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Israel atira contra multidão que tentava recolher alimentos em Gaza

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O massacre deixou polo menos 112 mortos e 760 feridos no mesmo dia que ultrapassou 30.000 mortos em cinco meses de guerra na Faixa. Estes eventos ocorreram no mesmo dia em que o número de mortos na ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza ultrapassou os 30.000, de acordo com a contagem do Ministério da Saúde de Gaza na manhã de hoje. Um total de 30.035 palestinos perderam a vida e 70.457 ficaram feridos em Gaza desde 7 de outubro de 202, levando à atual ofensiva militar devastadora de Israel na Faixa.

Alomenos 112 pessoas morreram e outras 760 ficaram feridas após um ataque deliberado israelense a um ponto de coleta de ajuda humanitária no norte da Faixa de Gaza, informou o Hamas. Conforme relatado polo Ministério da Saúde da Faixa, como visto no vídeo do exército israelense, centenas de pessoas estavam no local tentando obter comida.

Os militares israelenses reconheceram ter atacado um grupo de pessoas no meio de uma multidão que, segundo eles, representava uma “ameaça” à distribuição de alimentos. De acordo com a versão das IDF, o grande número de mortos e feridos teria sido causado por uma enxurrada de pessoas tentando se proteger do fogo. Avi Hyman, porta-voz do governo de Netanyahu, disse: “Os caminhões ficaram sobrecarregados e os motoristas, que eram civis de Gaza, colidiram com a multidão, matando dezenas”.O bloqueio de Israel à entrada de ajuda humanitária em quase cinco meses de guerra está produzindo uma crise de fome generalizada. É provável que o número de mortos aumente, dado que os hospitais de Gaza foram praticamente inutilizados polos ataques israelenses durante esses meses de guerra.O ataque foi premeditado e intencional, no contexto de genocídio e limpeza étnica do povo da Faixa de Gaza. O exército de ocupação sabia que essas vítimas tinham vindo para esta área para obter comida e ajuda, mas as matou a sangue frio”, disse o governo de Gaza. Por sua vez, em um comunicado, o Hamas alertou que este incidente pode atrapalhar as negociações que nas últimas horas apontaram para uma trégua e a libertação de reféns.

O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, disse na quinta-feira que todas as partes do conflito cometeram crimes de guerra, pediu investigações e que os responsáveis sejam responsabilizados. “Todas as partes cometeram violações claras das leis humanitárias e de direitos humanos internacionais, incluindo crimes de guerra e possivelmente outros crimes sob o direito internacional”, disse Turk ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra. “Está na hora, já passamos, de fato, paz, investigação e responsabilidade”, disse, citado pela Reuters.

O massacre provocou uma reação imediata da Casa Branca, que na tarde de quinta-feira divulgou um comunicado resumindo a conversa entre o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden(que  encobre a verdade sobre os territórios palestinianos ocupados e que veta as resoluções da ONU para um cessar-fogo e nega as provas do “genocídio plausível” polo qual Israel é denunciado como réu perante o Tribunal de Haia) e o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al Thani. Além de lamentar o novo massacre, ambos “enfatizaram a urgência de fechar as negociações [de paz] o mais rápido possível e expandir o fluxo de ajuda humanitária para Gaza”. Como de costume, Washington também enfatizou a necessidade de libertar imediatamente os reféns ainda detidos polo Hamas, o que, segundo os dois líderes, resultaria em um “cessar-fogo imediato e sustentado em Gaza por um período de polo menos seis semanas”.

No mês passado, o Tribunal Penal Internacional de Haia ordenou que Israel evitasse atos de genocídio contra palestinos e fizesse mais para ajudar os civis, embora não tenha imposto um cessar-fogo como medida de precaução. O representante da ONU alertou que um ataque militar israelense a Rafah violaria este mandato do tribunal de Haia.

Mesmo neste caso, a catástrofe humanitária já é totalmente inevitável, dada a desnutrição e a falta de água sofridas por centenas de milhares de pessoas, especialmente no norte, muitas delas crianças. O porta-voz da ONU, James Elder, disse à BBC esta tarde: “Estimamos que nove em cada 10 crianças com menos de cinco anos tiveram uma doença nas últimas duas semanas”. Gaza enfrenta uma situação humanitária desesperadora após quase cinco meses de guerra, em que o exército israelense lançou 30.000 bombas em território de 42 km de comprimento por 10 km de largura, onde vivem 2,4 milhões de pessoas. Segundo a ONU, a maioria da população de Gaza está em risco de fome, especialmente no norte, onde não há ajuda humanitária. De acordo com a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA), apenas 2.300 caminhões com ajuda humanitária entraram na faixa em fevereiro deste mês, menos da metade do que em janeiro.

Crise de fome

Testemunhas recolhidas pola Al Jazeera e pola AFP dizem que pessoas famintas atacaram os caminhões para conseguir comida e que eles se aproximaram moito de um grupo de tanques, que então teriam disparado contra civis. De acordo com a versão das IDF, o grande número de mortos e feridos teria sido causado por uma enxurrada de pessoas tentando se proteger do fogo. Avi Hyman, porta-voz do governo de Netanyahu, disse: “Os caminhões ficaram sobrecarregados e os motoristas, que eram civis de Gaza, colidiram com a multidão, matando dezenas”.

Os palestinianos têm o direito absoluto de se defenderem contra o poder ocupante e esmagador da máquina militar israelita. Resolução 37/43 das Nações Unidas  , de dezembro de 1982,

“reafirma a legitimidade da loita dos povos pela independência e pela integridade territorial e apoia a loita armada dos povos que procuram a autodeterminação sob a dominação colonial e estrangeira.”

Além disso, o preâmbulo desta resolução deixa explícito que isto se refere diretamente à situação no Médio Oriente:

“Considerando que a negação dos direitos inalienáveis ​​do povo palestino à autodeterminação, soberania, independência e retorno à Palestina e os repetidos atos de agressão de Israel contra os povos da região constituem uma séria ameaça à paz e segurança internacionais.”

Nakba 73

A actual conflagração mostra todos os sinais da tragédia repetida de 2014, quando uma invasão terrestre israelita de Gaza matou 2.200 civis, incluindo 500 crianças. A natureza assimétrica deste conflito foi demonstrada de forma semelhante em 2018-19, quando centenas de palestinianos desarmados, civis e médicos foram mortos a tiro nos protestos da Grande Marcha do Retorno .

O povo da Palestina tem estado na linha da frente duma loita global contra as forças do imperialismo e do neoliberalismo durante décadas e merece o nosso total apoio face a um inimigo que sempre tivo como alvo os mais vulneráveis ​​com um desrespeito impiedoso pola vida humana.

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