Dezenas de ativistas climáticos invadiram na terça-feira a área restrita da Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP30), que decorre na cidade amazónica de Belém, no Brasil. A marcha rompeu o cordão policial e invadiu a cúpula, que teve que interromper as atividades momentaneamente. A COP30 decorre em Belém até 21 de novembro e reúne representantes de governos, organizações internacionais e movimentos da sociedade civil para debater políticas de combate às alterações climáticas.
Um grupo de manifestantes, moitos deles indígenas, invadiu a área restrita do centro de conferências onde está sendo realizada a cúpula do clima da ONU, COP30, no Brasil na noite de terça-feira (madrugada galega) para exigir “um imposto sobre bilionários” para financiar a luta contra a crise climática. Ativistas climáticos conseguiram romper os arcos de segurança de acesso ao Parque Da Cidade, fechado nas últimas semanas para uso como sede da cúpula, e acessaram o saguão da grande tenda administrada pola ONU, onde enfrentaram a polícia, que criou um cordão para impedi-los de avançar. Houve confrontos e cenas de caos até que finalmente, os manifestantes foram expulsos.
A irrupção de ativistas climáticos forçou a suspensão de todas as atividades que estavam sendo realizadas naquele momento nesta chamada “zona azul” da COP30. De acordo com a mídia brasileira, polo menos um policia ficou ferido nos confrontos. A polícia brasileira anunciou que vai reforçar o sistema de segurança para evitar que uma invasão como essa aconteça novamente.
Moitos dos manifestantes usavam roupas indígenas e outros usavam camisetas do PSOL, o Partido Socialismo e Liberdade, de esquerda radical, que se separou do Partido dos Trabalhadores de Lula da Silva em 2004. De fato, entre os gritos de protesto da marcha também estão críticas à ação do governo Lula, que está abrindo operações de petróleo na Amazônia apesar das suas promessas de combater a crise climática. Os manifestantes acusam-no de realizar uma “tolice” com sua tentativa de liderar a luta climática global e de “destruir o clima” com suas explorações de petróleo.
Uma ONG climática, a 350.org, que tinha organizado a Marcha pola Saúde e polo Clima pouco antes para denunciar que “a crise climática é uma crise de saúde”, quixo dissociar-se completamente do ataque ao prédio da COP30. “As ações que aconteceram após a marcha não fazem parte da organização do evento que abordou a saúde e o clima. A marcha, que terminou mais cedo no local da COP30, foi uma expressão legítima, pacífica e organizada de mobilização popular, construída por meio do diálogo, da responsabilidade e do compromisso coletivo. Reafirmamos nosso respeito às instituições que organizam a COP30”, dixo em comunicado esta organização, que participa como observadora das negociações climáticas dos governos reunidos no Brasil.
