O governo espanhol tem a competência final porque a instalação projetada está em águas externas e tem mais de 50MW de capacidade. Será Madrid, então, como moitas vezes acontece, quem tomará a decisão final, mas é responsabilidade da Xunta (compromete-se polos simples feito de ser e não polo que o presidente Rueda poda dizer) garantir que todo esse processo seja realizado de forma consensual com o território galego e quem nele mora e trabalha.
No Mar dos Balandros ou Balandra ánda-se á pescada e á langosta, cobiçada outrora polos balandros franceses que acubilhavam na ría de Cedeira de regresso. É um caladoiro histórico conhecido pola sua fartura que a Confraría de Marinheiros defende con todo o peso da razão fronte a enxurrada eólica offshore já que a Balandra é o mar de Cedeira e todo o que a pesca significa para as vilas marinheiras da costa Ártabra e Ortegal.
O que està a acontecer, porém, é que a resolução de Madrid chega sem que tenha havido previamente um acordo entre as administrações e, sobretodo, com as gentes que habitam o territorio e vivem do mar. Um desleixo premeditado que mostra as consequências de renunciar a maiores cotas de soberania sobre os recursos.
O Governo está a sobrepor os interesses das grandes empresas elétricas e energéticas aos interesses da frota pesqueira galega
No primeiro caso, o diálogo e o pacto de estratégias deveriam ser um dos eixos prioritários do governo galego para evitar imposições contrárias à estratégia do país. O problema engadido aqui é que a Xunta de Alfonso Rueda não tem estratégia de pais , o que trai como resultado que setores estratégicos que arruman conhecimento acumulado, pregnância antropológica e formas vida ficam em desamparo e acabam sendo engolidos em nome da transição ecológica como ontem o foram en nome do progresso da industralização ou da entrada na UE. Nomeadamente, a pesca artesanal sustentável (não os arrastreiros, qualquera cousa menos ecologistas) e o desenvolvimento duma agricultura viável em termos hídricos, biológicos, culturais e paisagísticos.
A arte do arrasto recuarà diante dos engenhos offshore e chegará à terra gerando na glota galega conflito com as outras artes e o extermínio dessa biodiversidade que tanto dizem proteger agora de jeito calculado.No segundo, deve ser o governo galego de braço dado de todos os setores implicados a liderar o debate e o diálogo. Será necessário convencer da necessidade de infra-estruturas, acordar a compensação e garantir que as infra-estruturas básicas para todo o país tenham uma distribuição equitativa por todo o território, colocando em cima da mesa a tarifa galega de eletricidade, entre outras, como condição sine qua non.
A fasquia paternalista e colonialista do estado espanhol de braço dado de seu protetorado na Xunta, mostra-se na ausência de consulta ao setor pesqueiro galego, que não precisa da esmola de ninguém
Não é inédito e não o deveriamos aceitar, porque o que já é sintomático no dia a dia tornou-se doença crónica de déficit democrático: que as diferentes administrações continuem a ignorar as plataformas ativas que reúnem vários setores ecológicos e econômicos do país que hoje se opõem á massificaçao de parques por mar e terra mas ontem denuciaram a massiva plantação de eucalipto, as pasteiras, a proliferação da mineria a céu aberto e o despejo de resíduos de terras pesadas nas rias. Porém, a administração, tanto a galega quanto do estado, apostam claramente e sem diálogo por esse tipo de energia a ditado das elétricas e dos interesses de Madrid e gostariam que os projetos começassem o mais rápido possível malia tratar-se de projetos oligopólicos externos que pouco ou nada deixarão no tecido social e económico do país, agás um impacto brutal em espaços e sectores estratégicos galegos. Seja como for, não fai sentido inçar caladouros históricos que dão vida de moinhos que têm uma vida útil moi curta dada a salinidade e a corrosão, no fim, um desamparo enferrujado de lixo para o fondo do mar.
