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Editorial, Politica espanhola — 17 Maio, 2023 at 11:13 a.m.

A vida foi melhor contra a ETA

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O PP consegue arrastar o PSOE para o debate sobre os pactos com Bildu e a cumplicidade dos barões socialistas que aspiram a reeditar maiorias de braço dado da campanha  devidamente potenciada polos vozeiros mediáticos de direita e que só vêem populismo  fora de casa

Ainda temos memória

EH Bildu obrigou sete candidatos  a anunciar que não assumirão o cargo mesmo que sejam eleitos por terem sido condenados por crimes apesar de cumprirem as suas penas. Quando semelha estar afogando, Pedro Sánchez sempre atopa alguém para lhe lançar o salva-vidas. Ainda que  ETA tenha desaparecido há 12 anos, ainda age como um galvanizador de votos. E Bildu sabe que toda a sua estratégia de pacificação depende  da socialdemocracia espanhola e Sánchez continuar na Moncloa. Os sete que renunciaram por pragmatismo político e dinâmicas eleitorais  levarom a este resultado que causa pasmo. Talvez porque é o melhor atalho a curto praço  para continuar melhorando as condições de vida dos presos e seus familiares.  Segundo essa lógica o gesto fai todo o sentido, mas deixa o gosto amargo de perceber que a direita nacionalista espanhola está-se a safar novamente.

O PP e todo o seu alargado ambiente político e mediático  (Vox, Ciudadanos e as múltiplas plataformas civis de extrema-direita e extrema-direita que fervilham em Espanha, bem como a lista avassaladora de manchetes de jornais, estações de rádio e televisão e perfis nas redes sociais), ao qual também se deve acrescentar o ambiente judicial e policial, não só nunca abandonaram o slogan “Todo é ETA” do tempo de Aznar, como o completaram com um “ETA nunca deixou de existir” que tem sido vigente há doze anos, a tal ponto que o PPdG  o usa para atacar o BNG. E se depender deles, continuará válido por moitos mais anos. Porque  ETA é sempre recurso para o Estado espanhol (não apenas para o PP). Aqueles que nunca se desculparam ou se arrependeram de seus crimes políticos continuarão a exigir a entrega das vítimas. De um parlamento espanhol que permite que nossas ruas lembrem os assassinos de Franco, enquanto aponta o dedo acusador para aqueles que já pagaram amplamente sua déveda com a sociedade.

O cenário de um executivo do PP-Vox, aliás, faria reviver o fantasma da luta armada. Para o PP, a cada dia que passa, fica mais evidente que o 28-M é uma batalha corpo a corpo, e é por isso que Alberto Núñez Feijóo renunciou a qualquer perfil próprio (segundo a imagem que ainda têm em Madrid porque na Galiza é outra, bem próxima á fasquia de Acebes e Zaplana), para tentar acabar de vez com o Pedro Sánchez. Não há dúvida de que a estratégia pode funcionar, pois moitas eleições serão decididas por uma presa de votos, mas no fundo ainda é um sintoma de desespero. 

Já se foi o tempo em que José María Aznar falava do “movimento basco de libertação nacional”, ou quando defendia que era melhor usar cédulas do que “empunhar uma arma”. Contra a ETA, de feito, a vida foi melhor, e ele não joga há 12 anos. As campanhas provocam discursos abertos, e também ocorrências – como a defesa da ilegalização de Bildu defendida por Isabel Díaz Ayuso 

Foi Ayuso, a avançada emuladora de Erdogan, quem primeiro lançou a ideia de proibir Bildu e, como em outras ocasiões, foi ela quem levou a glória das manchetes e os aplausos das redes sociais e afins comentaristas.Por que deixar que os feitos estraguem  algumas boas emoções!!! (que os presos tenham direito à reinserção social e que Bildu ou qualquer formação dentro das suas coordenadas ideológicas).

E ainda que as eleições de 28 de maio sejam municipais e autonómicas, em Madri todos as levantam e as lêem como um confronto entre Feijóo e Sánchez. com o elemento destorcedor  representado por Isabel Díaz Ayuso, que pode perfeitamente revalidar a sua maioria absoluta na Comunidade de Madri e, assim, fortalecer-se cada vez mais a ver com Feijóo o mesmo que já fixo com Casado.

Seria pertinente lembrar quer para o setor ultra e  não poucas instituições do estado entrincheirado no franquismo só se satisfará quando o germolo da disidência independentista desaparecer definitivamente. Por isso procuram a morte civil da disidência.Porque é o maior limitador para uma direita espanhola que se permite ressuscitar o espectro da Espanha que está escachando como estratègica e rumo político.

Quem certamente não entendeu o gesto dos ex-integrantes da ETA como “mais um passo” na construção de um futuro melhor é o PP, porém é Sánchez quem exige de Bildu “desculpas mais contundentes” polas listas com ex-integrantes do ETA. É um erro cair no quadro estabelecido pola dereita (quinto dia de campanha e o PP pode levar o crédito por ter marcado o debate em nível estadual) e por setores da social-democracia espanhola interessados ​​em fazer recuar o ponteiro do relógio na resolução do conflito armado e alimentar o conflito político na chave dos “vencedores” quando estão interessados em atiçar o medo, que é a antítese do que se deve fazer em toda a resolução de conflitos. Porque remover 7 pessoas das listas de EH Bildu servirá apenas para fazer com que as mesmas pessoas que montaram essa polêmica falsa e hipócrita digam que não é suficiente.Não lhes chega com o feito de terem deposto as armas, cumprido as penas e aceitado o quadro eleitoral espanhol. O que di a sua Constituição.

 

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