A Audiência Nacional espanhola tem evidências duma busca massiva sem autorização judicial entre 2015 e 2016.
No final de dezembro de 2015, o Podemos ganhou representação no Congresso pola primeira vez, depois de obter 69 deputados nas primeiras eleições gerais na que concorria. Uma irrupção que preocupou o governo do popular Mariano Rajoy, que sem nenhum juiz pedindo para isso realizou uma busca massiva em bancos de dados policiais para investigar diferentes aspectos da vida dos novos parlamentares. Segundo o El País, o Tribunal Nacional (AN) já tem à sua disposição as provas documentais desta alegada espionagem. A Unidade de Assuntos Internos da Polícia Nacional enviou-os ao juiz da Polícia Nacional, Santiago Pedraz, que está a investigar esta operação de rastreio alegadamente ilegal na sequência duma queixa apresentada por Podemos na que denunciou ter sido vítima das manobras do Ministério de Interior liderado polo PP, revela um histórico de buscas entre 2015 e 2016 por membros da candidatura como Pablo Iglesias, Yolanda Díaz, Ione Belarra e Irene Montero.
No caso do então líder do partido, Pablo Iglesias, foram realizadas 121 buscas nele em vários bancos de dados policiais entre 7 de janeiro de 2015 e 29 de dezembro de 2016 polo menos 39 usuários buscaram informações e entre as palavras de busca estão albergues, joias e viagens aéreas e de barco. A agora segunda vice-presidente do governo espanhol, Yolanda Díaz, foi procurada cerca de 400 vezes; a atual líder do Podemos, Ione Belarra, cerca de dez, e a ex-ministra da Igualdade Irene Montero, cerca de trinta.
Nas conversas de mensagens também publicadas polo El País entre o antigo número dois do Interior, Francisco Martínez, e o comissário-chefe da Unidade Central de Apoio Operacional, Enrique García Castaño, confirma-se o desejo de procurar dados que ponham em causa a reputação dos novos deputados da formação à esquerda do PSOE. Numa conversa em 30 de janeiro de 2016, Martínez afirma que “seria muito interessante saber” se eles têm antecedentes e “se estiveram em abertzal, extremismo violento, etc”. García Castaño já o advertiu então que estas buscas deixariam um “rasto”, que foi precisamente o que a Polícia Nacional enviou anos mais tarde ao magistrado da Audiència Nacional que está a investigar.









