Morreu este domingo, aos 78 anos, Carlos Matos Gomes, Capitão de Abril. A informação foi partilhada pela família de Matos Gomes no perfil do coronel no Facebook. A nota especifica as circunstâncias em que a morte ocorreu: “A todos os amigos e seguidores do meu pai, Carlos Matos Gomes, é com profunda tristeza que informo que faleceu hoje, 13 de Abril, no Hospital Cuf Tejo. Partiu sereno e com músicas de Abril. Direi por aqui todos os pormenores sobre as cerimonias que se seguem. Grata a todos pelo carinho e admiração que tinham por ele.”
Carlos de Matos Gomes, coronel reformado e veterano das três frentes da Guerra Colonial, defendeu que Portugal nunca viveu uma democracia tão ampla como a que existiu entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro de 1975. Nesse período, conhecido como Processo Revolucionário em Curso (PREC), ocorreram profundas transformações políticas e sociais, incluindo nacionalizações, reformas agrárias e a criação de estruturas de democracia direta. Matos Gomes argumenta que, apesar das tensões e instabilidades, foi um momento de intensa participação popular e de experimentação democrática que não se repetiu com a mesma intensidade na história recente do país.
Matos Gomes, sob o pseudónimo de Carlos Vale Ferraz publicou vários livros sobre a temática da Guerra Colonial, entre eles, “Nó Cego”, “A Última Viúva de África” e “Os Lobos não Usam Coleira” (1995), que foi adaptado ao cinema por António-Pedro Vasconcelos, “Os Imortais” (2003).
“Nunca vivemos numa democracia como a que existiu do 25 de Abril ao 25 de Novembro (…) Tinha sido decidido fora de Portugal que o regime político de Portugal Tinha de ser um regime que não metesse medo aos falangistas espanhóis aqui ao lado, que estavam no início do processo de transição. É curioso que o general Franco morre nas vésperas do 25 de Novembro, a 20. E Juan Carlos é rei a 22. Era importante para a Europa e para os Estados Unidos que houvesse aqui um regime que não assustasse os franquistas” .(Diario de Notícias, 07 Abr 2024)
O coronel também criticou a atual tendência de revisionismo histórico que busca minimizar ou desvalorizar esse período, destacando a importância de reconhecer a complexidade e os avanços conquistados durante o PREC. Para ele, compreender esse capítulo é essencial para fortalecer a democracia portuguesa e evitar retrocessos autoritários.
No ano passado, em nome próprio, Matos Gomes publicou “Geração D” que, em entrevista à Agência Lusa, definiu como uma homenagem e uma autobiografia da sua geração, a que conheceu a ditadura, a Guerra Colonial e fez o 25 de Abril de 1974.Em 2020, com o seu camarada de armas Aniceto Gomes, publicou o ensaio “Guerra Colonial”. Carlos de Matos Gomes nasceu em 24 de julho de 1946, em Vila Nova da Barquinha. Foi oficial do Exército, tendo cumprido comissões em Angola, Moçambique e na Guiné-Bissau.
















