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Educação, Galiza, Movementos sociais — 26 Setembro, 2025 at 8:30 a.m.

Professoras em greve: ensino público exige mudanças urgentes

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Centenas de docentes do ensino público galego saíram às ruas em uma jornada de greve convocada pela CIG-Ensino e apoiada por outros sindicatos como o STEG. A mobilização tivo como lema “Recuperar e avançar em direitos: ensino público galego con futuro” e denunciou a precariedade crescente nas escolas da Galiza

A manifestação começou ao meio-dia na Praça de Cervantes, em Santiago de Compostela, e terminou em frente ao Ministério da Educação, no prédio administrativo de San Caetano. Com esta mobilização, o ensino não universitário reivindicou, mais uma vez, a recuperação de direitos, nomeadamente a carga horária escolar, que tinha sido reduzida desde 2011 e 2012, quando foi aumentada para 25 horas no jardim de infância e no ensino fundamental e para 18 horas no restante do ensino, respetivamente.

Segundo a CIG, o seguimento da greve alcançou 60%, enquanto a Consellería de Educación afirma que apenas 14,8% dos profissionais aderiram. A discrepância nos números reflete o clima de tensão entre os sindicatos e o governo autonômico.

Os professores exigem:

  • Redução das ratios de alunos por turma.
  • Reposição do horário lectivo anterior aos cortes de 2011.
  • Contratação de mais professores de apoio e especialistas.
  • Menos burocracia e mais valorização profissional.
  • Melhorias salariais e condições dignas de trabalho.

A situação nas escolas é descrita como “ao limite”, com docentes esgotados e estudantes sem o apoio necessário. A CIG denuncia que a propaganda institucional da Xunta não corresponde à realidade vivida nos centros educativos. A manifestação em Santiago foi marcada por palavras de ordem, cartazes e um forte sentimento de urgência por mudanças. Os sindicatos alertam que, sem medidas concretas, a qualidade do ensino público continuará a se deteriorar.

A CIG denunciou ainda a privatização crescente da educação, o abandono do pessoal substituto, e o uso excessivo de fundos públicos em propaganda institucional. A secretaria nacional, Laura Arroxo, criticou duramente os acordos assinados por outros sindicatos com o governo, que, segundo ela, não trouxeram melhorias reais para o corpo docente.

A greve também foi marcada por denúncias sobre a falta de apoio ao alunado mais vulnerável, especialmente nas etapas de infantil, especial e FP. Arroxo afirmou que “a paciencia do profesorado chegou ao límite” e que “as loitas sempre merecen a pena”.

 

Diferentes olhares da imprensa sobre uma mobilização histórica

A greve dos professores do ensino público galego, realizada em 25 de setembro de 2025, expôs não apenas a crise estrutural na educação, mas também as diferentes abordagens da imprensa sobre o movimento. Enquanto os sindicatos denunciaram sobrecarga, falta de apoio especializado e precarização, os meios de comunicação adotaram linhas editoriais distintas.

La Voz de Galicia optou por uma cobertura mais institucional, destacando a versão oficial da Xunta de Galicia, que minimizou o impacto da greve. O jornal deu espaço às declarações do conselleiro de Educación, que defendeu a evolução positiva do sistema e acusou os sindicatos de promoverem uma estratégia de confronto. Embora tenha mencionado as reivindicações dos docentes, o foco esteve na normalidade das aulas e na baixa adesão segundo dados oficiais.

Em contraste, meios galegos como Praza.gal, Nós Diario e espanhois como ElDiario.es, O Salto e Cadena SER Galicia ofereceram uma narrativa centrada nas vozes dos professores e nas condições reais das escolas. Praza.gal destacou o esgotamento dos docentes e a unidade sindical frente aos recortes. Nós Diario relatou casos concretos de alunos sem apoio e professores sobrecarregados. O Salto aprofundou a crise estrutural, revelando como famílias e municípios estão assumindo funções que caberiam à Xunta. ElDiario.es fez  uma cobertura profunda e crítica da situação do ensino público galego, contextualizando a greve dentro de um cenário de crise educativa e conflito político no dia 8 de setembro, quando foi convocada a greve. Já a Cadena SER enfatizou a falta de cuidadores e especialistas, reforçando o impacto social da precarização.

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