A pressão social contínua acabou por impor-se.A Xunta da Galiza iniciou o processo de arquivo do projeto industrial de Altri em Palas de Rei, uma macrocelulosa promovida através da filial Greenfiber. A decisão chega depois de dous anos de protestos massivos e da negativa do Governo espanhol a autorizar a ligação elétrica imprescindível para a viabilidade da planta.

Falta de ligação elétrica e prazos caducados
Segundo comunicou o Governo galego, o projeto fica fora da planificação elétrica estatal até 2030, o que impossibilita a construção da infraestrutura necessária para alimentar a fábrica. Além disso, vários prazos administrativos —como os relativos à Autorização Ambiental Integrada— teriam caducado, reforçando a obrigação legal de arquivar o expediente. A empresa dispõe de três meses para apresentar alegações, mas a Xunta considera improvável que Altri consiga justificar uma alternativa técnica viável.
Greenfiber estuda alegações e acusa decisão “política”
Greenfiber afirmou que está a avaliar “opções técnicas” para garantir a ligação elétrica independentemente da planificação estatal e que pondera apresentar alegações ao arquivo. A empresa insiste que a exclusão da rede responde a critérios “políticos”, algo que o Ministério para a Transição Ecológica nega, defendendo que a decisão é “estritamente técnica”.
Uma vitória atribuída à mobilização cidadã
As plataformas Ulhoa Viva e Defensa da Ria celebraram o anúncio como uma vitória histórica da mobilização social. Recordam que, durante dois anos, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas em Palas de Rei, Compostela e Arousa para exigir o fim do projeto, que consideram altamente lesivo para o território, a água e o sector agropecuário. Ulhoa Viva sublinha que o arquivo “era inevitável por imperativo legal”, mas destaca que sem a pressão social “a Xunta teria continuado a defender o projeto como se fosse sustentável”. A PDRA, pola sua parte, adverte que a vigilância deve continuar até que o arquivo seja definitivo.
Um projeto debilitado também pola perda de fundos europeus
O megaprojeto já sofrera outros reveses: Altri ficou fora do PERTE de descarbonização, perdendo a possibilidade de aceder a cerca de 250 milhões de euros em ajudas públicas. A utilização prevista de combustíveis fósseis e o incumprimento de prazos foram determinantes para essa exclusão.
Um precedente na defesa do território
O arquivo do projeto representa um ponto de inflexão para os movimentos sociais galegos. As plataformas consideram que a experiência demonstra a capacidade da sociedade civil para travar iniciativas industriais de grande impacto quando estas não respeitam o território nem as comunidades locais.
