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Cedeira, Galiza, Historia — 19 Agosto, 2026 at 10:13 a.m.

Sarridal, um castro que ainda não acabou de contar a sua história

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O Castro do Sarridal alarga a história de Cedeira a cada nova escavação. A intervenção arqueológica rematada a 15 de agosto concentrou-se em torno da sauna castreja e da muralha. O sítio, ocupado polo menos desde o século IV a.C. até época galaico-romana, prepara agora uma nova passarela que permitirá conservar e mostrar parte das estruturas exumadas.

O castro do Sarridal fechou a 15 de agosto uma nova campanha de escavação e consolidação arqueológica, mas o trabalho realizado este verão confirma que o conhecimento do assentamento está longe de ficar encerrado. A equipa de Axa Arqueologia trabalhou nesta fase, financiada pola Direção Geral de Património Cultural da Xunta, na zona exterior relacionada com o monumento com forno ou sauna castreja e junto ao paramento interior da muralha.

A intervenção dá continuidade a outra campanha promovida polo próprio Concelho de Cedeira e concluída em julho. Nesta primeira fase do verão estava previsto levantar cerca de 80 metros quadrados entre o paramento exterior do castro e o muro da sauna, procurando estruturas encostadas à muralha e tentando compreender melhor o sistema de canalização que evacuava a água do edifício termal.

É precisamente a acumulação destas intervenções que está a converter Sarridal num sítio particularmente valioso para reconstruir a transformação dos povoados castrejos durante vários séculos. O assentamento ocupa uma península defendida naturalmente polo mar e, polo lado de terra, por duas linhas de muralha com os correspondentes fossos. As escavações documentaram sucessivas fases de ocupação desde, polo menos, o século IV antes da nossa era e durante os primeiros séculos depois de Cristo.

Uma sauna que obrigou a recuar a cronologia

O elemento mais conhecido do conjunto continua a ser o denominado monumento com forno, interpretado como uma sauna castreja. A sua descoberta tornou Sarridal especialmente relevante porque ajudou a demonstrar que estas construções existiam já durante a Idade do Ferro, antes da conquista e romanização do noroeste peninsular. Nas escavações anteriores apareceu também a sua pedra formosa, além de estruturas domésticas, sistemas defensivos e os restos de uma zona de forja.

As datações continuam, além disso, a modificar a interpretação do edifício. A Xunta informou em julho deste ano de novos resultados de carbono 14 segundo os quais os níveis de utilização da sauna de Sarridal chegaram até à mudança de era. O dado permite distinguir entre a construção antiga do monumento e uma utilização que se prolongou durante gerações.

Investigações anteriores tinham situado mediante carbono 14 uma das fases associadas ao edifício em torno de 230 a.C., enquanto escavações realizadas sob o nível da sauna descobriram muros e estruturas pertencentes a ocupações ainda anteriores.

O interesse de Sarridal reside precisamente nessa estratigrafia. Não estamos perante a fotografia imóvel de um único momento histórico, mas perante um lugar que foi construído, transformado e reutilizado durante séculos. Numa superfície relativamente reduzida aparecem sobrepostos espaços domésticos, estruturas defensivas, instalações relacionadas com o banho e áreas de atividade metalúrgica.

Da metalurgia ao mar

Uma das descobertas mais singulares das campanhas anteriores foi uma forja de época galaico-romana situada entre a muralha perimetral e o cantil. Ali apareceram restos das paredes, a zona de combustão, estruturas relacionadas com o trabalho do metal, pavimento de opus signinum, telhas e recipientes ou espaços para água destinados presumivelmente ao arrefecimento das peças. Baixo esta fase romana apareceram ainda pavimentos e escórias que apontam para atividade metalúrgica anterior à romanização.

A própria posição do castro ajuda a interpretar a vida destas comunidades. Rodeado polo mar numa boa parte do seu perímetro, o assentamento dispunha de acesso direto aos recursos costeiros — pesca e marisqueio — e, ao mesmo tempo, os materiais recuperados testemunham intercâmbios com outros territórios. A arqueologia vai compondo assim uma imagem bastante mais complexa que a de uma pequena comunidade isolada atrás das suas muralhas.

Uma ponte para poder continuar escavando

A seguinte transformação do Sarridal será já contemporânea. O Concelho conseguiu uma ajuda da Deputação da Corunha para instalar uma passarela de madeira sobre o caminho que atravessa uma parte do sítio. A obra tem um orçamento de 42.295,64 euros: 33.837 serão financiados pola instituição provincial e 8.459,64 polo Concelho.

A intervenção não é apenas uma melhoria turística. O caminho atual passa sobre estruturas arqueológicas, polo que a passarela permitirá manter a circulação pedonal em direção à cala das Sonreiras e ao Castelo da Conceição sem voltar a cobrir os restos exumados. Dessa maneira poderá avançar-se simultaneamente na investigação, conservação e leitura pública do sistema defensivo.

Esse interesse público já é visível. As visitas comentadas organizadas durante as escavações reuniram entre 30 e 40 pessoas de média, segundo os dados divulgados após a campanha. E, apesar de os trabalhos arqueológicos terem rematado a 15 de agosto, está ainda anunciada para 22 de agosto às 12.30 horas uma última visita comentada ao sítio.

Quase uma década depois de as escavações sistemáticas começarem, cada nova área aberta no Sarridal acrescenta uma camada à história de Cedeira. Mas talvez a principal descoberta seja já a própria duração dessa história: sob a atual península conserva-se um espaço transformado e habitado durante moitos séculos, no qual se sobrepõem a Idade do Ferro, a romanização e as mudanças posteriores do mundo antigo.

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