Falta de lugares, atrasos e autocarros saturados voltárom a provocar protestos entre as pessoas utentes neste início de curso. A organizaçom ecologista reclama umha reforma estrutural do transporte público nas comarcas da Corunha e Ferrolterra e recupera a reivindicaçom histórica de um serviço ferroviário de proximidade.

Os problemas no transporte público entre Ferrol e a Corunha, e também nas ligaçons metropolitanas de concelhos como Sada, Oleiros, Minho ou Betanços, levárom a ADEGA a reclamar um aumento da capacidade, umha melhor planificaçom dos serviços e umha aposta estrutural polo transporte coletivo, ferroviário e ciclista.
A denúncia chega depois de várias semanas de incidências coincidentes com o começo do curso. Pessoas utentes da linha de ómnibus Ferrol-Corunha denunciárom falta de lugares, atrasos e passageiros que ficavam nas paragens sem poder subir aos veículos. No passado dia 11, umha avaria chegou a obrigar a desalojar os passageiros de um autocarro dentro de um túnel da AP-9; poucos dias depois, usuárias denunciavam novamente pessoas sem praça e reclamavam umha investigaçom sobre o funcionamento do serviço.
O mal-estar acabou por chegar à rua. Umhas 300 pessoas participárom em Ferrol numha mobilizaçom convocada para reclamar um transporte público digno, num contexto em que também se multiplicárom as queixas nas Mariinhas e noutras zonas da Galiza. Segundo informou Nós Diario, as próprias inspeçons da Xunta detetárom um aumento dos incumprimentos nas concessons de transporte por estrada.
Um problema que se repete no começo do curso
ADEGA-A Corunha considera que estas incidências nom podem ser tratadas como episódios isolados. A organizaçom lembra que os problemas de capacidade e planificaçom se repetem nos períodos de maior procura e responsabiliza as administraçons de nom terem adaptado suficientemente a oferta às necessidades quotidianas de quem se desloca para trabalhar ou estudar.
As dificuldades estám a produzir, além disso, um efeito contraditório: pessoas que optárom polo transporte público estám a regressar ao automóvel privado por nom poderem confiar nos horários ou na disponibilidade de lugares. Entre Ferrol e a Corunha chegou mesmo a organizar-se um grupo para partilhar veículos particulares perante os problemas dos ómnibus.
A própria Xunta reconhecera já a necessidade de reforçar diferentes linhas de elevada demanda, entre elas Ferrol-Corunha, Sada-Oleiros-Corunha e Betanços-Corunha, num sistema de transporte público galego que nos últimos anos registou um importante aumento do número de viagens.
Recuperar o comboio de proximidade
Para ADEGA, porém, aumentar pontualmente o número de ómnibus nom resolve o problema de fundo. A entidade recupera umha das reivindicaçons históricas do movimento ecologista e das plataformas pola mobilidade: a criaçom de um comboio de proximidade para a comarca da Corunha e a transformaçom da ligaçom ferroviária Corunha-Ferrol num serviço competitivo para as deslocaçons quotidianas.
A atual ligaçom ferroviária entre as duas cidades nom funciona, na prática, como um serviço metropolitano de alta frequência. ADEGA sustém que a viagem em comboio demora cerca de 50% mais que por estrada e custa mais do dobro, enquanto concelhos situados no eixo das Marinhas, como Oleiros, Sada, Betanços ou Minho, carecem de umha alternativa ferroviária eficaz.
A situaçom contrasta com o potencial de um corredor que concentra boa parte da populaçom e dos deslocamentos laborais e educativos do norte da província. A organizaçom defende por isso que o investimento nom se limite a resolver as incidências imediatas, mas permita criar umha rede integrada em que autocarro, ferrovia e bicicleta ofereçam alternativas reais ao automóvel.
Bicicletas: mais infraestrutura, mas também melhores ligaçons
ADEGA inclui nessa transformaçom a mobilidade ciclista. Ferrol foi pioneira na implantaçom de um sistema público de empréstimo de bicicletas e a Corunha desenvolveu nos últimos anos umha extensa rede de vias cicláveis. A organizaçom considera, contudo, que persistem problemas na disponibilidade das bicicletas, no desenho e continuidade dalguns carris e, sobretudo, na ligaçom com os polígonos industriais e entre concelhos.
Para a entidade ecologista, a bicicleta nom pode ficar reduzida a um meio de lazer ou aos deslocamentos dentro dos centros urbanos, mas deve integrar-se na planificaçom metropolitana e combinar-se com autocarros e comboios.
Mais demanda exige mais transporte público
As deficiências chegam num momento em que o transporte coletivo está a ganhar passageiros. ADEGA assinala que o autocarro urbano da Corunha se encaminha para voltar superar o seu máximo histórico de viagens, alcançado em 2025, e cifra o crescimento durante o primeiro semestre de 2026 em cerca de 3%. Também aponta um incremento do uso do transporte interurbano no conjunto da Galiza.
Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística confirmam umha tendência de crescimento do autocarro urbano: em junho de 2026 o número de passageiros aumentou 3,3% interanual na Galiza, acima da média estatal desse mês. Para ADEGA, este aumento da procura deveria traduzir-se numha mudança das políticas de mobilidade: se mais pessoas estám dispostas a deixar o automóvel, argumenta, a oferta pública deve garantir capacidade, frequências e fiabilidade suficientes para que essa mudança seja sustentável.
Há também umha dimensom ambiental e sanitária. O transporte por estrada é umha fonte relevante de gases de efeito estufa e de contaminantes atmosféricos. Um estudo do Instituto de Salud Carlos III estimou em 2025 que a poluiçom atmosférica está relacionada a curto prazo com cerca de 62.000 ingressos hospitalares urgentes anuais no Estado espanhol, com um custo sanitário superior aos 850 milhons de euros.
A reclamaçom da ADEGA situa assim os problemas destas semanas num debate mais amplo: nom apenas como umha questom de ómnibus que chegam tarde ou deixam passageiros nas paragens, mas como um problema de ordenamento territorial e de modelo de mobilidade. Para a organizaçom, responder ao aumento da procura exige passar dos reforços pontuais para umha rede pública capaz de competir realmente com o veículo privado.

















