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Cedeira, Mar e Pesca, Meio ambiente — 1 Abril, 2024 at 9:49 a.m.

A Madalena: o quebra-mar não é a solução

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De acordo com a “síndrome da linha de base móvel” (shifting base line sindrome-Pauly 1995), as gerações actuais consideram que a situação atual é natural, quando a realidade é que a paisagem está profundamente alterada há várias gerações. Pensamos, portanto, que não estamos a alterar quase nada, mas que estaríamos a acrescentar mais deterioração a um ambiente já moi deteriorado. O problema é causado polo homem e parar a erosão criaria outra erosão com consequências imprevisíveis, aumentaria o risco de degradação das zonas naturais próximas (moi valiosas), diminuiria a biodiversidade local, degradaria o equilíbrio ecológico marinho local, alteraria a paisagem e aumentaria o risco de degradação pola urbanização. A elevada ocupação construtiva da zona da Madalena durante os anos 70, 80 e 90 e ainda já bem entrado o s.XXI para a construção dos edifícios da Praza Roxa, escola, passeios e aparcadoiros asfaltados e hotéis da primeira linha de San Isidro, gera hoje moitas externalidades que não estavam previstas ou que não foram tidas em conta. Este contexto é reduzido a outras decisões com intenções paliativas mas contraproducentes (dragado, movimentação de areia com maquinaria pesada  e entullhado) gerando uma situação territorial complexa. O planeamento urbano nestas situações exige, mais do que nunca, uma gestão bem planeada e global, desafiando o imediatismo a que nos conduz este sistema económico de sol e praia e adoptando medidas de longo prazo, se quisermos repensar o litoral e avançar para um praia e ria ambiental e socialmente sustentável.

O espigão exterior, passeios marítimos consolidados e impermeabilizados, a artificialização dos regatos e da primeira linha da costa  e a ocupação urbana desproporcionada e não planeada, somados à crescente artificialização do contorno dunar, aumentarão o impacto ambiental e económico de cada temporal e marés vivas. A vegetação costeira e os sistemas húmidos (as regas ) e dunares que caracterizam uma praia natural foram modificados, em algumas zonas, completamente modificados ou  erradicados, enquanto as terras agrícolas desapareceram. A impermeabilização da praia obrigou, como em moitas outras zonas costeiras, a canalizar os colectores de águas pluviais nas ruas para evitar inundações, evitando assim o aporte de sedimentos para o e para as pequenas ribeiras costeiras. Esta rápida urbanização da zona levou também a um aumento da necessidade de infra-estruturas de mobilidade, tais como estradas ou caminhos asfaltados, o que ao mesmo tempo consolida o alto custo  ambiental dos modelos urbanos dispersos.

Ao modificar a dinâmica do mar, a construção deste quebra-mar, embora anule a erosão do mar de um lado, aumenta a erosão do outroao falitar o canleamento das marés no Condominhas, como se pode ver numa vista aérea  que seria um “quebra-mar” natural. Por outras palavras, a eliminação de um problema criado polo homem traria consigo, uma vez mais, outro problema que teria de ser resolvido no futuro. Para “corrigir”  os problemas e a degradação que a praia da Madalena tem sofrido desde o final do década de noventa, será construído um quebra-mar ou espigão de 77 metros que seica garantirá a estabilidade da linha da costa contra fenómenos erosivos.

O aumento do nível do mar, associada às mudanças climáticas envolvem um importante fator de risco, com taxas variando entre 25 cm e 1 m de regressão da praia para cada centímetro de altitude, conforme relatado no relatório de Climate Change 2007.Working Group II: Impacts, Adaptation and Vulnerability.

A construção do espigão ou quebra-mar na boca do rio é suscetível de trazer consigo também, uma destruição da biodiversidade que afectaria outras espécies marinhas para além das que vivem nos fundos arenosos da Madalena. Aparentemente inerte, o meio arenoso submarino é o habitat de numerosas espécies que influenciam direta ou indiretamente o resto das espécies marinhas.

A Madalena, 30/03/2024

Não é em vão que está incluído na Lista Padrão de Habitats Marinhos presentes em Espanha, elaborada polo Governo espanhol com o apoio e a colaboração de peritos científicos de diferentes Administrações e instituições públicas espanholas e publicada no sítio Web. Não esqueçamos que é um substrato ideal para a regeneração de fanerogâmicas marinhas. Nessa linha vai a estratégia para as mudanças climáticas de Costas, mas este estudo não a cumpre. Isto é  o que afirma o relatório publicado polo Ministério de Agricultura e Pesca em 2016, “Bases técnico-científicas para a Estratégia Estadual de Infraestrutura Verde e Conectividade e Restauração Ecológica”:

“Moitos habitats marinhos desapareceram, também devido à remoção direta ou degradação, como conseqüência de pressões contínuas e / ou sinérgicas.Nesse sentido, é preciso destacar a perda de áreas úmidas, drenadas e entupidas para ganhar espaço para o mar (Crain et al., 2009); a perda de milhares de hectares de prados de Posidonia oceanica; o sepultamento de recifes baixos e costas rochosas sob praias artificiais, ou a alteração da dinâmica sedimentar em consequência de quebra-mares, diques, portos e outras infraestruturas costeiras. Por outro lado, a pesca de arrasto (que é realizada de forma contínua e intensiva) provoca a destruição e alteração dos habitats dos fundos sedimentares da plataforma continental e parte da encosta (Pusceddu et al. 2005)”³

Um projeto com esquecimentos e deficências

Não há identificação correta dos impactos na área de extração de areia na Madalena: não há mapeamento de habitats ou espécies. O documento apresentado não trata disso com rigor suficiente, chama-lhe , ou seja, avaliar a incidência de processos costeiros na área em caso de não intervenção, sem fazer investimentos onerosos de resultados desconhecidos e provocar a alteração da costa e a detração de recursos econômicos importantes como os contemplados na alternativa selecionada.Se a construção do dique de provocou um acúmulo de areia na parte norte da praia (na vila), “inclinando”, como é que o vídeo de comparação com o voo americano já mostra exatamente o mesmo perfil? Nas antigas cartas da ria como a de Tofiño,  é perceptível. A chave da desfeita foi  a urbanização da praia. Que apenas conseguem disimular  que a propia administraçao alimentou o “beach squeeze” (são responsáveis de permitir essa selvageria numa praia enorme). Hoje é evidente que há externalidades que não se podem internalizar por moito eufemismo que empreguem. Mercantilizou-se a natureza, a contorna, e foi a propria administração quem assim agiu. Mas teimam em pór sobre a mesa a babecada do dique no rio. É inadmissível e só visa que a area deitada não acabe depositada no rio, ou seja, outra praia turística com data de validade, já que as causas não são estudadas nem por isso atalhadas.

O impacto paisagístico e desse dique também é mesmo brutal. Todo apunta  para irem mudando a vila num sanxenxiño do norte, perseguem e sabem disso, mas escondem o rabo (incluido o Concelho).Velaí o grande risco: contentar-se com acções que em vez de se deslocarem para o re-naturalização (rewilding) parecem estar a avançar no sentido contrário, ou seja, continuar a implementar obras que aumentem a ocupação das dunas e a artificialidade da orla marítima de Cedeira. A funcionalidade desse dique na contenção de galernas é mesmo nula. Abonda assistir ao vídeo enquanto a onda rompe na Praça do Peixe.

Como foi dito em agosto de 2021 não consideram variantes reais, por exemplo, a modificação do dique exterior, que na nossa opinião é a única maneira de amortecer a ondagem da ria. Antes não havia dique não havia problemas, mas não porque não havia dique, mas porque a praia não era urbanizada. Se não houvesse dique e com esta urbanizaçao , a devastação teria sido ainda maior. Ah, mas os redatores do estudo aí não entram!. A dinâmica costeira levou a um forte estreitamento da praia (compressão da praia) quando o processo regressivo atinge os edifícios. O o estreitamento da praia leva a uma redução na caminho do vento sobre a areia seca, de modo que se tornam moi estreitos para mobilizar os volumes de areia necessários. O transporte eólico é interrompido polo uso recreativo intensivo (cementada do paseo marítimo) e cada vez menos estacional, e pola peneiração frequente areia mecânica para garantir seu estado sanitário. Esses fatores figeram com que este areal o vento não consegue mais construir dunas, mesmo com a amplitude necessária.

Se não for corrigida, esta praia, classificada como praia urbana, perderá ao longo do tempo grande parte dos seus atributos naturais.E o pior de todo: foi catalogada integramente URBANA, malia explicar be desde estas pàginas que deberam ter defendido outra opçãon e ninguém fixo nada. Fai-se algo agora?

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