Mais um Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, em 8 de março – instituído pola Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975 –e a recorrente desigualdade entre homens e mulheres. Publicado desde 2006, o Relatório Global sobre a Disparidade de Género, publicado polo Fórum Económico Mundial, aponta que nenhuma sociedade dos 146 países que enviam informações para o Relatório conseguiu a paridade entre homens e mulheres.
Economia do Cuidado
As mulheres são responsáveis por mais de 75% do trabalho não remunerado.Segundo Forbes, se as mulheres recebessem um salário mínimo polas tarefas domésticas que realizam, teriam contribuído com US$ 10,9 trilhões para a economia global em 2020. .O trabalho de cuidado – com a casa, os filhos, idosos e outros familiares e pessoas doentes – é essencial para a manutenção da sociedade, mas não é remunerado e está distribuído de forma desproporcional, recaindo principalmente sobre as mulheres. Elas realizam mais de três quartos do trabalho de cuidado não remunerado no mundo – 12,5 bilhões de horas todos os dias, segundo a organização global contra as desigualdades Oxfam (Comitê de Oxford para o Alívio da Fome).

O Relatório baseia-se num indicador – o Índice Global de Desigualdade de Género – que é composto polas seguintes dimensões ou subindicadores: (a) empoderamento político; (b) participação e oportunidades económicas; (c) nível educacional e (d saúde e expectativa de vida. Segundo o Relatório, se se mantiverem as taxas de progresso observadas no período 2006-2023, com base na amostra de 102 países, é possível estimar o tempo necessário para cobrir as lacunas produzidas por essa desigualdade. No que diz respeito ao empoderamento político, serão necessários 162 anos; no que diz respeito à participação e às oportunidades económicas, serão necessários 169 anos; Serão necessários 16 anos para a igualdade a nível educativo; e para o alcance da igualdade no que diz respeito à saúde e à esperança de vida, o tempo permanece indefinido.
Dependendo destas dimensões, o indicador varia entre 0 e 1, onde 1 seria a plena igualdade entre homens e mulheres. Por exemplo, temos a Islândia, com índice de 0,192, ocupando o primeiro lugar do ranking, e o Afeganistão, com índice de 0,405, ocupando o 146º lugar e a Espanha o 18º. Em termos da percentagem de mulheres em cargos ministeriais em cargos ministeriais, 11 dos 146 países, liderados pola Albânia, Finlândia e Espanha, têm 50% ou mais de ministras mulheres. No entanto, 75 países têm 20% ou menos de mulheres ministras. Além disso, países populosos como a Índia, a Turquia e a China têm menos de 7% de ministras mulheres e países como Azerbaijão, a Arábia Saudita e o Líbano não têm nenhuma.
Segundo as Classificações do Índice Global de Disparidade de Género de 2023, Espanha ocupa o posto 18º e na Europa o 12º.Porém, se nos concentrarmos no nível de Escolaridade, o estado espanhol recua para o posto 39º e em Participação económica e oportunidades para o 48º e um inesperado 98º Saúde e sobrevivência.
Se desglossamos o índice de Participação económica e oportunidades, o indicador de Igualdade salarial para trabalho semelhante, passa a ser 64º. Que cai para o 82º na presença de mullheres em cargos de legisladores, funcionárias públicas superiores apesar de encabeçar a lista dos países com presença de mulheres profissionais e técnicas, o que contrasta com a taxa de alfabetização que recua para o posto 76º, que mostra a desigualdade social que existe de facto. Outro contraste interessante é o facto de, apesar de fazer parte do pequeno grupo de países que têm 50% ou mais de mulheres ministras, estar classificado em 80º lugar entre os países que têm chefes de Estado do sexo feminino e masculino (últimos 50).
Nos países com maior igualdade de gênero, a disparidade diminui, mas ainda existe – na Noruega e na Suécia, as mulheres completam, respectivamente, 42 e 50 minutos a mais de trabalho não remunerado por dia do que os homens. No outro extremo, no Egito, as mulheres têm 5,4 horas de trabalho não remunerado diariamente, enquanto os homens têm apenas 35 minutos. Porém, segundo o Relatório Women, Business and the Law (WBL) do Banco Mundial
- Cerca de 2,4 bilhões de mulheres em todo o mundo não têm os mesmos direitos econômicos que os homens.
- 178 países mantêm barreiras legais que impedem a participação econômica plena das mulheres.
- Em 86 países, as mulheres enfrentam alguma forma de restrição ao mercado de trabalho.
- 95 países não garantem a remuneração igualitária para trabalhos de igual valor.
- As mulheres ainda têm apenas três quartos dos direitos legais concedidos aos homens.
- 23 países promoveram reformas legais em 2021, avançando na inclusão econômica das mulheres
Índice Better Life da OCDE
Segundo a OCDE o tempo gasto em trabalho não remunerado inclui tarefas domésticas rotineiras; compras; cuidar dos membros da família; cuidados infantis; cuidado de adultos; cuidar de membros não familiares; voluntariado; viagens relacionadas com atividades domésticas; outras atividades não remuneradas.
O tempo gasto em trabalho remunerado ou atividades de aprendizagem inclui: trabalho remunerado (todos os empregos); procura de emprego; frequência de aulas em todos os níveis de ensino (pré-primário, primário, secundário, técnico e profissional, ensino superior, extra ou extra); pesquisa/lição de casa; viagens de ida e volta para o trabalho/estudo; outro trabalho remunerado ou atividades relacionadas ao estudo.
- Apenas 12 países, todos integrantes da OCDE, alcançaram a igualdade de gênero nos termos da lei.
- Na Espanha, cerca de 56% das pessoas com idades entre 15 e 64 anos têm emprego remunerado, abaixo da média da OCDE de 65%.
- Aproximadamente 61% dos homens têm um emprego remunerado, comparado a 51% das mulhere
A persistente divisão social do trabalho e as disparidades educativas e salariais
No relatório anterior nenhum dado fornecido da proporção de tempo gasto em atividades domésticas não remuneradas e trabalho de cuidado. Segundo a OCDE, as disparidades salariais entre homens e mulheres são um problema conhecido em muitos países, incluindo a Galiza e a Espanha.De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Espanha e outras fontes, as mulheres tendem a ganhar menos do que os homens por realizarem trabalhos semelhantes. Esta disparidade salarial pode dever-se a uma série de factores, como a discriminação de género, a segregação profissional e a falta de políticas de emprego equitativas.
- Tempo gasto em trabalho não remunerado, por sexo, segundo a OECD: o último ano os homens adicam 145,9 minutos por dia em comparação com 289,1 minutos gastos polas mulheres, ou seja, o dobro.As proporções quase se invertem se nos centrarmos no tempo gasto em trabalho remunerado, por género: 236,2 minutos frente a 166,8.Em relação ao total de tempo gasto no trabalho, por sexo,









