off
Educação, Galiza — 8 Setembro, 2026 at 12:24 p.m.

PISA 2025: a Galiza cai a mínimos históricos e perde 55 pontos em leitura numa década

by

O alunado galego mantém resultados superiores às médias da OCDE e da Uniom Europeia em ciências e matemáticas, mas o novo relatório PISA confirma um forte retrocesso nas três competências avaliadas. A compreensom leitora cai para 454 pontos, o pior resultado galego da série e já por baixo das médias europeia e internacional. Ciências resistem melhor, mas também caem

Os resultados do PISA 2025 publicados esta terça-feira confirmam umha deterioraçom significativa do rendimento educativo na Galiza. A queda afeta as três grandes competências avaliadas —leitura, matemáticas e ciências— e é especialmente pronunciada na compreensom leitora, onde o alunado galego perde 31 pontos desde 2022 e acumula um descenso de 55 pontos desde 2015.

A Galiza obtém 454 pontos em leitura, frente aos 485 registados em 2022. O resultado continua ligeiramente acima da média do Estado espanhol, situada em 451 pontos, mas fica já por baixo tanto da Uniom Europeia, com 459, como da OCDE, com 461. Em 2015, o alunado galego alcançara 509 pontos nesta competência: dez anos depois, a diferença é de 55 pontos e o resultado de 2025 converte-se no mais baixo da série histórica galega.

O retrocesso galego insere-se numha queda internacional da compreensom leitora, mas apresenta umha magnitude particularmente elevada. A OCDE calcula que a sua média perdeu 28 pontos em leitura entre 2015 e 2025, umha descida que estima como equivalente aproximadamente a ano e meio de aprendizagem. No conjunto dos países da organizaçom, os resultados em leitura e matemáticas som já os mais baixos registados desde que existe PISA.

Também o Estado espanhol chega a mínimos históricos. Os seus 451 pontos em leitura representam umha perda de 23 pontos apenas desde 2022, muito superior à registada no ciclo anterior. A distância com alguns dos sistemas educativos de melhor rendimento é já muito elevada: o Reino Unido alcança 494 pontos, Irlanda 500, Coreia 501 e Japom 503.

Ciências resistem melhor, mas também caem

A situaçom é menos negativa em ciências, competência principal desta ediçom do PISA. A Galiza obtém 486 pontos, acima dos 477 do Estado espanhol, dos 481 da Uniom Europeia e dos 482 da média da OCDE. Porém, a aparente boa posiçom relativa nom impede um retrocesso importante: em 2022 o resultado galego fora de 506 pontos e em 2012 e 2015 chegara aos 512. Os 486 atuais som o valor mais baixo da série histórica galega.

O próprio relatório espanhol situa a Galiza em 486 pontos, no mesmo nível estatístico que numerosos países e territórios com pontuaçons próximas. A diferença de nove pontos sobre a média espanhola, portanto, nom deve ser interpretada automaticamente como umha diferença estatisticamente significativa. No conjunto do Estado, a competência científica baixa para 477 pontos, oito menos que em 2022. A diferença com a OCDE é bastante menor que em leitura ou matemáticas, mas o relatório deteta outro problema: diminui o alunado situado nos níveis mais elevados e aumenta o que nom alcança as competências mínimas. Espanha tem apenas 6% de estudantes nos níveis altos ou muito altos em ciências, frente a 8% da OCDE e da UE.

A queda chega também às matemáticas

Em matemáticas, a Galiza obtém 466 pontos, nove acima da média espanhola e três acima das médias da OCDE e da Uniom Europeia, ambas com 463 pontos. O resultado está, porém, 32 pontos por baixo dos 498 alcançados em 2018 e confirma que a melhor posiçom relativa galega nom impede umha tendência descendente.

O Estado espanhol fica nos 457 pontos, 16 menos que em 2022. O relatório oficial confirma que tanto em matemáticas como em leitura o rendimento espanhol fica significativamente por baixo das médias da OCDE e da Uniom Europeia. Em leitura, aliás, a queda estatal é ininterrupta desde 2015 e acelera-se de maneira clara no último ciclo.

A comparaçom internacional ajuda a dimensionar a diferença. Japom obtém 525 pontos em matemáticas e Coreia 522, enquanto o Reino Unido chega a 488. A distância entre Espanha e estes últimos é suficientemente grande para que a análise publicada polo ARA, aplicando a equivalência aproximada utilizada pola OCDE, a situe em mais de um curso de aprendizagem relativamente ao Reino Unido.

Umha crise que vai além da pandemia

Os resultados chegam depois da queda histórica registada em 2022, inicialmente associada em boa medida às consequências educativas da pandemia. O PISA 2025 mostra, porém, que a recuperaçom nom chegou. A deterioraçom continuou e, em leitura e matemáticas, aprofundou-se no conjunto da OCDE. Entre 2015 e 2025, a média dos países membros perdeu 28 pontos em leitura e 22 em matemáticas.

A

 própria OCDE evita atribuir o fenómeno a umha causa única. Entre os fatores que analisa aparecem as mudanças nos hábitos de leitura, a diminuiçom da atençom, os problemas de disciplina, as dificuldades que arrasta parte do alunado desde a pandemia e a crescente presença dos dispositivos digitais. Mais de um de cada quatro estudantes afirma que os colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de ciências, e a organizaçom observa piores resultados quando o seu uso se torna excessivo ou está ligado ao lazer durante o horário escolar. Ao mesmo tempo, adverte que a tecnologia e a inteligência artificial podem melhorar a aprendizagem quando som utilizadas com objetivos pedagógicos definidos e acompanhamento adequado.

Umha das maiores brechas do Estado entre alunado nativo e migrante

Os resultados médios galegos ocultam, porém, umha diferença muito elevada segundo a origem do alunado. Os estudantes que o PISA classifica como nativos alcançam na Galiza 498 pontos em ciências, 465 em leitura e 477 em matemáticas. Entre o alunado de origem migrante, as pontuaçons baixam respetivamente para 438, 416 e 418 pontos. A distância é, portanto, de cerca de 61 pontos em ciências, 49 em leitura e 59 em matemáticas. A brecha galega está entre as maiores do Estado. Em ciências, só a Rioja apresenta umha diferença superior, de 70 pontos, e em matemáticas ocorre o mesmo: os 59 pontos da Galiza apenas ficam abaixo dos 71 da Rioja. Em ambos os casos, a distância galega supera claramente as médias espanhola, europeia e da OCDE. Em leitura, os 49 pontos de diferença também ficam bastante acima dos 35 registados no conjunto do Estado.A desigualdade nom desaparece ao ter em conta as diferenças económicas e sociais entre as famílias. O relatório calcula este ajuste para a competência científica: depois de descontar o nível socioeconómico e cultural, a diferença entre alunado nativo e migrante baixa de 60,5 para 44,25 pontos na Galiza, mas continua sendo a segunda maior entre as comunidades autónomas. No conjunto de Espanha reduz-se de 42,6 para 20,9 pontos. O PISA adverte que a condiçom migrante nom constitui por si própria umha explicaçom causal dos resultados. Nesta categoria inclui tanto estudantes nascidos no estrangeiro como os nascidos no Estado cujos dous progenitores nasceram noutro país, e as diferenças podem estar associadas ao nível socioeconómico, às línguas utilizadas no âmbito familiar, à distribuiçom do alunado entre centros ou às políticas de integraçom educativa. No caso galego, porém, a permanência dumha brecha muito elevada depois de controlar o fator socioeconómico converte este num dos dados mais relevantes do relatório.

Os dados galegos deixam assim umha fotografia contraditória. A Galiza conserva umha posiçom relativamente favorável no contexto estatal e supera ainda as médias internacionais em ciências e matemáticas, mas essa comparaçom nom consegue ocultar a tendência de fundo: o rendimento cai nas três competências e a compreensom leitora encontra-se já no seu nível mais baixo desde que começou a participar no PISA. Embora a Galiza apresente umha dispersom geral dos resultados relativamente reduzida, o PISA revela umha forte desigualdade associada à origem migrante. Em ciências e matemáticas, a brecha entre alunado nativo e migrante está entre as maiores do Estado. O problema nom é apenas a posiçom numha classificaçom, mas que o alunado de hoje lê, resolve problemas matemáticos e trabalha com conhecimentos científicos com resultados substancialmente inferiores aos alcançados polos estudantes galegos de há apenas umha década.

Tags

Grazas por leres e colaborares no Ollaparo !

Este sitio usa Akismet para reducir o spam. Aprende como se procesan os datos dos teus comentarios.

off