Como diria Joan Fuster, a nova visita do emérito é uma ocasião para assistir às genuflexões provincianas e coloniais perante um corrupto e criminoso que não explicou de onde vem sua riqueza e que volta a andar impunemente pola Galiza
Esta semana está de volta o corrupto a meio da pré-campanha eleitoral e a Casa del Rei e a Moncloa assistem impotentes ao que o ex-chefe de Estado fai e desfai sem control.Aterrissou em Vigo depois das 13h30 em avião particular de Londres para seguir de carro até Sanxenxo, em meio a grande expectativa com mais de 60 meios de comunicação esperando no aeroporto. Há um ano, o amigo de Juan Carlos I e presidente do Real Club Náutico, Pedro Campos, encarregou-se de buscá-lo no aeroporto para levá-lo a Sanxenxo, onde se hospedará novamente na sua casa. A primeira visita que o emérito fixo a Galiza no final de maio do ano passado, também ás Rias Baixas, já gerou grande desconforto polo espectáculo mediático que organizou, longe do cariz privado com que as duas instituições desejavam para esta caste de viagens. “Explicações, de quê?”, perguntou o o velhote na altura em que perguntaram os jornalistas que o perseguiam por Sanxenxo no seu primeiro regresso ao Estado depois de fugir para os Emirados Árabes Unidos.
Estará lá o resto da semana e neste fim de semana está programado para participar duma regata a bordo do Bribón no Campeonato Espanhol de Vela. Ao chegar à residência Campos o emérito, de 85 anos, não prestou declarações e apenas cumprimentou os numerosos jornalistas que o esperavam, mas sem baixar a janela.Como há quase um ano, o emérito reencontrou o seu núcleo de amizades do mundo da vela na vila galega, como se nada tivesse acontecido, transmitido quase ao minuto pola televisão galega espanhola.Há apenas dous meses a Fiscalia determinou que, não fosse sua inviolabilidade e regularização tempestiva com a Fazenda, o rei emérito teria cometido crime pola sua fortuna no exterior.
Enquanto o pai desembarcava em Vigo, Felipe VI tomou um banho de massa num evento em Ronda (Málaga) e num aceno de cinismo defendeu a necessidade de ser sempre “um exemplo a seguir” numa altura em que a sociedade espanhola precisa de “referências éticas”, ao mesmo tempo que fai claro que o privilégio só pode ser entendido “como um serviço aos outros”.
Há algumas semanas, as instituições implicadas tomaram conhecimento das intenções do Bourbon de voltar à Galiza. Considerou-se conveniente que fosse em junho, passadas as eleições, e foi esta a ideia que tiveram na Casa do Rei. No entanto, na passada segunda-feira apareceu na comunicação social que o emérito iria a Sanxenxo de 19 a 23 de abril. “Se convém ou não, todos vão ter que pensar”, nota a comitiva de Felipe VI, incomodada com a incógnita se o roteiro de João Carlos I incluirá ou não um almoço privado com Carlos III em Londres nesta terça-feira. O círculo de amigos teria repassado para alguns meios de comunicação, embora a embaixada na Espanha tenha informado na quinta-feira que o encontro não constava da agenda oficial da monarca do Reino Unido.
Moncloa, por outro lado, optou mais uma vez por abaixar o tom -malia a afouta interpolaçao do deputado galego do BNG no Congresso dos Deputados – enquadrando a visita na esfera privada. Apesar disso, a porta-voz, Isabel Rodríguez, enfatizou que continuam defendendo que ele deveria dar algum tipo de explicação para suas atividades econômicas no passado. “O Governo já se pronunciou várias vezes sobre a conduta do rei emérito e continuamos a manter a mesma opinião”, reiterou na semana passada. Já depois da primeira visita, a porta-voz do executivo considerou que Juan Carlos I tinha perdido a oportunidade de dar a “resposta” que os espanhóis esperavam. “O governo espanhol não tem nada a comentar. São decisões pessoais que não cabe a nós avaliar”, disse a porta-voz do executivo, Isabel Rodríguez, após o conselho de ministros da última terça-feira. A porta-voz do PSOE, Pilar Alegría, limitou-se a mostrar “o máximo respeito”, ao contrário de outras vezes em que os socialistas elevaram o tom e pediram ao emérito que desse explicações e repreendesse suas atitudes. Em privado, fontes da Moncloa também deixam claro que não querem fazer comentários sobre Joan Carlos I. Quanto menos se disser, menos afetará a campanha das municipais.
Nesse sentido, Nestor Rego (BNG) exigiu que o governo do PSOE e Unidas-Podemos promova que ele seja investigado e processado e não o proteja com dinheiro público. Por sua parte, EH Bildu e ERC solicitaram ao Congresso a comparência urgente do Ministro das Finanças e do Ministro da Presidência, para que expliquem as possíveis contas pendentes com o Tesouro ou as despesas públicas derivadas de suas visitas ao estado O presidente da Xunta, Alfonso Rueda, reiterou que a visita do rei emérito “não é má, muito polo contrário” do ponto de vista da promoção turística da Galiza.
É um bom exemplo do que é a Espanha: um estado corrupto, antiquado e tempestuoso que não permite que seus cidadãos (súditos?) escolham livremente se querem viver governados por uma monarquia ou se querem ser membros dum estado que consideram seu. Talvez deva ser lembrado que o Reino de Espanha não tem autoridade moral já que sua fonte de legitimidade continua sendo a violência institucional. Só pola força existe, sendo o simbolo principal dessa usurpação a monarquia instalada polo franquismo e da que emanam o resto de instituições do Estado.Pouco mais a dizer.
