Delegados da indústria auxiliar da Navantia iniciaram esta quarta-feira ações de protesto para denunciar que há empresas que não aplicam o acordo coletivo da siderometal da Corunha ou não cumprem o que está incluído neste quadro regulamentar. A mobilização, que foi acordada por todas as centrais sindicais com representação no estaleiro, contou com a participação de representantes sindicais, delegados auxiliares e membros do comitê da própria Navantia e consistiu em bloquear o acesso de funcionários de quatro empresas à fábrica da Ferrolá.
Diante do aumento da carga horária devido à construção das fragatas F-11O, explicou o secretário da CIG-Indústria de Ferrol, Vicente Vidal, em julho a sede sindical realizou uma reunião com as empresas auxiliares para tratar das condições de trabalho , o acordo de aplicação em cada atividade e evitar a concorrência desleal entre empreiteiros em detrimento da deterioração das condições de trabalho e dos salários do pessoal.
Nessa reunião, que contou com a presença de cerca de 30 empresas, “foi comunicado que vamos ser inflexíveis face ao incumprimento e quando for detectado que uma empresa não aplica o acordo sidero bloquearemos a entrada de seu pessoal para a fábrica”, destacou Vidal. Nesta situação, apontou, está Kaefer, que aplica o contrato de construção ainda que “não exerça nenhuma tarefa relacionada com aquele setor no estaleiro”.
Lembrou que a CIG já venceu um conflito colectivo contra esta empresa, polo que foi determinado que Kaefer deverá aplicar o acordo do metal ao pessoal que trabalha nas instalações da Navantia. “Mas o que a empresa fez foi seguir em frente, recorrer da decisão e, enquanto isso, assumir uma pesada carga de trabalho”.
Os outros três auxiliares que não respeitam o acordo são Gabadi e Moncina (do mesmo grupo empresarial) e M Blanco. As manobras das empresas para contornar o acordo são diversas e passam pola subcontratação de trabalho entre assistentes do mesmo grupo com acordos diferentes ou pola tentativa de aplicar outros quadros regulamentares a atividades que estão expressamente incluídas no acordo do metal, como é o caso do aço.
Vidal apolou à responsabilidade da Navantia “que tem a oportunidade de pôr ordem na indústria auxiliar. Porque não vamos parar até conseguirmos que as empresas apliquem, no mínimo, o acordo do metal dentro destas instalações”. quem faz trabalhos de serviços (andaimes, pintura e manutenção) pagará por esses acordos, mas o de aço deve ser regido polo de metal. Caso contrário, nos manterão na frente das portas até que cumpram.”
Exortou a empresa naval pública a fiscalizar para que nos estaleiros sejam respeitadas as condições de trabalho e salariais do pessoal, a enquadrar de forma clara a actividade que cada empresa desenvolve e a obrigar as empresas auxiliares a aplicarem o acordo de referência. “Não vamos permitir que os empregadores poupem dinheiro à custa da deterioração das condições do pessoal e dos salários”, reiterou.
Insistiu que a única coisa que se exige “é que o mesmo acordo e o mesmo salário se apliquem ao mesmo trabalho, por isso há anos que pedimos à Navantia que inclua nos concursos uma cláusula que obrigue as empresas a cumprir os acordo metálico”.
Por fim, Vicente Vidal foi muito crítico em relação à atuação do responsável polos recursos humanos de Gabadi, sublinhando que “não consentiremos com este tipo de ameaças e coerção aos trabalhadores”.









