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Nem os hospitais. A mensagem que Israel está enviando é clara: nenhum lugar é seguro

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Israel não está a atacar hospitais em Gaza porque são “centros de comando do Hamas”. Israel está a destruir sistemática e deliberadamente a infra-estrutura médica de Gaza como parte de uma campanha de terra arrasada para tornar Gaza inabitável e agravar uma crise humanitária.

Deturpações e mentiras

O Estado colonial de colonos de Israel foi fundado e sustentado sobre mentiras.  E agora, quando está determinado a levar a cabo o pior massacre e limpeza étnica dos palestinianos com o apoio da administração Biden desde a Nakba de 1948, ou “catástrofe”, que viu 750.000 palestinianos serem etnicamente limpos e cerca de 50 massacres por milícias judaicas, cospe um absurdo grotesco atrás do outro. Fala dos palestinianos como uma massa desumanizada. Não há mães, pais, filhas, mestres,  sanitários, advogados, cozinheiros, comerciantes, taxistas, escritores ou trabalhadores da construção  Os palestinianos, no léxico israelita, são um único contágio que tem de ser erradicado. Será necessário recordar aqui a LTI que Klemperer analisou quando viu como a língua alemã tinha sido convertida polos nazis numa neo-língua que perverte o significado de noções comuns, constrói neologismos e produz dissonância perceptiva? Será que Israel  fixo sua esta deturpação quando se tornaram “vítimas eternas”, nunca carrascos, quando fala de “guera” e “autodefensa”, quando afirmou atopar quarenta “bebés decapitados” ou  que o Hospital Al Shifa é um “centro de comando do Hamas” ou quando um calendário em árabe na parede de um hospital, de acordo com o porta-voz da IDF é “uma lista de guardas, onde cada terrorista escreve o seu nome e cada terrorista tem o seu próprio turno guardando as pessoas que estiveram aqui? Segundo Israel, os militantes palestinianos, e não os tanques israelitas, são responsáveis polo bombardeamento do hospital Al Shifa. Deturpações e mentiras para o público israelita e mundial que acaba por ver o conflito como uma loita binária entre “os filhos da luz e os filhos das trevas”. Quando fala, em fim, dos palestinos como uma praga a ser erradica, convertendo-os  numa massa desumanizada.

Israel atropelou um carro cheio de “terroristas” no sul do Líbano, “terroristas” que se revelaram ser três raparigas, a sua mãe e a sua avó. A explosão no Hospital Al Ahli foi o resultado de um foguete errante disparado por palestinianos, uma alegação contestada pelo The New York Times quando desmascarou o vídeo com base na sua análise da hora. O tenente-coronel israelita Jonathan Conricus, num vídeo ridicularizado pela BBC, mostra aos espectadores um escasso esconderijo de armas automáticas num vídeo promocional que aumenta magicamente quando os jornalistas estrangeiros chegam para uma visita guiada. O vídeo foi posteriormente apagado polas IDF.

A guerra de Israel contra os hospitais

A guerra de Israel contra os hospitais é tornar Gaza inabitável. Porque se ficas, morres ou se cruzares  a fronteira para o Egipto, nunca mais voltarão à pátria.Obrigar 2,3 milhões de palestinianos a desaparecer.Dezenas de milhares de palestinianos aterrorizados, forçados a evacuar por Israel, com as suas casas reduzidas a escombros, procuram refúgio dos bombardeamentos incessantes acampando nos hospitais de Gaza e nas suas imediações. Primeiro são obrigados a procurar refúgio em hospitais, depois são fechados ou bombardeados. O manual de terror é intencional e conhecido mas deu um passo além para tentar extinguir todos os sistemas que sustentam a vida em Gaza. Escolas  e centrais eléctricas, instalações de tratamento de água e fábricas, quintas e blocos de apartamentos. Casas e hospitais. Depois virão aqueles que fingem que isso nunca aconteceu.

Israel encerrou 21 dos 35 hospitais de Gaza, incluindo o único hospital de cancro de Gaza. Os hospitais que ainda estão a funcionar sofrem de graves carências de medicamentos e de material básico. Um a um, os hospitais estão a ser eliminados. Em breve não haverá mais instalações de saúde. Isto é intencional. 

Foi o que aconteceu no hospital Al Shifa. Lançar panfletos sobre um hospital, dizendo às pessoas que devem sair porque o hospital é uma base para “actividades terroristas do Hamas”. Tanques e projécteis de artilharia escacham paredes do hospital. As ambulâncias são rebentadas por mísseis israelitas. A eletricidade e a água são cortadas. Os fornecimentos médicos são bloqueados. Não há analgésicos, antibióticos e oxigénio. Os mais vulneráveis, os bebés prematuros em incubadoras e os doentes graves, morrem. Os soldados israelitas invadem o hospital e obrigam toda a gente a sair sob a mira de uma arma. E foi o que aconteceu  nos hospitais Nasser e  Al Rantisi (pediátrico) e no principal hospital psiquiátrico de Gaza. Os veículos blindados cercaram quatro hospitais da Cisjordania e  o Hospital Ibn Sina foi invadido por soldados israelitas, juntamente com o Hospital de Jerusalém Oriental.

Se Israel respeitasse as Convenções de Genebra,os centros médicos não teriam sido alvo de Israel. Mas Israel não está a levar a cabo uma guerra. Está a levar a cabo um genocídio. E num genocídio, uma população, e todo o que sustenta uma população, é apagado. Uma fugida da responsabilização, pois se Israel se recusa a reconhecer a realidade, não é forçada a responder à realidade.

 

 

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