólogo e pedagogo galego celebrará no próximo 24 de outubro um ato de reconhecimento a uma das figuras fundamentais do reintegracionismo contemporâneo.

O concelho de Cerdido tributará no próximo 24 de outubro uma homenagem a José-Martinho Montero Santalha, filólogo, professor, investigador e uma das figuras fundamentais na recuperação contemporânea da conceção galego-portuguesa da nossa língua.
O ato culminará o reconhecimento institucional acordado este ano pelo concelho, que aprovou por unanimidade a sua nomeação como Filho Predileto de Cerdido, em atenção a uma trajetória intelectual e docente estreitamente ligada à defesa da língua e da cultura galegas e com uma projeção que ultrapassou amplamente as fronteiras do país desde o colo farturento dos discípulos e alunos que alumiou e que hoje lhe prestam homenagem.
Nascido em Casaldegonce, Cerdido, em 1947, Montero Santalha desenvolveu uma extensa atividade como investigador da língua e da literatura galegas, com especial atenção à lírica medieval, à história linguística e à obra de Ricardo Carvalho Calero, de quem foi discípulo, estudioso e biógrafo. Foi também um dos fundadores da Associaçom Galega da Língua (AGAL) e primeiro presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa, além de autor de obras de referência para várias gerações, entre elas o Método Prático de Língua Galego-Portuguesa.
A sua intervenção intelectual foi decisiva na formulação e divulgação do reintegracionismo modernoa para a recuperação do galego como parte do sistema linguístico galego-português e a restituição de uma dimensão internacional à língua própria da Galiza. Uma proposta que, para além da questão ortográfica, questionava o isolamento cultural imposto ao galego e convidava a pensá-lo dentro do espaço histórico e contemporâneo que partilha com o português.
A homenagem terá também uma marcada dimensão coletiva. A homenagem de Cerdido será, assim, não apenas o reconhecimento de uma destacada trajetória académica e intelectual, mas também de uma vida dedicada a devolver ao galego memória histórica, consciência de si e horizonte internacional.
