Socialista António José Seguro vence eleições seguido do candidato de extrema-direita André Ventura
O socialista moderado António José Seguro venceu as eleições presidenciais em Portugal contra o candidato de extrema-direita André Ventura, com quem se enfrentará no segundo turno. Os resultados, com 98,75% dos votos apurados, dão a Seguro 31% dos votos e a Ventura 23,65%. No entanto, para governar o país, Seguro terá de confirmar a sua vitória no dia 8 de fevereiro. Por agora, é o favorito. É a primeira vez desde 1986 que uma eleição presidencial exige um segundo turno para definir o vencedor, fato que evidencia a fragmentação do cenário político com a ascensão da extrema-direita e o desencanto dos eleitores com os principais partidos. Contudo, os socialistas conseguiram vencer este primeiro turno com uma margem muito maior do que a prevista pelas pesquisas. Aliás, até poucos dias atrás, algumas das principais pesquisas davam à extrema-direita uma vitória apertada.
José Seguro e Ventura avançam para a segunda volta, mas em terceiro lugar fica o liberal João Cotrim de Figueiredo, do partido de direita Iniciativa Liberal, que obteve 15,82% dos votos, confirmando assim a ascensão de novos partidos na cena política portuguesa.
Maior participação
Mais de 11 milhões de portugueses foram às urnas neste domingo para escolher qual dos 11 candidatos concorreria à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa. As eleições decorreram normalmente e registaram uma participação de 45,5%, um valor ligeiramente superior ao das eleições anteriores.
Esta manhã, o candidato socialista que venceu a primeira volta das eleições já olhava para a segunda: “Convido todos os democratas, progressistas e humanistas a juntarem-se a nós para que juntos possamos derrotar o extremismo e aqueles que semeiam o ódio e a divisão entre os portugueses.” Por sua vez, o candidato da extrema-direita advertiu que quer garantir que “Portugal seja novamente para os portugueses” e assegurou que o candidato socialista é o maior representante “de tudo aquilo que o país não deve aceitar.”
Ascensão de partidos recém-criados
Uma das imagens deixadas pelas eleições é a da crise da direita tradicional. Os resultados mostram uma ultrapassagem da extrema-direita do Chega, liderada por Ventura, pela direita moderada de Luís Marques Mendes, punido após os ataques às suas empresas privadas. E, ao mesmo tempo, os eleitores optaram por partidos recém-criados: enquanto o Chega – criado em 2019 – ficou em segundo lugar, o liberal Cotrim de Figueiredo também teve uma ascensão meteórica.
Em maio passado, o fascista Chega, anti-establishment e anti-imigração, fundado há apenas sete anos, tornou-se o principal partido da oposição nas eleições parlamentares, com 22,8% dos votos. No entanto, todas as sondagens de opinião recentes indicam que Ventura perderá a segunda volta devido à sua elevada taxa de rejeição, superior a 60% dos eleitores.
