O filólogo e investigador da língua e cultura galega e portuguesa Basilio Losada Castro morreu este sábado aos 92 anos. Membro honorário da RealAcademia Galega (RAG), faleceu em Barcelona, cidade onde morou durante décadas e onde desenvolveu a sua vida profissional, embora tenha sempre muito presente as suas origens.
Com a sua morte, marcha um referente da cultura galega na Catalunha, “um criador de pontes entre o catalão, o espanhol, e o português e outras línguas europeias”, bem como um académico de renome. Basilio Losada Castro traduziu mais de 150 livros para diferentes idiomas (português, inglês, francês, alemão, catalão, galego e russo) e entre os autores traduzidos estão Jorge Amado, José Saramago, Rosalía de Castro ou Pedro Gimferrer.
A Real Academia Galega lamentou a sua morte. Como tradutor, Basilio Losada contribuiu para a projeção da literatura galega fora da Galiza, traduzindo para o espanhol autores como Xohana Torres, Celso Emilio Ferreiro, Álvaro Cunqueiro e Uxío Novoneyra, entre muitos outros. Poetas galegos do pós-guerra (1971), poetas galegos contemporâneos (1972) e poetas galegos de hoje (1990), publicados em edições bilingues, são alguns exemplos. Também destacables les traduccions de veus poètiques catalães al gallec i de clàssics i contemporanis del món lusòfon al castellà, aportació que li va valer, el 1991, the Premi Nacional de Traducció del Memorial del convento de José Saramago.
Basilio Losada também deixa um importante legado como pesquisador e divulgador da literatura galega, portuguesa e brasileira. Professor apreciado pelas gerações de filólogos que ali se formaram, mereceu também o reconhecimento das instituições de língua catalã, galega e portuguesa. A Generalitat de Catalunya concedeu-lhe o Creu de Sant Jordi, no Brasil recebeu a Ordem do Cruzeiro do Sul; em Portugal, a Ordem da Ordem do Infante D. Henrique; e na Galiza, a Medalha Castelao e o Prémio Otero Pedrayo. Em 2015 ingressou na Real Academia Galega como acadêmico honorário com a conferência Reflexões sobre os primeiros romances de Rosalía de Castro.
Sit tibi terra levis.
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