Madrid é a Espanha dentro da Espanha e o resto é quintal. Ayuso veio aqui para fazer a única cousa que sabe fazer: distribuir tweets com total descaramento sempre que necessário. Como afirmar na Galiza que os velhos que não foram deslocados durante a pandemia iam morrer de todos os jeitos.Menos os que viviam numa residència ou tinham segurança privada. A presidenta de Madrid, num ato em Vigo gabou-se de priorizar o AVE Madri-Lisboa fronte o Galego-Português. Chamou-lhe baía a uma ria e achou que caminhar entre eucaliptos é algo super cool. Finalmente, apoiou Milei, presidente da Argentina que quer destruir os servizos públicos do seu pais e chimpar a pesca galega.
A resposta está no aumento do seu discurso racial e cultural inflamado, especialmente através das redes. O objetivo é manter os cidadãos num estado de tensão que os impeda de tomar uma decisão de voto racional. E fazê-los compreender que estão a ser protegidos de um perigo externo, sempre presente e mais terrível do que realmente vêem. Um inimigo às portas, permanente. Assim, a terciarização da economia, os cortes na saúde e na educação, a péssima gestão da crise do pellet, a política clientelista, a terciarização da economia, os cortes na saúde e na educação, a péssima gestão da crise do pellet, os planos de natalidade falhados, os parques eólicos em zonas protegidas, a fuga de jovens talentos não parece importante perante o andaço que se anuncia. Se fosse por Ayuso, a ligação do TGV entre esta Vigo e Lisboa nunca chegaria antes do que a Madrid. Porque Madrid é a Espanha dentro da Espanha e o resto é quintal.
Em resposta a uma entrevista numa rádio argentina, Ayuso atreveu-se, para captar o voto dos emigrantes, a afirmar que “não aguentamos mais nacionalismo, que é uma corrupção que vive de todos os espanhóis, criando identidades para dizer quem são os bons ou os maus espanhóis”; “A Galiza não pode juntar-se ao que todos os espanhóis já estão a sofrer no País Basco e na Catalunha”; “o BNG, que é o partido nacionalista, quer tirar o espanhol da sala de aula, a língua espanhola, aumentar os impostos, os subsídios”; “são extremistas e fazem parte das confluências com os outros nacionalistas pró-independência bascos e catalães. Todos contra Espanha”.
No domingo, veremos se a Galiza vota no PP galego para continuar a ser um epígono do PP madrileno ou se dá um chance a si própria de tentar algo diferente
