O governo venezuelano declara estado de emergência e fala em 32 mortes, mas o número pode chegar a 100 mil. Delcy Rodríguez afirma que equipes de resgate de outros países chegarão à Venezuela nas próximas horas
Dous terremotos poderosos, separados por apenas 39 segundos, atingiram a Venezuela durante a noite, causando uma tragédia de grandes proporções. Até o momento, o governo venezuelano confirmou a morte de 32 pessoas e fala em 700 feridos. Segundo cálculos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), no entanto, o número de mortos pode chegar a 10.000 e 100.000 pessoas. Os dois terremotos, de magnitude 7,2 (o primeiro) e 7,5 (o segundo), afetaram principalmente o centro do país, mas também foram sentidos na capital, Caracas. Como resultado dos dois terremotos, inúmeros prédios e estruturas desabaram, deixando um rastro de morte e destruição. As previsões trágicas dos militares americanos foram confirmadas por Donald Trump que falou em um número “devastador” de mortes. O governo venezuelano, por sua vez, declarou estado de emergência. Com dezenas de prédios desabados por todo o país, tudo indica que o número de mortos é muito alto.
Na capital Caracas, as pessoas permaneceram ao ar livre por horas após os terremotos, muitas delas abrigando-se em escolas que foram convertidas em centros de emergência. Eles descreveram o momento de terror e destruição, quando as pessoas fugiam de prédios que balançavam após os terremotos.
A magnitude e as consequências do terremoto são comprovadas pelo fato de o epicentro ter sido no estado de Carabobo, a cerca de 300 quilômetros de Caracas, mas os danos foram sentidos com mais força na capital, onde inúmeros prédios desabaram, e também nos estados de Miranda, Falcón e La Guaira. O principal aeroporto do país teve que ser fechado após sofrer graves danos.
La Guaira, “zona de desastre”
O estado mais afetado pela tragédia é La Guaira, ao norte de Caracas. A presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, o definiu como uma “zona de desastre”. De fato, é lá que a preocupação é mais extrema, já que o primeiro balanço de mortos e feridos não inclui essa área, onde há “dezenas de prédios desabados”. A região, que tem meio milhão de habitantes e era chamada de Vargas até 2019, fica no litoral, a 30 quilômetros da capital, e é conhecida por suas praias paradisíacas. Uma fonte do setor humanitário disse à EFE que já há vítimas que relatam “um número considerável” de mortes em La Guaira.
Esta área é o principal ponto de entrada no país, pois abriga o Aeroporto Internacional Simón Bolívar e concentra a atividade portuária da Venezuela. O duplo terremoto ocorreu às 18h de quarta-feira, obrigando milhares de pessoas a passar a noite nas ruas, tanto em La Guaira quanto nos demais estados afetados, seja por medo de novos tremores secundários ou porque suas casas foram atingidas. A noite dificultou o trabalho dos serviços de emergência, que buscam vítimas soterradas nos escombros. Esses terremotos são os mais graves deste século até o momento: o último ocorreu em 1997 no estado de Sucre, onde foram registradas 73 mortes e centenas de feridos.
A China afirmou estar pronta para fornecer toda a ajuda possível à Venezuela após dois terremotos terem matado pelo menos 32 pessoas e ferido centenas, segundo a AFP.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva também se pronunciou, expressando a sua “preocupação e consternação” com os acontecimentos, ao mesmo tempo que avança medidas de ajuda em apoio ao país caribenho. Os presidentes Claudia Sheinbaum (México), Daniel Noboa (Equador), José Antonio Kast (Chile), Javier Milei (Argentina), José Raúl Mulino (Panamá), Nayib Bukele (El Salvador) e Laura Fernández (Costa Rica) também ofereceram dinheiro e ajuda humanitária à Venezuela.
Opresidente do governo espanhol, Pedro Sánchez , expressou seu apoio ao país, enquanto o consulado espanhol na Venezuela pediu que se sigam as recomendações da Defesa Civil. O Ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares , informou nesta quinta-feira de manhã que “ por enquanto” não há evidências de mortes ou feridos espanhóis . No entanto, admitiu em declarações à Rádio Nacional que essa possibilidade não está descartada devido ao colapso da infraestrutura .
















