É de admirar que ainda tenhamos tanta capacidade melodramático-política quando “descobrimos” que um cedeirense residente na Corunha que já vai caminho dos 50 anos, filho e sobrinho dos Garcia da madeira, tenha supostamente acadado o que acadou a partires da exploração e acumulação de capital num sector socialmente aceite entre os galegos e á par das formaçoes discursivas hegemónicas, apesar da ciência alertar para os seus efeitos negativos e da existència real de oposição social desde há décadas a esse modelo de continuação do espolio do territorio -agora sob o rótulo “greenwhasing”- a partires de uma olhada galega interna.

O que certos sectores mediático-empresariais, com apelos quase moralistas quando se trata de um galego, têm dificuldade em aceitar o seu baixo perfil de exposição social do CEO de Greenalia num Estado habituado a mover-se no continuum entre o capital financeiro, o poder político e o consumo simbólico cultural, quando é precisamente nos bastidores que reside o segredo de uma atividade empresarial alicerzada na especulação e nos vasos comunicantes do poder político institucional e do poder económico-financeiro. Gaba-se Garcia de ter apostado o seu próprio dinheiro (excusatio non petita) e não o da sua família, como se a sua origem quase hegemónica neste sector durante décadas em Ortegal fosse algo trivial mas o elo que explica como se gerou e assentou em Galiza o modelo da madeira de eucalipto entre gerações e a sua mutação atual para as chamadas energias renováveis. Porque ninguém discutiu a suas habelèncias, bem ao contrario. Uma diversificação, junto como o setor imobiliario, que alicerza num conhecemento antropológico e famliar dos usos da terra e dos fundamentos do sector. Porém, os mídia teimam em nos dar uma visão neoliberal de que o sucesso pessoal é resultado exclusivo de esforço individual, empreendedorismo e autossuficiência. Por Byung-Chul Han sabemos que essa ideia é problemática porque promove a ilusão de que o indivíduo, por si só, é responsável por seu destino, ignorando as condições sociais, históricas e econômicas que também moldam as oportunidades. Em sua visão, o “self-made leader” é uma figura que internaliza a lógica do desempenho, constantemente pressionado a se autoaperfeiçoar e otimizar suas capacidades para ser bem-sucedido, o que gera uma espécie de autoexploração que representa o ideal de uma subjetividade autossuficiente e meritocrática, como se cada aspecto fosse uma mercadoria ou um projeto a ser gerido.compelido a exploração constante, onde a vida é transformada em uma performance de eficiência e sucesso. Han argumenta que essa visão de subjetividade promove uma sociedade de indivíduos atomizados que estão sempre em busca de mais produtividade. Tudo isso obscurece as relações de poder e as condições estruturais que influenciam. Han argumenta que essa cultura esvazia a subjetividade de qualquer compromisso ético profundo, privilegiando uma forma de liberdade que se manifesta mais como liberdade de escolha no mercado do que como um verdadeiro engajamento com os outros. A relação com o mundo natural se torna utilitária — a natureza é apenas mais um recurso a ser explorado para aumentar o rendimento, sem qualquer compromisso ético com sua preservação ou com um futuro sustentável.
Eis a nova face visível do desastre sócio-ambiental em que Galiza está mergulhada há décadas com o prolongamento do negócio de transformar o monte em madeira de eucalipto e isto por troca de dinheiro relativamente fácil tendo em conta a prática transversal de abandonar a terra a esta prática especulativa desde há máis de 80 anos, ao tempo que os seus habitantes foram expulsos do agro para os centros industriais do desenvolvimentismo franquista.
Nas suas recentes declarações, Garcia Pardo destaca a sua precoce atividade empresarial “apesar” do seu baixo rendimento académico, o que, contrastado com o seu sucesso, encaixa como uma luva no processo de sublimação neoliberal do self-made leader ou do “meninho genio” que acumula as qualidades que fazem dele o porta-voz da cultura do desempenho, a mão oculta e os atributos do goce neoliberal que favorece decisivamente o apossamento progressivo do território para parques eólicos, também instalados entre eucaliptais num continuum de expropriação intensiva que atinge até senlheiros bancos de pesca, como se este crescimento míope conduzisse a um futuro que nos alimentar as folhas de eucalipto e de vento. Um país com um excedente de produção de eletricidade “limpa”, com um cativo impacto na economia real sob a forma de empregos sustentáveis, mas que está a perder a sua soberania alimentar.
Parcerias Polêmicas com Altri. Portas Giratórias e Favoritismo Político
Manuel García Pardo, CEO da Greenalia de escassa biografia no mecantil ( como acima referido, em Cedeira os homens fam-se a si próprios por geração espontânea), tem enfrentado críticas tanto na Galiza quanto nos campos de oliveiras de Jaén e em 2023 também nas suas expansões internacionais, particularmente nos Estados Unidos. Na Andaluzia, especificamente em Lopera (Jaén), Greenalia propôs a instalação de sete parques fotovoltaicos, o que implicaria a remoção de extensas áreas de oliveiras para instalar parques fotovoltaicos. Esta iniciativa gerou resistência entre pequenos agricultores locais, que temem pela perda de seus meios de subsistência e pela alteração da paisagem tradicional. Os residentes expressam preocupações sobre especulação fundiária e impactos negativos na economia e cultura locais. Na Galiza, a Greenalia é criticada por seu impacto ambiental em projetos de biomassa e eólicos. A fábrica de biomassa de Teixeiro foi denunciada por ambientalistas devido ao uso intensivo de eucalipto, que pode prejudicar as florestas nativas, e polo grande volume de transporte de biomassa, que afeta a infraestrutura local. A aprovação desses projetos foi facilitada por laços políticos, incluindo a nomeação de Beatriz Mato, ex-conselheira de Meio Ambiente da Galiza no governo de Nuñez Feijió, integra a diretoria da empresa, o que levantou nídias suspeitas de conflitos de interesse. Além disso, a estrutura empresarial de Greenalia está ligada a figuras proeminentes da oligarquia galega como José María Castellano, Pablo Castellano, Antonio Fernández-Montells e o porfilhado de Fraga exconselheiro de industria, exchefe da Autoridade Portuaria da Corunha e do Depor, Antonio Couceiro.
Após a chegada da Altri à Galiza, a multinacional portuguesa especializada na produção de celulose, tem gerado debates significativos sobre o impacto ambiental e econômico da empresa no país. A Altri associou-se à Greenalia em Greenfiber , uma união de interesses para parir o projeto de construção de uma planta de biofibras em Palas de Rei, que promete transformar a economia loca, tirando partido da política de “laissez-faire” e a determinar de forma irreversível não só o sector agroflorestal, mas também qualquer diversificação sustentável do mundo rural. Essa combinação de críticas locais e internacionais destaca os desafios que Greenalia enfrenta ao tentar conciliar seus objetivos de expansão com as demandas ambientais e as críticas de grupos galegos. Estas iniciativas destacam as tensões entre o desenvolvimento industrial e a preservação ambiental e das economias locais, suscitando debates sobre modelos de desenvolvimento sustentável e a influência de grandes corporações nas decisões políticas e econômicas.
Oposição a um projeto Greenalia no rio Devils, no Texas
Nos Estados Unidos, a Greenalia tem expandido sua presença, adquirindo grandes projetos de energia solar e eólica no Texas. Aproveitando que Lei de Proteção de Infraestrutura do estado da Estrela Solitária, em 2021 proíbe o acesso de entidades da China, Rússia, Irã e Coreia do Norte à infraestrutura crítica do Texas, está permitindo que o projeto prossiga se o imóvel for transmitido junto com os direitos de desenvolvimento para a Greenalia. A GHA, controlada polo empresario de Xinjiang, Sun Guangxin, atualmente possui mais de 52.6091 hectares no condado com planos para mais desenvolvimentos eólicos e solares.Após a aquisição, a empresa pretende iniciar a construção de um projeto solar fotovoltaico de 670 MW no Texas.
“Nossa reunião com a Greenalia foi educada e produtiva, mas traçamos a linha dura de que sob nenhuma circunstância os proprietários de terras, cidadãos e visitantes do condado de Val Verde defenderão o desenvolvimento eólico”, disse James King,membro da LPLG. “Para nossa surpresa, Greenalia sabia moi pouco sobre o significado ecológico de Devils e Pecos nem sobre as características da paisagem do norte do condado de Val Verde, mas, mais importante, eles não sabiam nada sobre a oposição dos proprietários de terras. Eles estão fazendo a devida diligência na compra de terras e foram receptivos a aprender, conhecer e entender por que o desenvolvimento eólico aqui não é compatível. Isso consumirá nossa paisagem especial intacta de Pecos-Devils “.
Carta de Oposição ao Desenvolvimento do Parque Eólico de Greenalia nas beiras do rio Devil também não é moi tranquilizador desde a perspetiva galega. A região, que inclui áreas preservadas próximas aos rios Devils (que moitos consideram o último rio intocado do Texas.) e Pecos, é conhecida por sua biodiversidade e valor ecológico. Organizações como a Devils River Conservancy e o Lower Pecos Landowner Group expressaram preocupações sobre o impacto ambiental do projeto, alegando que as turbinas de 700 pés (cerca de 213 metros) prejudicariam a paisagem e a vida selvagem, incluindo rotas migratórias de morcegos e borboletas monarcas. Além disso, a área contém sítios arqueológicos importantes, como pinturas rupestres, que poderiam ser danificados pelo desenvolvimento. Além das questões ambientais e de segurança, dous ranchos locais processaram a Electric Reliability Council of Texas (ERCOT) e Greenalia, alegando violação da Lei de Proteção de Infraestrutura Lone Star, que impede entidades de certos países de controlar infraestruturas críticas no Texas.
O CEO da Greenalia, Manuel García, dixo para NS Energy: “O forte compromisso e impulso da administração dos EUA para as energias renováveis abriu uma janela atraente que devemos aproveitar.Com esta decisão estratégica, a empresa diversifica seu risco por meio de sua presença em dous continentes e, ao mesmo tempo, aumenta sua estabilidade e segurança para atingir os objetivos estabelecidos em nosso Plano Estratégico.” Diante dessas controvérsias e desafios legais, não há evidências de que o projeto tenha avançado para a fase de construção ou operação. Portanto, até o momento, o parque eólico Blue Hills não foi desenvolvido.
Impacto Ambiental
A plataforma local “Ulloa Viva” e grupos ambientalistas têm criticado duramente o projeto, argumentando que ele agravará o problema do eucalipto, uma monocultura que já é considerada uma das maiores ameaças à biodiversidade galega. Além disso, há suspeitas de exagero nas promessas de geração de empregos, com estimativas inflacionadas variando de 1.000 a 2.500 postos de trabalho, quando os críticos acreditam que o número real será bem menor. Um dos principais pontos de crítica em relação à Altri na Galiza é o possível impacto negativo em ecossistemas locais. Ambientalistas apontam que a planta de biofibras exigirá um grande volume de madeira, o que pode incentivar a expansão de plantações de eucalipto, uma espécie que já é vista como invasiva e prejudicial às florestas nativas do país. A dependência de monoculturas de eucalipto, que têm altos níveis de consumo de água e são vulneráveis a incêndios, é uma preocupação central. Há também o risco de sobrecarga hídrica no país, já que a produção de biofibras requer grande quantidade de água. O projeto prevê o consumo anual de 1,2 milhões de toneladas de eucalipto e o uso diário de 46.000 metros cúbicos de água, o que já levanta preocupações sérias entre ambientalistas e comunidades locais sobre a sustentabilidade do empreendimento. Além disso, a fábrica deverá liberar 30.000 metros cúbicos de efluentes no rio Ulla, levantando temores sobre a contaminação da água usada por vários municípios do país.
Impacto Econômico
Por outro lado, a Altri e suas parceiras locais, como a Greenalia, prometem gerar empregos e estimular o desenvolvimento industrial na Galiza. O projeto de biofibras é visto como uma forma de diversificar a economia do país, tradicionalmente baseada na agricultura e silvicultura, e criar uma nova cadeia produtiva em torno de materiais sustentáveis
Críticas Sociais
Além das questões ambientais, há críticas sobre a utilização de fundos públicos, como os do Next Generation EU, para financiar um projeto que, para muitos, não é tão “verde” quanto o proposto. Os críticos afirmam que o projeto pode prejudicar a sustentabilidade a longo prazo da Galiza ao priorizar o crescimento econômico extractivo em detrimento de um outro baseado na sustentabilidade e no que querem as pessoas que lá vivem.O impacto da Altri na Galiza, portanto, é multifacetado, gerando expectativas de desenvolvimento econômico a um custo que pode tornar irreversivel o desenvolvimento equlibrado de todo um pais, mas também levantando preocupações ambientais sérias que continuarão a ser debatidas à medida que o projeto avança.
O projeto de Altri tem implicações políticas significativas. A Xunta da Galiza declarou a fábrica como um projeto estratégico, o que facilita o acesso a fundos públicos, mas a dependência de tais financiamentos europeus, como os do programa Next Generation, tem levantado dúvidas sobre a viabilidade do projeto e os verdadeiros benefícios econômicos que ele traria para a Galiza. Mostrando de uma forma que podemos qualificar como patética, a tentativa de Rueda e da sua administração de tentar instrumentalizar uma indústria de enclave como o projeto da Altri e da Geeenalia em Palas de Rei para o seu projeto político neoliberal cuja matriz colonial de poder está ao serviço dos interesses do PP e de grandes sectores do PPsoe e do seu entorno (o exministro Pepe-Blanco). A questão que deveríamos colocar aqui, no entanto, é se a sociedade quer, num futuro condicionado pola mudança do clima teimar em empurrar ainda mais todo o territorio galego ao do desastre ecológico irreparável ou, em qualquer caso, polas mãos de um empresário privado que tem nas suas mãos os destinos de mais do que alguns sectores estratégicos para o país. Instalado numa visão de mundo ultraliberal, em que liberdade significa regulação e controle estatal mínimos, mas com subsídios e ajudas às suas empresas que nem sequer se envergonha de facilitar a entrada na sua empresa de políticas sem escrúpulos e nula ética, como é o caso de Beatriz Mato É lógico que haja preocupação sobre como influenciará as eleições galegas e os concelhos em que tem interesses, quer dizer, o país de norte para sul.
O caso da Greenalia é interessante porque, ao contrário do padrão clássico de colonialismo interno no Estado espanhol – onde a Galiza geralmente ocupa o papel de território subordinado –, vemos agora uma agência galega reproduzindo dinâmicas coloniais em outros territórios, especialmente na Andaluzia.O projeto de celulose em Palas de Rei reproduz uma lógica de extrativismo neocolonial sobre os recursos naturais galegos, com implicações ambientais severas. O alto consumo de água e a ameaça ecológica indicam uma relação típica de colonialismo interno, onde um setor econômico privilegiado explora o território sem redistribuir os benefícios para a população local. Essa relação é mediada pelo apoio da Xunta de Galicia, o que evidencia a cumplicidade das elites políticas galegas com o modelo extrativista.O discurso “verde” da empresa esconde uma reconfiguração das dinâmicas coloniais, onde energias renováveis são implantadas sem consulta democrática às populações afetadas, num esquema de neocolonialismo ecológico. A substituição da produção agrícola tradicional galega e andaluza pela produção de energia para o mercado global reforça a dependência periférica da região e a perda de autonomia produtiva local.A presença de figuras como Beatriz Mato, ex-conselleira de Meio Ambiente da Xunta, na direção da Greenalia, evidencia como as elites políticas galegas não operam como resistência ao colonialismo interno, mas como agentes da sua reprodução em que uma fração da elite galega age em conivência com os mecanismos do capitalismo global. A análise decolonial deste caso sugere que, para que a Galiza supere sua condição periférica, não basta disputar poder dentro do Estado espanhol – é necessário romper com a lógica extrativista e colonial que permeia seu próprio desenvolvimento econômico, evitando que se torne, por sua vez, um agente de colonialismo interno sobre outras periferias, mesmo quando fazem parte do fulcro territorial do neoliberalismo global. A resistência das comunidades afetadas pelo projeto do rio Devils deve servir como um alerta para os movimentos ecológicos e sociais galegos: a luta pela soberania territorial e pela justiça climática não pode ser seletiva. O combate à exploração da Galiza pelos lobbys interntos e o Estado espanhol precisa estar alinhado à recusa de que uma elite galega reproduza essa mesma exploração em outros lugares do mundo.
Greenalia. (2022, novembro 23). Greenalia expands its US presence with 303 MW Blue Hills onshore wind project in Texas. Greenalia. Recuperado em 30 de janeiro de 2025, de https://greenalia.es/en/articles/greenalia-expands-its-us-presence-with-303-mw-blue-hills-onshore-wind-project-in-texas/
Houston Chronicle. (2024, janeiro 25). West Texas ranchers sue ERCOT, wind farm over Chinese ownership ties. Houston Chronicle. Recuperado em 30 de janeiro de 2025, de https://www.houstonchronicle.com/business/energy/article/west-texas-ranchers-sue-ercot-wind-farm-chinese-18081528.php
Houston Chronicle. (2024, janeiro 25). Texas ranchers continue legal battle over Greenalia’s wind project near Devils River. Houston Chronicle. Recuperado em 30 de janeiro de 2025, de https://www.houstonchronicle.com/business/energy/article/west-texas-ranchers-sue-ercot-wind-farm-chinese-18081528.php






























































