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Desporto, Opinião, Politica internacional — 14 Xullo, 2026 at 11:03 a.m.

Quem pertence de verdade? As seleções desportivas e a fronteira interna da cidadania

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Rajoy falou da seleção francesa, mas acabou por revelar a fronteira interna da cidadania europeia: a que separa quem pertence sem explicações de quem vive obrigado a provar a sua cor, a sua língua e a sua nação. Quando a direita espanhola tenta fazer pátria, transforma diferenças históricas, linguísticas e territoriais em sintomas de ameaça nacional. Emerge o ressentimento e confunde pluralidade com ameaça e converte toda diferença em patologia.

Mariano Rajoy escreveu um texto sobre futebol e acabou por tocar numa ferida que a França conhece demasiado bem. Ao dizer que a seleção francesa tinha uma equipa de “altíssimo nível”, mas “sem franceses”, o ex-presidente espanhol não fijo apenas uma suposta piada racista de mau gosto, senão que mostrou o velho complexo da direita espanhola perante a unidade nacional francesa, aparentemente mais bem “atada”, frente a uma Espanha que nunca conseguiu neutralizar completamente os “factos diferenciais periféricos”. A puerícia do ex-presidente espanhol fijo emergir, talvez sem o querer, uma das contradições centrais da Europa contemporânea: a distância entre cidadania formal e pertença social reconhecida. A piada racista encontrou a má consciência da Europa.

A resposta francesa foi imediata. O ministro Jean-Noël Barrot lembrou que a França “não tem cor de pele”;  a Federação Francesa de Futebol qualificou as palavras de Rajoy como racistas; e a própria embaixada francesa em Madrid recordou o óbvio: todos os jogadores da seleção francesa são franceses. O Partido Popular, em vez de pedir desculpas, preferiu reduzir a frase a sarcasmo “sem má intenção”. Eis aqui o primeiro problema: quando todos os jogadores são juridicamente franceses, dizer que a equipa joga “sem franceses” significa que a nacionalidade já não está a ser medida polo direito, pola residência, pola escola, pola língua ou pola vida comum, mas por uma ideia racializada de origem. A França teve razão em responder, mas respondeu com demasiada veemência para que o caso fosse apenas um incidente de calendário futebolístico. O que causa pasmo é como Rajoy ativou com o seu suposto consumo irónico de parvalhadas que a moitos nos resulta inaturável, a má consciência política do republicanismo francês e os complexos da direita espanhola. É como escutar ao cunhado babeco.

A República diz que todos são cidadãos, mas a sociedade continua a perguntar, demasiadas vezes, quem é francês “de verdade”. O mesmo com a Constituição de 78 para os espanhóis. A promessa universalista francesa produziu direitos, nacionalidade, escola pública, mobilidade e, ás vezes, integração real. Mas também serviu para assimilação e para esconder que essa integração abstrata é, de facto, desigual, racializada e seletiva. O problema não é que os jogadores franceses não sejam franceses. O problema é que muitos franceses racializados continuam a ser tratados como franceses condicionais.

Os dados confirmam essa ambivalência. A investigação Trajectoires et Origines 2, do INED, foi concebida precisamente para estudar percursos, desigualdades e discriminações na França contemporânea; os seus resultados apontam para uma sociedade onde a incorporação cultural avança, mas onde a cor da pele, a origem e a identificação como minoria visível continuam a estruturar experiências de discriminação. Em paralelo, estudos do INSEE sobre pessoas de origem magrebina mostram penalizações persistentes no mercado de trabalho que não se explicam apenas por qualificações ou trajetórias profissionais.

O que Rajoy mostrou é velho complexo da direita espanhola perante a unidade nacional francesa, aparentemente mais bem “atada”, frente a uma Espanha que nunca conseguiu neutralizar completamente os factos diferenciais periféricos

A “seleção nacional”  é, nesse sentido, uma vitrina enganadora. Os futebolistas franceses de origem africana, magrebina ou caribenha são franceses, sem dúvida. Mas não provam, por si, que a integração francesa tenha triunfado. Provam antes que uma minoria extraordinariamente selecionada pode ser celebrada quando marca golos, levanta taças e converte a diversidade em capital simbólico nacional. O relvado consagra exceções; não corrige a escola segregada, a suspeita policial, a discriminação laboral, a periferização urbana ou a vigilância permanente da pertença. O futebol permite à República dizer: “Vede como somos inclusivos”. Mas a vida social responde: “nem todos os cidadãos são igualmente reconhecidos”. A seleção nacional é, nesse sentido, o lugar onde se cruzam a integração real e a integração imaginada. A integração real existe: esses jogadores são franceses, nasceram ou cresceram em França, passaram polas suas escolas, polas banlieues, polos seus clubes, polas suas instituições, quartelarias, desportivas e pola  língua do Estado. Não são uma presença exterior dentro do estado-nação; são parte material da França imperial contemporânea. Mas há também uma integração imaginada: a seleção funciona como vitrina emocional da República, como se noventa minutos de hino, camisola e vitória bastassem para demonstrar que a promessa universalista foi cumprida. É aqui que o futebol se torna politicamente ambíguo. Pode produzir pertencimento comum, orgulho partilhado e comunidade imaginada; mas também pode ocultar que, fora do relvado, a origem, a cor da pele, o nome, o bairro ou a religião continuam a ordenar a experiência social sem coesão.

A “seleção nacional”  é, nesse sentido, uma vitrina enganadora. Os futebolistas franceses de origem africana, magrebina ou caribenha são franceses, sem dúvida. Mas não provam, por si, que a integração francesa tenha triunfado. Provam antes que uma minoria extraordinariamente selecionada pode ser celebrada quando marca golos, levanta taças e converte a diversidade em capital simbólico nacional.

O problema não é que a integração exibida polas seleções seja falsa. O problema é que ela é excepcional, seletiva e convertida em espetáculo de nacionalismo banal em estado de espetáculo (entendido não como algo fraco, no sentido de Michael Billig, mas como a reprodução quotidiana, naturalizada e quase invisível da nação por meio de bandeiras, hinos, pronomes coletivos, mapas, camisolas, calendários e rituais mediáticos). O relvado mostra que a França e a Espanha plural existem; a vida social mostra que essa pluralidade continua desigualmente reconhecida. Porém, podem também alimentar tendências racializadas e xenófobas em determinados contextos. As seleções não são só umas equipes do estado-nação; é uma máquina simbólica de nacionalização. É, portanto, um espetáculo de nacionalismo banal. Banal não porque seja irrelevante, mas porque apresenta o estado-nação como evidência natural, enquanto desautoriza e estigmatiza a nação dos outros. Hino, bandeira, camisola, pronome coletivo, emoção televisiva e corpos alinhados diante do Estado. O futebol internacional transforma a cidadania numa cena visível. Durante noventa minutos, a nação parece existir sem conflito: onze jogadores, uma bandeira, uma língua comum de celebração, um “nós” que os meios de comunicação repetem até parecer espontâneo. Mas é precisamente nessa encenação que reaparece a fronteira interna da pertença. Quando os jogadores racializados vencem, são a prova luminosa da integração; quando alguém como Rajoy pergunta se são “franceses de verdade”, descobre-se que a comunidade imaginada continua a ter guardas à porta. 

A questão, portanto, não é apenas se Rajoy foi racista —foi—, mas por que razão a frase de adolescente “pelotudo” de um ex-presidente espanhol num digital menor produziu uma reação de Estado em França. A resposta está na má consciência republicana: a França fijo da seleção uma prova simbólica de integração, mas essa prova é demasiado frágil porque se apoia em exceções de altíssimo rendimento. Os futebolistas não são “a integração”; são uma elite hiper-selecionada que triunfa apesar de uma estrutura social que continua a penalizar filhos e netos de imigrantes racializados.

Rajoy, porém, não tocou apenas a má consciência francesa. Tocou também a má consciência espanhola. A frase só pôde ser escrita porque também em Espanha continua viva a suspeita de que há espanhóis mais espanhóis que outros. A diferença é que a França se escandaliza em nome da República; Espanha, moitas vezes, dissimula em nome da normalidade. A nacionalidade espanhola de origem continua assentada predominantemente no ius sanguinis: são espanhóis de origem os filhos de pai ou mãe espanhóis, independentemente do lugar de nascimento. O nascimento em Espanha de filhos de pais estrangeiros só atribui automaticamente a nacionalidade espanhola em casos delimitados (quando ao menos um dos progenitores também nasceu em Espanha, quando ambos são apátridas ou quando a legislação dos pais não transmite nenhuma nacionalidade ao filho, ou ainda quando a filiação é desconhecida). O próprio regime de aquisição por residência confirma essa hierarquia (quem nasceu em território espanhol pode solicitar a nacionalidade após um ano de residência legal, mas isso não equivale a um reconhecimento automático desde o nascimento). Nascer ou viver em Espanha, portanto, não basta sempre para ser reconhecido desde o início como plenamente espanhol.

Os futebolistas não são “a integração”; são uma elite hiper-selecionada que triunfa apesar de uma estrutura social que continua a penalizar filhos e netos de imigrantes racializados.

O dado social acompanha o  jurídico. O CEDRE constatou em 2024 que 33% das pessoas pertencentes a grupos racializados ou étnicos diversos em Espanha declararam sentir discriminação por origem racial ou étnica; os motivos mais citados foram a cor da pele ou os traços físicos, seguidos das práticas culturais. Por isso a frase de Rajoy não fala apenas da França. Fala também da Espanha, que celebra Lamine Yamal ou Nico Williams quando vestem a seleção dos espanhóis, mas onde ainda há quem questione a espanholidade de quem não corresponde ao imaginário branco, de expressão castelhana, católico ou familiarmente autóctone.

A má consciência espanhola é, portanto, dupla. Por um lado, Espanha não tem o universalismo republicano francês: a sua forma de Estado continua atravessada pola monarquia, pola herança colonial, polo nacional-catolicismo residual e por uma conceção muito seletiva da unidade nacional. Por outro, também não assume plenamente uma cidadania domiciliária e democrática: quem vive, nasce, trabalha, estuda, cuida e participa no país continua moitas vezes submetido a uma prova suplementar de pertença. A suspeita não recai sobre o passaporte, mas sobre o corpo.

Mas também não recai apenas sobre o corpo. Passa pola língua, polo território e polas identidades nacionais que os Estados encerram dentro de si. A França proclama uma República una, indivisível e linguisticamente francesa: o artigo 2.º da Constituição fixa que “a língua da República é o francês”, enquanto as línguas regionais só aparecem, no artigo 75-1, como patrimônio da França. Patrimônio, porém, não é direito político pleno: é uma forma de conservar a língua como memória, ao mesmo tempo que se lhe nega capacidade institucional equivalente. França assinou a Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias em 1999, mas continua sem a ratificar.

Espanha opera de modo menos uniforme, mas não menos hierárquico. A Constituição de 1978 reconhece “nacionalidades e regiões”, admite a cooficialidade territorial do catalão, do galego e do basco, mas fá-lo dentro da “indissolúvel unidade da Nação espanhola” e sob a primazia estatal do castelhano, que todos têm o dever de conhecer. O reconhecimento existe, e não é irrelevante; mas é um reconhecimento administrado, territorializado e subordinado à unidade soberana da nação espanhola. O Conselho da Europa reconheceu em 2024 que a Espanha dispõe de um sistema desenvolvido de proteção das línguas regionais ou minoritárias, mas também assinalou lacunas persistentes na justiça, na saúde e na administração pública.

A diferença, portanto, é de método: França universaliza apagando; Espanha reconhece subordinando. Em ambos os casos, a cidadania estatal funciona como máquina de integração, mas também como máquina de contenção. A mesma pergunta que Rajoy lançou sobre os jogadores racializados —quem é francês de verdade?— reaparece, noutro plano, quando se pergunta quem pode falar, existir e decidir como catalão, galego, basco, corso, bretão, occitano ou alsaciano sem pedir licença ao centro.

O mesmo se aplica à Europa. A União proclama valores, direitos fundamentais e igualdade de cidadania, mas endurece fronteiras, externaliza responsabilidades e discute centros de retorno em países terceiros. O Conselho da União Europeia acordou em 2026 regras que permitem criar return hubs fora da União para pessoas sem direito de permanência; a Human Rights Watch advertiu, por sua vez, que o novo Pacto de Migração e Asilo reformula profundamente fronteiras, asilo e responsabilidade entre Estados-membros, com implicações sérias para os direitos humanos. A Europa que se escandaliza quando alguém racializa uma seleção nacional é a mesma que organiza juridicamente a distância entre vidas protegidas e vidas removíveis.

Que tipo de nação queremos defender? Uma nação étnica, fundada no sangue, na aparência, na origem e na fantasia de homogeneidade do estado-nação? Ou uma nação política, fundada na autodeterminação, na residência, na cidadania, no vínculo comum e no direito a participar na comunidade onde se vive? O ius domicilii —a ideia de que o domicílio, a vida partilhada e a pertença efetiva a uma comunidade devem produzir direitos— é mais democrático que a obsessão genealógica que continua a contaminar as direitas e algumas social-democracias europeias. Quem vive, trabalha, estuda, paga impostos, cria filhos, participa e constrói uma sociedade pertence a essa sociedade. Não por favor, não por assimilação linguística e estética, não por certificado de pureza, mas por direito político.

A reação do Partido Popular agrava o episódio. Ao não pedir desculpas e ao proteger Rajoy sob a desculpa do sarcasmo, o PP aproximou-se objetivamente do campo semântico dos seus parceiros de Vox: a ideia de que a nação pode ser defendida contra os seus próprios cidadãos quando esses cidadãos não correspondem à imagem étnica dominante. Não é preciso que Vox lidere a polêmica para que a convergência exista. Basta que a direita institucional se recuse a afirmar com clareza que a nacionalidade não depende da cor da pele, do apelido, da língua, da origem familiar ou da pertença nacional subestatal. A ambiguidade do PP não é uma anedota; é uma adaptação ao clima político produzido pola extrema-direita. O mais revelador, no fundo, é a contundência.

Um texto menor, num digital conservador, escrito ao jeito cunhado em taberna patriótica, provocou reação diplomática, indignação mediática e correções institucionais. Porquê? Porque o assunto não era o futebol. O assunto era a fronteira interna da cidadania. Rajoy não descobriu nada. Apenas dijo mal, de forma racista, aquilo que a Europa tenta gerir com linguagem administrativa: que a cidadania continua a ser atravessada por filtros de origem, cor, classe, língua, território e desejabilidade.  A contundência das resposta dos governos francés e espanhol  confirma a sensibilidade do tema. Não reagiu apenas o governo francês, nem apenas a esquerda. Até a Agrupação Nacional, o partido de Marine Le Pen, se viu obrigada a tachar as palavras de Rajoy de racistas. Esse dado não absolve a extrema-direita francesa; polo contrário, revela até que ponto a seleção nacional se converteu numa peça central da representação republicana. A França oficial, a França progressista e mesmo a direita nacionalista entenderam que a frase de Rajoy não atacava apenas uns jogadores, mas a própria ficção integradora através da qual a nação se narra a si mesma.

O neto de um autonomista galego republicano, ligado ao primeiro Estatuto galego, escreve agora a partir de uma imaginação nacional estreita, racializada e estatalmente homogênea. O que em Enrique Rajoy Leloup aparecia como abertura republicana à pluralidade nacional da Galiza reaparece, no seu neto, invertido. Não como direito de um povo a existir politicamente, mas como suspeita sobre quem pode representar uma nação. A biografia não explica tudo, mas ilumina a perda. Entre o avô autonomista e o neto que fala de uma França “sem franceses” passa boa parte da história do Estado espanhol, da repressão das suas pluralidades e da conversão da pertença nacional em fronteira. O ponto não é apenas que Rajoy tenha dito algo racista; é que o dixo a partir da posição social do “senhor simpático”, do ex-presidente aparentemente inofensivo, do comentarista de futebol que “não se mete com ninguém”. Essa é a chave da violência simbólica circula melhor quando vem embalada como graça, bom senso ou “comentário de barra” que o PP tentou defendê-la como sarcasmo sem má intenção. Rajoy não fala como ideólogo de extrema-direita, mas como cómico de foro empresarial, como velho conhecido da política espanhola, como homem que transforma o preconceito em anedota e a anedota em sentido comum. Essa é precisamente a força do racismo banal: não precisa chegar com botas, bandeiras e braço levantado; pode chegar com piadas sobre futebol, gargalhadas de sobremesa e a proteção automática dos que sempre reconhecem nos seus excessos uma simples graça. O problema não é apenas que Rajoy diga que, se são negros, não são franceses. O problema é que essa frase poda ser recebida como chiste, que se lhe chame sarcasmo, que a simpatia social funcione como absolvição política. A fronteira interna da cidadania ri-se antes de excluir. 

 

Não é estranho que quando a direita espanhola tenta fazer pátria, transforme diferenças históricas, linguísticas e territoriais em sintomas de ameaça nacional. Emerge o ressentimento e confunde pluralidade com ameaça e converta toda diferença em patologia nacional.

O Rajoy moço que escrevia sobre a “boa estirpe” não é um detalhe biográfico menor. Mostra que a desigualdade pode mudar de vocabulário sem abandonar a sua estrutura. Ontem podia apresentar-se como reflexão sobre herança, mérito e diferenças naturais; hoje aparece como comentário futebolístico sobre quem é ou não francês. Entre uma cousa e outra há décadas de democracia, mas também a persistência da tentação de converter origem, corpo, linhagem ou aparência em medida da pertença. O fascismo socialmente eficaz raramente se apresenta como fascismo; moitas vezes prefere o traje do homem simpático que diz o que “todo mundo pensa” e depois sorri quando alguém lhe chama racista. A léria de Rajoy não só é racismo futebolístico, mas sintoma de uma direita hispânica ressentida perante a questão nacional.

Já para irmos rematando, não é estranho  que quando a direita espanhola tenta fazer pátria, transforme diferenças históricas, linguísticas e territoriais em sintomas de ameaça nacional. Emerge o ressentimento e confunde pluralidade com ameaça e converta toda diferença em patologia nacional. Além disso, é preciso sublinhar que Macron corrige Rajoy lembrando que a condição nacional é um direito, não um atributo genético. Rajoy activa o o velho narcisismo das diferenças: as pequenas, porque ferem a fantasia de homogeneidade; as grandes, porque recordam que a unidade nunca esteve plenamente resolvida.

Quantos franceses, espanhóis, catalães, galegos, bascos, corsos, bretões, belgas, alemães ou italianos continuam a ter de provar todos os dias que pertencem ao país onde nasceram, vivem ou chegaram para ficar? A seleção francesa é francesa. Mas a França republicana continua a dever uma resposta aos franceses que só são reconhecidos como plenamente franceses quando vencem. E Espanha continua a dever uma resposta às pessoas, línguas e nações que só reconhece quando aceitam ocupar o lugar subordinado que o Estado lhes reserva. A ponto de negar-lhes a sua própria seleção nacional em competições oficiais.

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