A editorial de referência galega Kalandraka desvincula-se do Premio Internacional Cidade de Orihuela de Poesía para Nenas e Nenos após a decisão do governo local de aceitar o pedido de anulação das sentenças que condenaram Miguel Hernández a morte.
O comunicado denuncia a recusa deste concelho em rejeitar o pedido da família de Miguel Hernández para anular o processo sumário que o condenou à morte. Na sequência da sessão plenária da Câmara Municipal de 26 de setembro, a editora considerou que não estão reunidas as condições para continuar a sua colaboração com esta Câmara Municipal, por respeito absoluto pola figura do ilustre poeta e polo seu legado humano, intelectual e moral.

Obras como “Viento del pueblo” (1936-1937), “El hombre acecha” (1937-1939) ou “Cancionero y romancero de ausencias” (1938-1941) representam o compromisso político de Miguel Hernández com a causa republicana desde as trincheiras da frente e a defesa dos mais fracos através da palavra e da poesia. Dissociar a sua obra do contexto histórico em que viveu e das ideias polas quais perdeu a vida é desvirtuar a sua literatura e trair a memória do autor.
Desde 2008 que a Kalandraka participa no Prémio Orihuela, organizado polo Departamento de Educação, publicando as obras vencedoras e projectando-as no mercado nacional e internacional. A resolução do recente plenário, com os votos do PP e do VOX, foi um ponto de viragem que fracturou a relação entre a editora e o Consistório: perante a recusa do governo local à justa reparação histórica que Miguel Hernández merece, e enquanto não houver uma retificação da decisão do plenário, a Kalandraka desvincula-se deste concurso.
https://x.com/KalandrakaEdit/status/1841469377046028346
















