No domingo, 5 de outubro, uma verdadeira maré humana tomou as ruas de Santiago de Compostela, numa das maiores manifestações realizadas na Galiza nos últimos anos. Convocada pela Coordenadora Galega de Solidariedade com Palestina e apoiada por mais de 150 coletivos sociais, a marcha reuniu entre 15 mil e 80 mil pessoas, segundo estimativas da polícia local e dos organizadores.

Sob o lema “Galiza com Palestina. Dous anos de genocídio, 77 anos de ocupação”, os manifestantes percorreram o centro histórico da cidade, da Alameda até a Praça do Obradoiro, onde foi lido um manifesto exigindo o fim dos ataques em Gaza e denunciando a ocupação israelense. A manifestação foi marcada por bandeiras palestinas, kufiyas, sandias e palavras de ordem como “Netanyahu assassino”, “Israel assassina, Europa patrocina” e “Não é uma guerra, é um genocídio”.
A mobilização galega fez parte de uma jornada estatal de protestos que se espalhou por mais de 80 cidades espanholas, incluindo Madrid, Barcelona, Valência, Sevilha e Vigo. Em Madrid, cerca de 100 mil pessoas marcharam de Atocha até Callao, enquanto em Barcelona, a Guarda Urbana contabilizou aproximadamente 70 mil participantes. As manifestações foram convocadas pela Rede Solidária Contra a Ocupação da Palestina (RESCOP) e outras organizações, que exigem embargo total de armas a Israel, ruptura das relações diplomáticas e aplicação do direito internacional.
Durante a leitura do manifesto em Santiago, Ánxela Gippini, da Galiza por Palestina, afirmou que “os números não descrevem o horror” e pediu uma investigação internacional sobre os crimes cometidos. Sami Ashour, porta-voz da Coordenadora Galega, destacou que “o genocídio é apenas uma fase de 77 anos de ocupação”.
A manifestação também contou com a presença de representantes políticos do BNG, PSdeG e Sumar Galiza, que elogiaram a dignidade do povo galego e defenderam o fim do silêncio institucional diante da tragédia palestina.
