Os abaixo-assinados usam linguagem beligerante e acusam o Executivo de colocar em risco a “coesão nacional”. Enquanto isso acontece na Espanha, em julho passado na Alemanha a ministra alemã da Defesa mandou dissolver a segunda companhia de combate do Comando das Forças Especiais (KSK). Em causa, ligações de alguns dos seus membros à extrema direita.
Cerca de setenta comandantes aposentados do exército espanhol enviaram uma carta ao rei Filipe VI expressando sua posição contra o governo espanhol, que eles chamam de “social comunista” e governando com o apoio de “filoetarras e independentistas”. Segundo os abaixo-assinados, que usam linguagem beligerante na redação, o executivo de Sánchez ameaça os cidadãos espanhóis com “a decomposição da unidade nacional”.
A carta, a que o jornal El País teve acesso, é assinada por coronéis e generais que ingressaram na academia em 1964 e, portanto, estão na casa dos setenta. Especificamente, 73 ex-militares enviam esta carta ao rei, quase metade dos membros sobreviventes da 23ª turma da Academia Militar Geral. Por não serem ativos, todos podem expressar livremente suas opiniões. Porém, de acordo com a mídia, quem assina a carta não o assina como cidadão, mas como militar: ao lado de cada um dos nomes deixaram evidências de sua posição no exército.
“Tempos difíceis para a pátria”
A carta afirma que a Espanha vive uma situação de “deterioração” e que a “coesão nacional” está em perigo. Também mostram seu apoio e lealdade ao rei “nestes tempos difíceis para a pátria”, que escrevem, portanto, em maiúsculas. Entre os ex-comandantes que assinaram a carta estão um tenente-general José María Fernández-Bastarreche, que comandava militares do Exército, dous generais divisionais, Ángel Gil Barberá e Francisco Fernández Sánchez, e quatro brigadeiros-generais. . A lista é completada por 66 coronéis.
Alemanha dissolve unidade militar das forças especiais
Enquanto isso acontecia na Espanha, em julho passado na Alemanha a ministra alemã da Defesa mandou dissolver a segunda companhia de combate do Comando das Forças Especiais (KSK). Em causa, ligações de alguns dos seus membros à extrema direita. Em declarações ao jornal Süddeutsche Zeitung a ministra afirmou que estas forças especiais “declararam-se parcialmente autónomas do resto do Exército por causa de uma cultura tóxica de alguns dos seus líderes”. Razão pela qual “não podia continuar da forma atual”, justificou a governante. A segunda companhia das Forças Especiais, que já tinha estado envolvida em anteriores escândalos, será dissolvida de imediato.Já em maio deste ano um dos seus membros tinha sido detido por esconder em casa explosivos, armas e munições roubadas do Exército. Com elas foram encontrados símbolos nazis. O militar tinha mais de seis mil munições, vários tipos de armas e pelo menos dois quilos de explosivos. Isto depois de o serviço de informações das Forças Armadas ter detetado o desaparecimento de 48 mil cartuchos e 62 quilos de explosivos. Um roubo que na altura deu lugar a uma investigação e que no decorrer da mesma foi possível identificar vários membros do comando como próximos dos círculos ultra-nacionalistas. O roubo foi qualificado de “preocupante” e “alarmante” pela ministra que ameaçou mesmo com uma dissolução total do corpo de elite criado em 1996. Para já, a ministra alemã da Defesa ordenou que fossem realizadas reformas abrangentes na unidade de elite. Já o secretário de Estado da Defesa, em palavras dirigidas aos parlamentares, chegou mesmo a afirmar que, “se os poderes de autolimpeza do KSK não tiverem efeito, surgirá inevitavelmente a questão de se saber se o KSK pode permanecer na sua forma atual e na sua localização atual”.










