Milheiros de pessoas saíram às ruas de Ferrol neste domingo para exigir um serviço ferroviário moderno e eficiente, num protesto considerado histórico polo seu caráter massivo e unitário. Segundo a organização, cerca de 30 mil pessoas participaram da manifestação convocada polo Foro Cidadán polo Ferrocarril, enquanto a estimativa oficial da prefeitura aponta para 10 mil.
O ato reuniu representantes de todas as forças políticas, sociais e institucionais da comarca, incluindo o governo local, a Deputação da Coruña, entidades desportivas e até a Diocese. O manifesto final, lido pola cineasta Chelo Loureiro e polo ex-jogador Miguel Loureiro, destacou que “toda a cidadania está unida” para pôr fim ao isolamento ferroviário da região.
Entre as principais reivindicações estão a modernização da linha Ferrol-A Corunha — prometida há uma década para reduzir o tempo de viagem a 40 minutos, mas ainda não concretizada —, a recuperação das frequências suprimidas e a melhoria das ligações com Ortegal e A Marinha. Os manifestantes denunciam que a infraestrutura atual é obsoleta e que os cortes de serviços por parte da Renfe agravam a exclusão territorial.
O movimento insiste que estas exigências não são privilégios, mas direitos básicos de mobilidade, fundamentais para o desenvolvimento económico e social da região. “Ferrolterra cansou de esperar”, afirmam os organizadores, que pedem um verdadeiro serviço de proximidade e um transporte ferroviário do século XXI.
Principais reivindicações da mobilização
- Modernização integral da linha Ferrol-A Corunha, com eletrificação, duplicação de via e correção do traçado para eliminar curvas.
- Recuperação das ligações suprimidas e aumento das frequências.
- Melhoria das conexões com Ortegal e A Mariña, incluindo a revitalização da antiga linha de FEVE.
- Criação de um serviço de proximidade que garanta mobilidade acessível para uma área metropolitana de cerca de meio milhão de habitantes.
Propostas políticas em curso
O BNG apresentou no Congresso espanhol e no Parlamento galego um Plano Integral de Modernização Ferroviária para Ferrolterra, que inclui:
- Baipás de Betanços para eliminar a inversão de marcha e reduzir tempos de viagem sem sacrificar paradas intermédias.
- Duas vias e eletrificação na linha Ferrol-A Coruña, além da correção do traçado atual.
- Compatibilidade entre transporte de passageiros e mercadorias, aproveitando os portos de Ferrol e San Cibrao.
- Atualização da linha de FEVE (ancho métrico), hoje em estado de abandono, para recuperar a demanda e permitir a gestão direta pela Galiza.
- Transferência das competências ferroviárias à Galiza e criação de um ente ferroviário próprio para gerir o serviço.
Por sua vez, o Governo espanhol anunciou que está a elaborar um estudo funcional para modernizar a linha A Corunha-Ferrol, garantindo que manterá “o caráter de proximidade” e atenderá aos núcleos intermédios. A única obra em trâmite é o baipás de Infesta, mas não há previsão de execução a curto prazo
