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Cedeira, Ecoloxía, Mar e Pesca, Meio ambiente, Política local — 21 Abril, 2023 at 9:08 a.m.

Sanxanxenizar a praia, a ria e a vila de Cedeira

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Em Cedeira o depotismo foi en aumento até o ponto de se apropriar de qualquer diálogo possível com a vizinhança em relação ao problema do areal da  Madalena. No Portal da Transparência do Concelho de Cedeira não estão  disponiveis as actas do alegado plenário de apoio de todos os grupos. Nem actas, nem contratos administrativos. Onde é que estão os contratos menores?

Em precampanha eleitoral municipal o Concelho de Cedeira governado por Pablo Moreda (PsG-PSOE) anuncia o orçamento de 2,4 milhões de euros de execução da intervenção que pretende terminar definitivamente com desequilíbrio que afeta a faixa dunar da Madalena, segundo publicada a declaração de impacto ambiental do projeto de regeneração da Praia  da Madalena no Diário Oficial do Estado polo  Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico.

 

A ação visa  “acabar definitivamente com o desequilíbrio que afeta a areia e fai com que seu cordão dunar retraia” (sic). No comunicado do governo de Cedeira dise que “os problemas da praia de La Madalena, em Cedeira, remontam ao final dos anos noventa”  e que “o Concelho de Cedeira começou a trabalhar na procura de uma solução definitiva já no bipartido anterior, com a colaboração do BNG e da Anova e com o envolvimento da controvertida “Plataforma em Defensa da Ria”, bem como a Confraria de Pescadores”.

Conforme publicado e agora consultado por esta revista, nem Somos Cedeira, nem o BNG de Cedeira jamais foram a favor do espigão (opção que nunca foi reclamada) mas o comunicado sugere que há unanimidade na “solução” onde nunca houvo.

Além disso, segundo os dados disponíveis o governo de Moreda foi consultado e  respondeu. Convocou tan sequera á manipulada “Plataforma” á que tanto apela?

O depotismo foi en aumento até o ponto de se apropriar de qualquer diálogo possível com a vizinhança lançando  uma proposta de feitos consumados que agora se divulga, a um mes das eleiçoes municipais,  como se fossem aceitadas por unanimidade, que não só não é verdade, mas tem obstruído qualquer diálogo informado sobre a problemática da Madalena por vários anos

 

Porém, a declaração oficial não tem escrúpulos em dizer  que  “depois de diferentes gestões e num encontro em Madri do atual acalde, Pablo Diego Moreda Gil, com o vice-diretor geral para a Proteção da Costa, Ángel Muñoz Cubillo, a Demarcação de Costas apresentou, em fevereiro de 2019, a redação do projeto e o estudo de impacto ambiental para um projecto que “afetará principalmente na metade norte da praia. Um pequeno dique será construído na margem esquerda da foz de Condominhas e um canal da foz do rio da Veiga, na zona central da Madalena, bem como movimentos de areia que garantem uma largura da praia seca mínima de 55 metros na parte dunar mais afectada por temporais. finalmente, o projeto contempla o repovoamento com vegetação nativa que contribuirá para manter o equilíbrio dinâmica da área”. Quer dizer, larganza para fodechinchos e toalheiros.

 

Quem mexer nisso há mais de dez anos (na altura Somos Cedeira e ADEGA) não tem nada a ver com a Plataforma pola Defensa da Ria (foi consultada agora?não) maquinada ad hoc com o alvo de ser utilizada para desmobilizar e ocultar a proposta predeterminada que agora se quer construir.

Quem mexer e assisar nisso há mais de dez anos (na altura Somos Cedeira e ADEGA) não tem nada a ver com a Plataforma pola Defensa da Ria maquinada ad hoc com o alvo de ser utilizada para desmobilizar e ocultar a proposta predeterminada que agora se quer construir. 

Tanto Somos Cedeira  quanto os outros grupos sociais e políticos foram desleixados e, pouco a pouco, varridos como interlocutores legítimos dum problema que atinge e condiciona de forma direta o modelo de desenvolvimento para os anos vindeiros. Lembremos que foi o grupo Somos Cedeira que activa e documentadamente começou a estudar a problemática da praia da Madalena moito antes da chegada de Moreda, primeiro no bipartito e na última legislatura com maioria absoluta. Deve ter sido isso. Porque o depotismo foi en aumento até o ponto de se apropriar de qualquer diálogo possível com a vizinhança lançando  uma decisão fechada que agora se divulga, a um mes das eleiçoes municipais,  como se fossem aceitadas por unanimidade.

Nada mais longe do que aconteceu. A vecinhança toda é e deve ser interlocutora legítima e a ela se deve a transparência informativa. Lembremos que foi primeiro a revista Ollaparo e o grupo Somos Cedeira com o apoio de ADEGA quem activa e documentadamente começaram a estudar o problema da praia da Madalena moito antes da chegada de Moreda á política cedeirense, primeiro no bipartito e na última legislatura com maioria absoluta á frente do governo municipal de  Cedeira. Deve ter sido isso.

Segundo noticia de Ana Cuba para La Voz de 12 outubro de 2021, tivo apoio de todos os grupos. Como isso é possível? Como ainda há tanto silêncio por aí? Mas como conseguiram isso? Segundo fontes consultadas, o concelleiro de meio ambiente no governo bipartido Camilo Casal Camilo, estava totalmente em contra desse projeto construtivo e co consultadas as concelheiras do BNG na altura,afirmam que em ningún momento houvo apoio a essa exposição, nem aprovação, nem consentimento nem votação.A que joga Moreda?

 

12 out 2021,La Voz de Galicia
12 out 2021,La Voz de Galicia

Sem ir mais longe no Portal da Transparência do Concelho de Cedeira não estão  disponiveis as actas do alegado plenário de apoio de todos os grupos (http://www.portaltransparenciacedeira.gal/convocatorias-e-actas-2021/)  e ninguma outra. A opacidade da transparência…Nada nadinha, nem actas nem contratos administrativos, como nos concelhos de caciques. Onde é que estão os contratos menores?

Ao intervir no dique de proteção, com a técnica atual, o impacto é amortecido por moitos anos (ainda que seja irreversível com o passar do século). No canto de deixar estar  o areal e que o mar faga e desfaga. Não será por te-lo repetido e argumentado: se isso for feito, quantos metros quadrados de toalha de praia serão ganhos? Ahhhh… lá vai: a grande invenção que é o turismo, a pesca já foi destruída e sem sector secundário para sustentar o Concelho… Mas o sector terciário é pão para hoje a fame para manhá. Porque construír máis non é precisamente o que se reclamaba porque vai totalmente contra os motivos que  levaram a reivindicar intervenções cuidadosas (às vezes a melhor intervenção é não intervir).

Ninguén se molestou en estudar fotos antigas nas que se observa e deduce que dende hai séculos deposíta-se  area na beira esquerda do río Non aprendemos nada.

 

Alguém pensou na Alternativa 5, a de não fazer nada na praia, a não ser a recuperação ambiental da duna e a aplicação dos critérios da estratégia contra as Mudanças Climáticas de Costas? Como a causa fundamental é a energia do mar, porque o vento deixou de fazer efeito quando foi construído na praia anterior, modificando o dique de abrigo para amortecer a ondagem antes que  atinja a praia. Mas esta alternativa nem sequer foi considerada . O que agora propõem a força de efeito pre-eleitoral publiando no BOE é o paripé usual quando promove o Estado desde Madrí. Têm um objetivo claro e fingem alternativas para escolher a predeterminada. E dizem que a alternativa 0 é moi cara….vaites, vaites. E logo quanto pensam que vai durar o recheio? E a canalização proposta? Ninguén se molestou en estudar fotos antigas nas que se observa o depósito de area a zona na beira esquerda do río dende hai séculos ( ver na faixa da dereita a simulação 1956-2050). Non aprendemos nada.

Insistir e teimar em esconder a realidade a força de imediatismo é mal agoiro. A chave está na correcção do dique, quando foi feita não existia a actual tecnologia de modelação, nem se pensou em qualquer impacto, eram os anos 70 e os barcos tinham de ser protegidos da vendaval e do mar de fondo de W. Nada disso aconteceria sem o crescimento extensivo da vila na praia. Como não pode ser desfeito, o melhor é intervir no dique, mas não em entulhos, recheios e tretas.

Teimar no “balanceado” desleixando assim a geomorfologia da ria e as cartas de Tofiño – onde já se pode como o chamado efeito Coriolis leva a acumular áridos para norte da praia-  é temerario e nao toma a consideração as evidencias históricas de comportamento do sistema dunar e das marés posteriores ao espigao de abrigo dos 70. Aliás, qualquer cedeirense lembra de ouvir que a Área Longa iase perder, pois estava no fondal, e não, ainda está lá e mesmo com uma certa dinâmica  (poluição portuária, à parte).

De verdade queremos  sanxanxenizar a ria e a vila de Cedeira? Se for assim, tanto Somos Cedeira como esta revista  têm-se posicionado  totalmente contrária a esse projeto interessado que esconde o mesmo que nos tempos rubinianos, sem resolver nada.

Há espaço para corrigir erros por ação ou omissão, desleixo ou ignorância: a participação pública tem que sair antes de começar a obra,não sim?. E aí, na melhor das hipóteses, se houver vontade, pode-se fazer alguma cousa.

Do contrário, sabendo que Costas não valora os impactos reais das obras,seria acaído perguntar-se: já que têm controlado todo,mesmo no contexto de mudança climática, de quem será a responsabilidade quando cheguem os efeitos “inesperados”?

Grazas por leres e colaborares no Ollaparo !

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