Numa altura em que França proíbe “caçaroladas” contra Macron, várias centenas de militantes fascistas e neonazis manifestaram-se no sábado em Paris para lembrar o aniversário da morte acidental de um militante de extrema-direita, Sébastien Deyzieu. Vestidos de negro, moitos tapando a cara com máscaras, trazendo bandeiras com a cruz céltica, os manifestantes não escondiam o que eram nem ao que vinham.A France-Presse cita as do senador socialista David Assouline que considerou “inadmissível que o ministro do Interior Gérald Darmanin ter deixado 500 neonazis e fascistas em parada no coração de Paris” ou a do porta-voz do PCF, Ian Brossat, que escreveu ironicamente na sua conta de Twitter que “as caçarolas são manifestamente mais perigosas que o barulho das botas…”, em referência à onda proibitiva desencadeada polo governo contra as caçaroladas de que tem vindo a ser alvo por parte dos manifestantes contra a reforma das pensões.
A manifestação ocorreu um dia depois do jornal Le Parisien(link is external) contar a história da agressão a Théo C., assessor parlamentar da deputada Aurélie Trouvé. A 29 de abril, aquando da final da taça francesa de futebol, este tentava filmar uma agressão racista no metro quando foi espancado por um grupo de hooligans neonazis, tendo sido obrigado a receber tratamento hospitalar junto com mais três pessoas.
Fixo queixa na polícia, que delegou a investigação na Segurança Regional de Transportes, entidade que analisa delitos cometidos em transportes públicos, mas não divulgou o sucedido. O portal de informação StreetPress(link is external), que identificou vários dos agressores, falou com ele. Diz ter ficado com medo depois da fuga de informação porque “as pessoas que me atacaram são perigosas”. A deputada Aurélie Trouvé denunciou: “hoje, centenas de neo-nazis estão a manifestar-se calmamente no centro de Paris. No sábado passado, alguns deles estavam a organizar um ataque que vitimou o meu assistente parlamentar e muitos outros. Mas o Governo prefere denunciar as caçaroladas”.
Acossado, o ministro do Interior acabou por anunciar ter pedido aos prefeitos do país a interdição de todas as manifestações da extrema-direita fascista e neonazi.
Do lado da França Insubmissa várias vozes criticaram a decisão recorrendo a este mesmo argumento. O deputado Thomas Portes, citado polo Huffington Post(link is external), escreveu “quando se critica Macron ou quando há manifestações contra a sua reforma das pensões é: detenções, tiros de LBD e de granadas. Pelo contrário, 500 nazis desfilam nas ruas de Paris, nenhuma preocupação para Gérald Darmanin”.









