Mais umas Letras Galegas numa língua sem proteção institucional que garanta direitos e atalhe o seu desaparecimento geracional cortando de raíz a sua deturpação através da sua ligação nutrícia com a lingua galego-portuguesa. Como no bairro do Papagaio do poema de Luísa Villalta, esta arquitetura da nossa palavra ameaça ruína e queda. Sim, mais um ano de Letras Galegas para nos contentarmos apenas com cascalhos e anacos de quem teve a rebeldia suficiente para não ficar caladinha e viver, escrever e sonhar em galego. Deixem o papagaio falar!

Luísa Villalta é a protagonista da literatura galega neste ano de 2024 e a Corunha partilhará parte desse protagonismo, cidade natal da autora homenageada no Día das Letras. Os principais eventos do dia 17 de maio terão lugar na Corunha, onde a poeta nasceu e viveu e à qual dedicou moitos dos seus textos. Será uma sessão plenária pública extraordinária com a participação de Ana Romaní, Margarita Ledo e Manuel Rivas.
A Real Academia Galega apresentou as principais iniciativas que serão desenvolvidas em torno do Dia das Letras Galegas, incluindo uma série documental que poderá ser vista a partir de março e vários conteúdos para dar a conhecer a poetisa aos jovens.
O Concerto de Letras Galegas 2024 de Luísa Villalta, organizado polo Conselho da Cultura Galega, em colaboração com o Concelho da Corunha, pode ser acompanhado em direto a partir das 20h30 deste dia 16 de maio na plataforma de conteúdos digitais CRTVG AGalega. A apresentação acontece no Teatro Colom da Corunha,

O Grupo Instrumental Siglo XX, dirigido por Florian Vlashi, e o baixo-barítono Daniel Mosquera apresentarão a estreia absoluta do Concerto para un hom só para baixo-barítono, violino e grupo instrumental, obra original do compositor Federico Mosquera e texto de Luísa Villalta
Bibliografia de e sobre Luisa Villalta
A Plataforma Queremos Galego reivindica neste Dia das Letras Galegas a plena implementação do Plano Geral de Normalização da Língua Galega (PXNLG)
Como o diagnóstico apontou pontos fortes como a “base social moi ampla de falantes” e pontos fracos como a “ausência quase total do galego nas escolas infantis” ou a “baixa eficácia” da “ajuda aos meios de comunicação privados para aumentar a utilização” do o idioma, o plano fixava objectivos gerais que mais tarde se repetiriam, também, mais no domínio vingativo, como “garantir a possibilidade de viver em galego a quem o desejar, sabendo que tem a protecção da lei e das instituições”. Já nessa altura o Plano alertava para elementos como o aumento “do número de pais que criam os filhos em espanhol” ou a “persistência da inércia não galegoizante nas classes altas”. Mas também a “má harmonia dos sectores económicos e empresariais” com os movimentos a favor do galego, que “os transmissores afectivos da língua são antigos”, o “uso ritual do galego por parte de alguns funcionários públicos” ou mesmo a “incoerência de certas entidades que celebram o Dia da Literatura Galega mas no resto do ano são indiferentes ou contra o uso da língua galega”.
Propunha, além do ensino, medidas concretas como condicionar os “subsídios à produção em galego” nos jornais “em troca de uma percentagem” de conteúdos na própria língua galega efectivamente publicados “e não a priori” ou várias linhas para “modernizar “a programação do CRTVG e buscar uma maior aproximação com a juventude.Além disso, o PXNLG delineou ações que ainda brotam ou se enraízam vinte anos depois, como a promoção do acesso em galego às produções audiovisuais internacionais. Ou também “melhorar a investigação em tradução automática, reconhecimento e síntese de voz.Apesar de transcrever literalmente o que estava estipulado no PXNLG, em 2010, Feijóo cumpriu sua promessa de revogar o decreto – que inicialmente também fora pactado com o PP -, reduziu a presença da língua própria nas aulas e vetou explicitamente em disciplinas como a matemática, e falando de “imposição” da lingua de nosso.















