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Metade da população de Gaza em risco de morrer de fame, alerta ONU

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Enquanto o ministro da Defesa israelita ameaça fazer regressar o Líbano à “idade da pedra” em caso de guerra com o Hezbollah durante uma visita aos Estados Unidos e inspiradas em outras feitas no passado, mais de metade dos habitantes de Gaza enfrentam “fome e morte”, afirmam a FAO e o PAM. Segundo o relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa Alimentar Mundial (PAM). até 1,1 milhões de pessoas, metade da população de Gaza, correm o risco de morrer de fome no próximo mês. Este cenário crítico é atribuído ao “impacto devastador do conflito em curso”, às “restrições de acesso e aos produtos” e ao “colapso dos sistemas agroalimentares locais”. O “conflito em curso” não é mais do que o planeamento do genocídio da população de Gaza. Nem a FAO nem o PAM estão isentas de utilizar eufemismos pròprios da equidistância opressiva.

A FAO e o PAM sublinham que a cessação das hostilidades é essencial para evitar que a situação se agrave ainda mais.  Metade da população de Gaza corre o risco iminente de enfrentar a “morte e a fome” até Julho, O documento, que destaca a crise humanitária na região, revela que o norte da Faixa de Gaza pode já estar a enfrentar uma situação de fome, alerta a Rede de Sistemas de Alerta Antecipado de Fome (FEWS NET). Este mapa ilustra as alterações detetadas por satélite nas áreas agrícolas da Faixa de Gaza resultantes do declínio da saúde e da densidade das culturas devido ao genocídio em curso:

O comitê especial da ONU para investigar as práticas genocídas israelenses nos territórios ocupados ficou chocado com o “comportamento deshumanizador” dos soldados israelenses contra os detidos palestinos. O comitê também expressou preocupação com a “destruição sistemática e completa” do sistema de saúde na Faixa de Gaza. No mesmo dia, em uma reunião do Conselho de Segurança, Tor Wennesland, coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, alertou que a contínua expansão dos assentamentos israelenses e a intensificação da violência na Cisjordânia ocupada exacerbam as tensões em toda a região, enquanto expressam “sérias preocupações sobre o risco de escalada entre Israel e o Hezbollah” ao longo da fronteira com o Líbano.

Uma em cada duas pessoas que vivem na Faixa de Gaza, mais de 1,1 milhão de habitantes de Gaza, está passando por uma situação catastrófica de alimentos, especialmente no norte, onde a fome ocorrerá até maio, na ausência de medidas “urgentes”, alertaram novamente agências especializadas das Nações Unidas na segunda-feira, 18 de março. Este é “o maior número já registrado”, adverte as Nações Unidas, que se baseia no relatório do quadro de classificação Integrada de Classificação de Segurança Alimentar (IFC) publicado em 18 de março. As consequências já são visíveis: “Os moradores de Gaza estão famentos”, alertou a diretora executiva da U.S.A., Cindy McCain, em um comunicado.

O PMA estima que uma em cada três crianças no norte do país sofre de desnutrição e que “a desnutrição aguda entre crianças menores de cinco anos de idade está crescendo a um ritmo recorde”. Uma descoberta confirmada por Hiba Tibi, diretor da ONG CARE na Cisjordânia e em Gaza, que aponta que “funcionários médicos veem as crianças se perdendo à medida que passam nos dias, crianças que mal conseguem falar e andar por causa da fome”. “A comunidade internacional deveria ter vergonha de não conseguir parar” a fome iminente, o chefe de assuntos humanitários da ONU, Martin Griffiths, ficou indignado com X.

A situação no sul de Gaza está também a deteriorar-se, especialmente devido aos impactos da ofensiva israelita em Rafah. O relatório alerta que esta área poderá enfrentar uma “catástrofe” alimentar se houver uma “interrupção sustentada e em grande escala” da ajuda alimentar. De acordo com a análise de imagens de satélite, a UNOSAT identificou aproximadamente 1.100 km de estradas destruídas, 350 km de estradas severamente afetadas e 1.470 km de estradas moderadamente afetadas. A partir destas estatísticas, calcula-se que cerca de 65% da rede rodoviária total foi danificada (incluindo estradas destruídas e afetadas) em toda a Faixa de Gaza.

Apesar das provas preocupantes, a declaração formal de uma situação de fome polo Comité de Avaliação da Fome enfrenta desafios significativos. A invasão militar israelita e os bombardeamentos em curso, que começaram em Outubro do ano passado, dificultam a recolha dos dados necessários para confirmar oficialmente a fome na região. Os relatórios da FAO, do PAM e da FEWS NET convergem num ponto crucial: a necessidade urgente de pôr fim às hostilidades e de garantir o acesso seguro e contínuo à ajuda alimentar. Sem uma alteração significativa das condições actuais, o impacto na mortalidade e na qualidade de vida dos palestinianos em Gaza, agora e nas gerações vindouras, será devastador. A comunidade internacional é chamada a responder com urgência e determinação para evitar uma catástrofe humanitária ainda maior em Gaza.

De acordo com o relatório, o impacto dos assimétricos “conflitos” bélicos no crescimento económico e as tensões geopolíticas no Médio Oriente e no Norte de África representam riscos significativos para a economia global. Prevê-se que Myanmar (antiga Birmânia), a Síria, o Líbano e o Iémen sejam motivo de grande preocupação devido à intensificação do cerco neocolonial, o que poderá levar a mais deslocações e a restrições no acesso a alimentos e à assistência humanitária.  O impacto das guerras saqueadoras de fasquia imperial  no crescimento económico e as tensões geopolíticas no Médio Oriente e no Norte de África representam riscos significativos para a humanidade, o meio ambiente, as  economias locais  e suas repercussões  na economia global.

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