A presidenta do Congresso, Francina Armengol, informou que o rei, por sua conta e risco, e sem o seu consentimento prévio, decidiu impor o que é mais conveniente para os partidos de direita apesar de não ter apoio parlamentar suficiente. Como boa vasala, Armengol endossou a decisão política do Bourbon sem sequer saber as suas razões. Provavelmente o PP procurará a abstenção do Partido Nacionalista Basco e de Junts per Catalunya. O resto dependerá dos “tamayos”que poda haver dentro do PSOE e Sumar (talvez joguem conosco com um segundo e mais branco coup d’État)
Filipe VI decidiu que prefere fazer política (candidatou-se às eleições?) ajudando a Feijóo. Felipe Juan Pablo Alfonso de Todos los Santos de Borbón y Grecia fez o que se esperava e ofereceu ao líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, a oportunidade de ser o primeiro candidato a procurar o apoio do Congresso para a investidura. O rei espanhol poupou-se assim os problemas que poderiam surgir se se tornasse politólogo e optou pola via mais simples que nada mais é do que ceder o lugar ao vencedor das eleições, apesar de saber que isso conduziria ao fracasso.A Casa del Rey diz que existe o costume de encarregar o partido mais votado de formar govern (ainda que tenha havido exceções; portanto, nada de obrigatoriedade). De feito, a Constituição espanhola não estabelece prazo para incumbir alguém de tentar a investidura. Após a ronda de consultas, poderia esperar que alguém conseguisse a maioria do apoio ou que isso se revelasse impossível antes de encomendar alguém para tentar formar um governo. A Constituição (art.99 62, 64 e 56) diz-o literalmente: o responsável político pola tarefa de formar um governo é a presidente das Cortes, do que se deduz que só ela pode tomar essa decisão quando esta não é puramente formal. E o PSOE e Sumar entram no jogo da direita, engolindo sem questionar os verdadeiros excessos do monarca que procura para si, tal e como quer a direita, funções executivas.
Desta forma, embora não compareça à investidura implícita para o líder popular assumir o fim do jogo – e possivelmente da sua pessoal aventura madrilenha, mantendo a ficção da presidência Feijóo consegue ter, mesmo que seja por alguns dias, a iniciativa. Poderá apresentar-se à opinião pública como o vencedor das eleições, apresentar o seu projecto e, em última análise, acusar o PSOE – voltaremos a ouvir apolos aos deputados socialistas para que quebrem a disciplina eleitoral – de estar disposto a concordar antes com os soberanistas do que com os populares. Mas, acima de tudo, o que Feijóo conseguirá com esta medida será adiar por polo menos algumas semanas o confronto em Génova ou para aproximar a convocação de novas eleições, reduzindo o tempo de negociação disponível para Sánchez. Por um lado, esperar polo cadaleito do seu adversário após uma investidura falhada e, por outro, aproveitar o facto de as atenções estarem centradas em Feijóo para negociar discretamente com os soberanistas e independentistas sem a pressão de ter de submeter o sim e o não a um debate no Congresso dos Deputados. Com outras palavras, poder decidir mais tarde se o acordo está suficientemente maduro para ser submetido a votação ou, polo contrário, optar por uma repetição eleitoral sem sofrer o desgaste de uma derrota parlamentar na câmara baixa que traria à tona, além disso, as contra-partidas que colocou na mesa de Junts per Catalunya e Esquerra para voltar a ser presidente.
Porque, além de se apresentar na posse, Feijóo deu mais um passo decisivo. Abraçou explicitamente a Vox e cedeu perante Santiago Abascal, vinculando o seu futuro ao da extrema direita. Apesar de saber que esta mensagem impossibilitava uma já improvável mudança de opinião de um PNB que já está a negociar com os socialistas, e apesar de o povo popular estar dividido entre aqueles que, como Juanma Moreno, os apolam ao afastamento Vox, se Feijóo decidiu abraçar o jeito Ayuso é, no final das contas, porque o presidente madrilenho e sua comitiva são os que mais o temem se o que estamos falando é mudar de cadeira. Por isso assumiu a aliança com a extrema direita apesar de que com a companhia dos Abascales dificilmente encontrará apoio para ser presidente. O BNG vai votar contra.









