As Confrarías de Pescadores de Noia e Portosín lideraram uma manifestação na esperança de obter a revocação da Xunta de Galicia de despejar quase 900.000 metros cúbicos de água da antiga mina de tungstênio e estanho de São Finx. Francisco Pérez, presidente do Marisqueo a Pé de Noia, declarou que a manifestação foi “um sucesso total” não só polo número de participantes, mas também pola participação de “pessoas de outros setores como hotelaria e comércio”.

O movemento ecologista juntou-se á demanda social da proteção da Ria de Muros-Noia e afirmou que não há suporte científico para mostrar que a estação de tratamento de resíduos, que deve ser construída pola Pivotal Metals, funcionará.
A Mina de São Finx, inativa desde finais dos anos 80, volta a ter autorização do Governo da Xunta para descarregar as suas águas residuais na ria de Muros-Noia.Coincidindo com a convocação do protesto, a Plataforma em Defesa da Ria de Arousa (PDRA) e a Confraria de Pescadores de Noia informam que no próximo dia 22 de março será realizada uma audiência em Genebra para avaliar o descumprimento do Governo na mina de San Finx e na de Varilongo, localizada em Santa Comba e também de propriedade da Pivotal Metals. O processo, aberto desde 2017, alega que a mina não passou por avaliação de impacto ambiental. A audiência será realizada polo Comitê de Cumprimento da Convenção de Aarhus, órgão dependente da Organização das Nações Unidas (ONU), que garante a participação pública e o acesso à informação e à justiça em questões ambientais.
Greenpeace denuncia como “imprudência” a autorização de descargas da mina de San Finx para a ria de Muros e Noia
A PDRA e a Confraria de Pescadores de Noia forneceram um relatório elaborado polo hidrólogo e consultor internacional Steven Emerman. “O documento mostra que a autorização de descarga concedida pela Xunta à mina carece de rigor e põe em risco a ria”, afirmam os dois grupos. O Departamento de Infraestruturas e Mobilidade, quando questionado sobre o assunto, refere um comunicado de imprensa em que insiste na “estrita atenção” aos padrões de qualidade ambiental. Na mesma carta, é feita referência a “18 condições” que devem ser cumpridas pela empresa responsável pela operação aquando da construção e colocação em funcionamento do sistema de tratamento e evacuação das águas residuais industriais geradas nas instalações. Essas exigências garantiriam, segundo a diretoria, que os 889.885 metros cúbicos de material que serão despejados no rio atendessem a critérios de sustentabilidade. O governo regional insiste ainda que esta autorização “em caso algum permite o desenvolvimento da atividade mineira”. E acrescenta que, para isso, seria necessária a declaração de impacto ambiental.
Quanto à reação dos políticos à manifestação, a porta-voz do BNG, Ana Pontón, pediu ao presidente Alfonso Rueda que modifique a autorização do vazamento, que ela chama de “uma bomba ecológica que terá consequências catastróficas para toda a comarca “. Além disso, Pontón criticou o Partido Popular por se posicionar contra os 5.000 empregos diretos na pesca de marisco e na pesca costeira ligados a grêmios locais, para apoiar os interesses duma empresa australiana que opera em paraísos fiscais. Segundo Pontón, a empresa procura apenas aproveitar os recursos naturais da Galiza. A porta-voz do BNG garantiu que o seu partido sempre defendeu os interesses da Galiza e do seu povo, ao contrário do Partido Popular que, segundo ela, sempre trabalhou a favor de quem procura tirar partido dl pais.
Segundo Ana Pontón(BNG), presente na manifestação, 5.000 empregos em perigo e um ecossistema único ameaçado polo compromisso do PP de favorecer uma multinacional de minaria que opera em paraísos fiscais.
Segundo o canal Galicia Ciência, as descargas de águas residuais têm elevadas concentrações de metais pesados que, se estiverem em níveis superiores aos permitidos, impedirão a comercialização de moluscos.






























































