Alberto Núñez Feijóo apresentou um plano integral contra incêndios com 50 medidas, focado em Galiza, Castela e Leão e Extremadura, duramente atingidas pela atual onda de incêndios . A medida punitivista “estrela” é a criação de um Registro Nacional de Incendiários, impondo pulseiras telemáticas com geolocalização para pessoas condenadas por provocar incêndios intencionais. O plano também prevê o de sempre: ajudas às vítimas, isenções fiscais, reflorestamento, reforço da Proteção Civil e investimentos em investigação. Nenhuma mudança estrutural das políticas florestal e agrária. Os dados oficiais desmentem o discurso do PP
A realidade dos incêndios “intencionais”: contraste com as afirmações do PP
Feijóo declarou que “80% dos incêndios são intencionais”, chegando a falar em “terrorismo incendiário” (El País, 20 ago. 2025).
O que dizem os dados oficiais
Ministério do Interior (2023): apenas 7,64% dos incêndios foram classificados como intencionais. Os atribuídos a incendiários (no sentido clínico) não passaram de 0,57%
Fiscalía General del Estado (2023–2024): cerca de 19% a 24% dos incêndios foram considerados intencionais, enquanto 68% a 69% se deveram a negligência (queimadas agrícolas, descuidos, imprudências) (Cadena SER, 12 ago. 2025).
WWF: quando se incluem queimadas agrícolas ilegais, o percentual de intencionais pode chegar a 53%, mas nunca se aproxima dos 80% citados pelo PP
Um fiscal ambiental descartou a existência de “tramas incendiárias” ou terrorismo: a maioria absoluta é fruto de negligência humana, não de pirômanos organizados
Implicações e críticas políticas e técnicas
A obsessão de Feijoó em responsabilizar os pirômanos é velha. Quando era presidente da Xunta, na Lei de 2012 (cap.147), já falou de criar um “registro de infractores” que nunca desenvolveu. Em 2021 avançou que em 2022 entraria em vigor uma nova lei de prevenção de incêndios que não se chegou a aprovar e que inseria no artigo 107 o mesmo registro de pirómanos. Uma forma de dizer que malia os lumes, todo está bem. Populismo punitivista. Uma ocorrência criticada por especialistas como uma forma de desviar a atenção da verdadeira raiz do problema: falta de planejamento territorial, prevenção, gestão florestal e resposta coordenada. Técnicos sublinham que os fatores decisivos são as imprudências humanas e negligências — queimadas fora de época, trabalhos agrícolas sem medidas de segurança, descuidos — e não tanto pirômanos profissionais. A medida das pulseiras telemáticas foi recebida como simbólica ou populista: dá visibilidade política, mas não enfrenta a origem estrutural dos incêndios. Sem investimento real em prevenção, limpeza florestal, coordenação e ciência, dificilmente terá efeito prático.
Os dados oficiais desmentem o discurso do PP
Os dados oficiais desmentem o discurso do PP: entre 7% e 24% dos incêndios são realmente intencionais, não 80%. A criação de um registro nacional de incendiários pode ter efeito mediático, mas não responde ao essencial: a fragilidade estrutural dos sistemas regionais de prevenção e gestão, especialmente em comunidades governadas pelo próprio PP, que acabam dependendo da resposta do Estado central.
A crise atual reforça o alerta dos cientistas: o aquecimento global agrava os incêndios, tornando indispensável um enfoque baseado em ciência, técnica e coordenação, e não apenas em medidas punitivas ou simbólicas.
