A Galiza foi palco de uma mobilização massiva no âmbito da jornada internacional de greve convocada em solidariedade com o povo palestiniano. A iniciativa, que decorreu em dezenas de cidades e vilas galegas, integrou-se numa chamada global promovida por plataformas propalestinianas, sindicatos, organizações estudantis e movimentos sociais.Desde que o Estado terrorista de Israel iniciou sua incursão de morte e destruição total na Faixa de Gaza, a Coordenação Galega tem mantido um calendário de mobilizações sustentadas ao longo do tempo, tanto em nível local quanto nacional. A CIG é a organização sindical que mais contribuiu e apoiou na Galícia uma ação permanente e contínua de solidariedade com a Palestina e defendendo os direitos do povo palestino e o fim da ocupação ilegal- seja como parte integrante da Coordenação Galega, promovendo seus próprios apelos e iniciativas, seja apoiando outros grupos.
esde as primeiras horas da manhã, registaram-se paralisações laborais em sectores como o ensino, a saúde, a construção naval e a administração pública. Em Ferrol, trabalhadores dos estaleiros interromperam a actividade e concentraram-se na Praça de Armas, onde foi lido um manifesto que denunciava o genocídio em Gaza e exigia o fim da cumplicidade institucional europeia com o Estado de Israel.
Em Santiago de Compostela, centenas de estudantes universitários marcharam pelas ruas históricas, acompanhados por colectivos feministas, antirracistas e culturais. Em Vigo, a maior manifestação do dia reuniu mais de 3.000 pessoas sob palavras de ordem como “Galiza com a Palestina”, “Não em nosso nome” e “Boicote, desinvestimento e sanções já”. Também se realizaram acções em Ourense, Lugo, Pontevedra, A Corunha, Burela, Cangas e O Barco de Valdeorras, evidenciando uma mobilização descentralizada e transversal.
Reivindicações centrais
As entidades organizadoras articularam a jornada em torno de quatro eixos fundamentais:
– Denúncia do genocídio em Gaza, com apelo ao cessar imediato das hostilidades e à protecção da população civil.
– Ruptura de relações diplomáticas, comerciais e militares com Israel, exigida ao Estado espanhol e à Junta da Galiza.
– Adesão institucional à campanha BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) como forma de pressão internacional.
– Solidariedade activa e permanente, com compromissos para futuras acções, recolhas de fundos e pressão política.
Dimensão política e histórica
A jornada de 15 de Outubro insere-se numa tradição galega de solidariedade internacionalista, que remonta às mobilizações contra o apartheid, à guerra do Iraque e ao apoio aos povos curdo e saariano. A escolha da greve laboral como forma de protesto reflecte uma estratégia que entende a solidariedade como prática material e estruturante, e não apenas simbólica.
A mobilização revelou também uma capacidade de articulação entre sectores diversos: sindicatos como a CIG, plataformas como Mar de Lumes, Galiza por Palestina e BDS Galiza, organizações estudantis, colectivos culturais e até agrupamentos religiosos e migrantes participaram activamente.
Declarações e perspectivas
Num comunicado conjunto, os organizadores afirmaram: “Não podemos permanecer em silêncio enquanto se perpetra um genocídio em directo. A nossa responsabilidade como sociedade é agir, denunciar e pressionar para travar esta barbárie.”
Está prevista a continuidade das acções nos próximos dias, incluindo campanhas para que os municípios galegos declarem a ruptura institucional com Israel e se comprometam com a defesa activa dos direitos do povo palestino.
