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Editorial, Eleições 18F, Galiza — 16 Febreiro, 2024 at 7:55 a.m.

Modus Vivendi

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O poder do BNG ameaça a hegemonia popular na Galiza e a liderança de Núñez Feijóo, que percorreu a Galiza como se fosse o candidato á Xunta, sustentado pola direita política, mediática, judicial e económica de Madrid e a rede galega de meios clientelistas. Durante os dias de campanha, o Partido Popular e as instituições galegas tornaram-se uma única entidade, como tem sido o caso há 300 semanas com a Televisao de Galicia.

O passado 28 de maio troulearom em Gênova quase ninguém duvidou que Feijóo chegaria aginha a Moncloa. Tanto é assim que alguns começaram a distribuir os ministérios com antecedência. E quando, em 10 de julho, Feijóo deixou Pedro Sánchez destituído no confronto eleitoral, em Génova pensaram que tinham a maioria absoluta ao seu alcance e sonharam com 160 ou mesmo 170 assentos. Ao se considerarem vencedores, porém, entraram em depressão absoluta na noite de 23-J e posteriormente, malia as tentativas de recuperação .pensou que tinha deixado tudo amarrado e bem amarrado quando partiu para Madrid, convencido de que seria o próximo inquilino da Moncloa.Ter antecipado as eleições galegas tinha a clara intenção de que o resultado fosse um voto de punição ao governo do estado polos seus acordos com os independentistas catalás.Mas fontes do PP, no meio da campanha, declararam à imprensa que estavam dispostas a perdoar Puigdemont.

 

A enxurrada de dirigentes do PP madrilenhos com Ayuso a frente impondo a agenda  espanhola  e madrilenha do PP, simbolizou durante a  campanha o que na práctica fixo o PP ano após ano: ir liquidando a identidade galega desde as instituções de autogoverno. 

O acontecido depois é bem conhecido, por isso as eleições galegas são vistas como o melhor alavanca do PP para preparar uma vitória nas eleições europeias de junho. Porém, Sánchez chega bem vivo e todo este plano esborralhou quando se tornou público que o líder popular estava aberto a “perdoar” Puigdemont. Agora acontece que quem está em devalo não é Sánchez, mas o próprio Feijóo, que deslocou ao candidato do PP Alfonso Rueda á Xunta de Galiza acompahado da direita política, mediática, judicial e económica madrilenha,  quando nem votar pode nas eleições galegas. Tanto assim que a enxurrada de dirigentes do PP madrilenho com Ayuso a frente ( que gosta de passear sob os inflamáveis eucaliptos galegos) impondo a agenda  espanhola  e madrilenha do PP, simbolizou durante a  campanha o que na práctica fixo o PP eleição após eleição, renovando a sua maioria absoluta no parlamento galego (agás em 2005) ir  suprimindo o conteúdo do Estatuto da Galiza, uma identidade a que se referem mas já não existe porque foi liquidada desde as instituções de autogoverno. Isto contrastou com o BNG, que optou pola “agenda galega” para mobilizar a esquerda conseguindo atrair novamente a sua principal cisão, a Anova de Xosé Manuel Beiras e Martiño Noriega. As confortáveis maiorias do Partido Popular na Galiza acabaram: esse é o denominador comum da maior parte das sondagens.

A menos de 72 horas da abertura das urnas, a Consellería do Mar de Alfonso Villares decidiu dar a cerca de 7.000 mariscadores um subsídio de 550 euros para aliviar uma má campanha, supostamente anterior à crise das pelotas, mas cujo apelo foi aberto no auge do desastre.

 

Porém,  aconteça o que acontecer o 18-F, sua liderança terá sido esfolada por uma eventual perda da Xunta. A única cousa que ficou clara é que o pânico se espalhou entre as fileiras populares, que na última semana voltarom jogar a sua carta mais agónica e populista. A ETA. De facto, o candidato Rueda jogou toda a campanha á defensiva, comparecendo apenas  ao debate da TVG e pregando sondagem após sondagem para manter as 38 cadeiras que dão a maioria absoluta, que seriam 4 a menos do que agora, e tentar não perder votos nem mesmo para a extrema direita  nem entre os setores mais galeguistas.

A apenas dois dias das eleições, esta sexta-feira, a Xunta, através do Ministério da Saúde de Julio García Comesaña enviou dezenas de milhares de SMS a todo o pessoal de saúde da Galiza que trabalha no Serviço de Saúde Galego (Sergas) anunciando aumentos salariai

 Rueda e Feijoó  deixaram uma educação que não foi a que fixeram em 2009. Foram encerradas 145 escolas públicas, a maioria escolas e institutos, autorizou a criação da primeira universidade privada da Galiza, promovida polo banco que surgiu da desastrosa fusão das caixas económicas galegas que levou 9.000 milhões de euros de dinheiros públicos que nunca recuperaremo; Desperdiçaram milhares de milhões cobrindo as bobagens dos dirigentes das caixas económicas, mas também permitiram a destruição de mais de 2.200 empresas, reduzindo a população activa em mais de 70.000 pessoas e colocando mais pressão sobre o resto dos trabalhadores, algo que em grande parte explica não só porque não conseguiram estancar a hemorragia demográfica do país, mas também porque mais de 637.000 galegos vivem em risco de pobreza;  eliminaram os manuais escolares gratuitos no ensino obrigatório, apesar de agora fazerem a promessa de o recuperar, e com o chamado decreto do multilinguismo, eliminaram a prioridade da língua própria da Galiza nas salas de aula, forjando o seu primeiro retrocesso legal na história do autogoverno;  cedeu a maior parte da gestão de lares de jubilados a empresas privadas; congelou a contratação de pessoal médico nos cuidados primário e imensuráveis listas de espera para a primària e cirurgias; autorizaram a reativação das minas de San Finx e Penouta, que envenenam as águas de esteiros, rias e riegatos; foram cúmplices da intimidação do ativismo ambiental que os confronta;agiram a fume de caroço para manter a fábrica de celulose da ENCE na ria e Pontevedra e tentaram encobrir o desastre ambiental dos pélets. e assim por diante.

O Bloco Nacionalista Galego (BNG), sob a liderança de Ana Pontón resistiu e conseguiu catalisar o descontentamento social de 15 anos de agenda neoliberal  camulfada de conservadorismo  e bilinguismo amável a par da reação a um governo e a um partido que se parece cada vez menos com o povo que diz representar. Se o PP ficar na Xunta, a lexislatura vindeira será a cara de ferreiro. Nada ficará na mesma. Nem o país, nem o BNG, nem o PPG. 

A progressão e o trabalho do BNG, com Pontón à cabeça, foram visualizados dia após dia e não por acaso. Nos concelhos, no trabalho quotidiano, nos êxitos e nos erros. Na construção dum país a diário.De baixo para cima, fazendo política no local e desde o local.

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