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Movementos sociais, Portugal — 19 Maio, 2025 at 1:05 p.m.

Coligação conservadora vence eleições em Portugal e extrema-direita avança

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Chega empata em assentos com o Partido Socialista. A líder do Bloco de Esquerda (BE), Mariána Mortágua, admitiu neste domingo “uma derrota significativa” para a esquerda em Portugal, após o avanço da direita e a perda de quatro dos cinco assentos que detinha no Parlamento polo seu partido.

Desta vez, a justificativa para chamá-los de volta às urnas mais cedo – depois de apenas um ano no poder – foi a derrota do primeiro-ministro, Luís Montenegro, em um voto de confiança em março. Na época, a oposição denunciou irregularidades no financiamento de sua empresa familiar, a Spinumviva, após vários vazamentos na imprensa portuguesa. Embora tenha perdido a votação parlamentar que tinha proposto nessa altura, as pesquisas indicam que os eleitores não estavam muito preocupados com esse escândalo, o que o primeiro-ministro em exercício negou repetidamente.

A coligação conservadora (AD) de Luís Montenegro venceu as eleições legislativas deste domingo em Portugal. Sem a recontagem dos votos no exterior, o primeiro-ministro em exercício obteve 32,1% dos votos, 89 cadeiras. Em segundo lugar, por uma margem muito estreita, ficaram os socialistas de Pedro Nuno Santos com 23,4% dos apoios e 58 mandatos. A grande vencedora da noite foi a extrema-direita do Chega, que até ao último momento ultrapassou os socialistas e terminou com 22,56%, e os mesmos lugares. É a primeira vez que o partido ultrapassa 20% dos votos. Atrás deles estão a Iniciativa Liberal (5,5%), o ambientalista Livre (4,2%), o Partido Comunista (3%), o Bloco d’Esquerda (2%) e o animalista Pan (1,36). Um resultado que confirma o retrocesso de toda a esquerda (que tem 69 deputados contra os 92 que teve na legislatura anterior) em relação aos 156 das formações conservadoras.

Montenegro teve que renunciar em março devido a um escândalo de conflito de interesses e esperava garantir seu futuro político com uma nova eleição, um ano e meio após vencer as eleições. Mas o resultado não garante estabilidade. O líder dos conservadores, um advogado de 52 anos, que sempre rejeitou governar com o apoio do Chega, espera poder formar governo com a Iniciativa Liberal e consolidar a sua maioria. A coalizão cessante tem um total de 86 assentos de um total de 230, abaixo dos 116 da maioria absoluta. Portanto, o primeiro-ministro corre o risco de se ver mais uma vez preso entre os socialistas e a extrema direita.

Quando se pensava que os socialistas tinham sido ultrapassados , o líder do Chega, André Ventura, disse aos jornalistas que isso significava “o fim do sistema” em vigor desde a Revolução dos Cravos de 1974, que pôs fim à ditadura de Salazar. “Estamos nos libertando de um vínculo de 50 anos”, disse ele, referindo-se à alternância de poder entre os socialistas e os conservadores. A extrema-direita do Chega terá um papel fundamental na nova câmara. A estabilidade do novo governo dependerá, sobretudo, da capacidade do AD de chegar a acordos com outros partidos. Mas considerando que a Iniciativa Liberal não obteve apoio suficiente para alcançar, com a AD de Montenegro, a maioria necessária de 116 dos 230 assentos no Parlamento, a questão é se Montenegro manterá o cordão sanitário na extrema-direita do Chega ou se estará aberto a um acordo com a formação de André Ventura.

Por outro lado, os socialistas admitiram “uma derrota duríssima”, nas palavras da deputada Mariana Vieira da Silva, que afirmou que “o PS tem de se concentrar nas razões e refletir”. Entre os erros que reconhece que o partido cometeu, Da Silva aponta “a excessiva legitimação das posições do Chega”, em aspetos como a imigração, e a incapacidade de se dirigir a “um eleitorado que não tinha estas questões como principal preocupação”, disse, referindo-se sobretudo à habitação, que tem sido outro dos temas centrais da campanha.

Parece que os problemas de saúde sofridos por André Ventura na reta final da campanha não afetaram os resultados do partido extremista. Depois de receber tratamento hospitalar duas vezes na semana passada devido a um espasmo esofágico, ele fez uma aparição surpresa no ato final de sua partida na sexta-feira.

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