Quatro anos depois, Buarque recebe hoje em Lisboa o Prémio Camões 2019. O músico e escritor vai receber o prémio máximo da língua portuguesa que Jair Bolsonaro recusou entregar, das mãos de Lula da Silva e Marcelo Rebelo de Sousa. Será entregue pelos Presidentes da República de Portugal e do Brasil, em cerimónia a realizar no Palácio Nacional de Queluz.
Nessa altura, o então presidente recusou-se a atribuir ao músico e escritor a mais alta condecoração da língua portuguesa. Agora, o Brasil é governado pela esquerda de Lula da Silva e o novo presidente, ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa, entregará em mãos o prêmio a Chico Buarque às quatro da tarde, no Palácio Nacional de Queluz.
Instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, o Prémio Camões é considerado o maior prémio de prestígio da língua portuguesa. De caráter anual, presta homenagem a um escritor que, pela sua obra, contribua para o enriquecimento e projeção do património literário e cultural de língua portuguesa.
O momento é altamente simbólico, na opinião de Clara Capitão. A editora Companhia das Letras de Portugal, que edita os livros de Chico Buarque em nosso país, diz em entrevista ao Renascença que “Chico Buarque recebe agora, quase 4 anos depois, o prêmio Camões é um sinal de que, finalmente, o Brasil revive tempos de liberdade e democracia, em que a cultura e a literatura são valores fundamentais”.
Chico Buarque , autor de obras como ‘Leite Derramado’, ‘Estorvo’ ou ‘Anos de Chumbo’, foi distinguido pelo júri, por unanimidade, pela “qualidade e transversalidade” da obra. Reunido no Rio de Janeiro, o júri composto por Manuel Frias Martins e Clara Rowland (Portugal), Antonio Cícero e Antonio Hohlfeldt (Brasil), Ana Paula Tavares (Angola) e Nataniel Ngomane (Moçambique) destacou na obra de Chico Buarque, a sua “contribuição para a formação cultural de diferentes gerações em todos os países onde se fala a língua portuguesa”.
Em comunicado, o Ministério da Cultura recorda as palavras do júri: “a atribuição do Prémio Camões ao músico e escritor brasileiro reconhece ‘o valor e o alcance de uma obra multifacetada, repartida entre poesia, drama e romance’, um trabalho que “atravessou fronteiras e se mantém como uma referência fundamental da cultura no mundo contemporâneo’, concluiu o júri na sua declaração”.
Chico Buarque receberá naquela que foi a casa de D. Pedro IV o prémio que Bolsonaro não lhe quis dar.“Tudo tomou seu lugar, depois que a banda passou”.















