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Portugal — 4 Setembro, 2025 at 12:36 p.m.

Número de mortos sobe para 17 após descarrilamento do elevador da Glória em Lisboa

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O Elevador da Glória, que liga os Restauradores ao Príncipe Real, em Lisboa, descarrilou ao final da tarde de quarta-feira. O último balanço das autoridades aponta para 17 mortos e 21 feridos entre passageiros de pelo menos 10 nacionalidades. Trabalhadores de empresa denunciam terceirização da manutenção dos elevadores da cidade

Lisboa amenceu esta quinta-feira chocada e com um dia de luto oficial em todo o país – e três em Lisboa – pela tragédia que se vive no centro da capital, depois de um dos seus grandes atrativos turísticos, o elevador da Glória, ter descarrilado na tarde de quarta-feira, provocando pelo menos 17 mortos e 21 feridos de gravidade variada, incluindo dois cidadãos espanhóis, que receberam alta ontem à noite.Imediatamente após o acidente, quinze pessoas morreram e vinte e três ficaram feridas, cinco em estado muito grave.

Duas dessas pessoas morreram durante a manhã. As autoridades portuguesas estão investigando as causas do acidente. As primeiras informações apontam para a ruptura de um dos dois cabos de segurança do popular elevador, ou funicular, que liga a Praça dos Restauradores (na parte baixa da cidade) ao Jardim de São Pedro de Alcântara (Bairro Alto), e percorre cerca de 265 metros com uma inclinação superior a 17%, totalizando 48 metros de desnível.

O sistema dos populares elevadores é composto por dois veículos amarelos – numerados 1 e 2 – que trafegavam em sentidos opostos e estavam conectados pelo cabo subterrâneo que se rompeu. Quando um subia, o outro descia, atuando como contrapeso e equilibrando o esforço mecânico. Cada veículo podia transportar cerca de quarenta passageiros e movimentava anualmente quase três milhões de viajantes entre moradores e turistas. Nesta quarta-feira, o bonde danificado, número 1, descia em direção à Baixa quando, sem o freio natural do sistema de contrapeso devido ao rompimento do cabo, a carruagem perdeu o controle, acelerou pela íngreme ladeira e descarrilou até colidir violentamente contra um prédio na Calçada da Glória. O veículo capotou na rua, completamente destruído. O segundo veículo, que estava no outro extremo da via, foi parado graças aos guarda-corpos de proteção e não descarrilou, o que evitou um acidente ainda mais grave.

O histórico Elevador da Glória

O Elevador da Glória, inaugurado em 1885, já tinha sofrido um descarrilamento há sete anos. Na ocasião, embora não houvesse feridos, o serviço foi interrompido por um mês para a realização de diversas verificações. Após o acidente de quarta-feira, o serviço de todos os elevadores similares da cidade (Bica, Lavra e Graça) foi suspenso, aguardando inspeções técnicas. Mas com a tragédia, surgiu uma polêmica. Ex-funcionários da manutenção alertaram que tal situação poderia se repetir. Segundo o Diário de Notícias , o líder sindical da Fectrans e da STRUP, Manuel Leal, revelou que os funcionários da manutenção da Carris – empresa de transportes públicos de Lisboa – têm manifestado repetidamente a sua preocupação com o estado dos elevadores, incluindo o da Glória. O sindicato alega que, como o serviço foi subcontratado a uma empresa privada, a segurança ficou comprometida e exige que a gestão seja devolvida à Carris. “Os próprios trabalhadores já relataram divergências entre a manutenção efetuada pelas equipas da Carris há alguns anos e o que está a ser feito atualmente, nomeadamente no que diz respeito à tensão dos cabos de segurança destes elevadores”, disse Leal à agência Lusa.

O sindicato alega que, como o serviço foi subcontratado a uma empresa privada, a segurança ficou comprometida e exige que a gestão seja devolvida à Carris.De facto, o atual contrato de manutenção, assinado em 2022 com a empresa MNTC – Serviços Técnicos de Engenharia – por quase 1,2 milhões de euros anuais – e que incluía o Glória – terminou a 31 de agosto de 2025, após um concurso público ter ficado sem efeito por razões económica

De facto, o atual contrato de manutenção, assinado em 2022 com a empresa MNTC – Serviços Técnicos de Engenharia – por quase 1,2 milhões de euros anuais – e que incluía o Glória – terminou a 31 de agosto de 2025, após um concurso público ter ficado sem efeito por razões económicas. A Carris afirma ter ativado um contrato por ajuste direto desde 1 de setembro e assegura que “não houve qualquer interrupção no serviço de manutenção”. O presidente da empresa, Pedro Bogas, tem defendido perante a imprensa que “o protocolo de manutenção tem sido escrupulosamente respeitado”. Como lembrou ao jornal Expresso , a manutenção está nas mãos de empresas externas há catorze anos.

No entanto, para Leal, o descarrilamento do Glória “infelizmente dá razão às queixas dos trabalhadores” e deverá levar o Conselho de Administração da Carris, uma vez efetuada a apuração exaustiva das causas, a reconsiderar a externalização do serviço.

O governo português decretou luto nacional, nesta quinta-feira, “como expressão das condolências e da solidariedade do povo português”. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, transmitiu suas condolências às vítimas e afirmou esperar que as causas do desastre sejam esclarecidas. Anunciou também o cancelamento da Festa do Livro, que aconteceria pelos próximos quatro dias no Palácio de Belém, “em memória das vítimas e em solidariedade às famílias enlutadas”.

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