Foi o compartilhamento aberto de dados em todo o mundo que permitiu aos cientistas mapear o genoma do vírus SARS-CoV-2 a uma velocidade sem precedentes, trabalhando além das fronteiras institucionais, comerciais e internacionais num esforço coletivo único contra um inimigo global comum. Porém, algumas empresas não estão compartilhando todos os dados sobre os potenciais tratamentos candidatos que possuem. O padrão que peneira reflicte como o Big Pharma é capaz de impedir que os concorrentes de saúde obtenham qualquer fatia significativa do mercado de vendas no tratamento de doenças e, assim, monopoliza a indústria da saúde.
As empresas farmacêuticas são monopólios globais, que cobram tudo o que o mercado estiver disposto a tolerar pelos novos medicamentos que produzem. Mas as empresas farmacêuticas abandonam a pesquisa de medicamentos que acham que não são imediatamente lucrativos. Porém, a indústria farmacêutica, há muito tempo obtém lucros exorbitantes, aproveitando as pesquisas do setor público e perpetuam o mito de que são necessários preços elevados para compensar os riscos e investimentos que assumem no desenvolvimento de medicamentos. De fato, as empresas recebem substancial apoio financeiro. Nos Estados Unidos um estudo recente descobriu que os 210 medicamentos aprovados entre 2010 e 2016 beneficiaram pesquisas com financiamento público, direta ou indiretamente. Os contribuintes contribuem por meio impostos e subsídios a pesquisas, bolsas, e outros incentivos das universidades públicas. Isso significa que as pessoas costumam pagar duas vezes pelos medicamentos.
Cientistas da Universidade de Oxford desenvolveram uma vacina potencial para COVID19 com a ajuda de milhões de libras dos fundos públicos do Reino Unido. Pode salvar inúmeras vidas, mas foi entregue à grande empresa farmacêutica AstraZeneca e o negócio que assinaram é secreto.
As principais empresas farmacêuticas bloquearam uma proposta da UE em 2017 para acelerar as vacinas para patógenos como o coronavírus. Lembremos a pandemia do início da década de 2000 causada pelo Sars: os governos se comprometeram a aumentar o investimento em pesquisa, ajudando a desenvolver vacinas candidatas promissoras.
O passado 2 de outubro de 2020, num gesto histórico, Índia e a África do Sul, pediram à Organização Mundial do Comércio (OMC) que permitisse que todos os países optassem por não conceder nem fazer cumprir patentes e outras propriedades intelectuais (PI) relacionadas a medicamentos , vacinas e diagnósticos COVID-19 e outras tecnologias durante a pandemia, até que a imunidade global do rebanho seja alcançada.Mas tais propostas estão sendo bloqueadas, enquanto um pequeno número de países ricos fechou acordos para mais de um bilhão de doses da vacina Pfizer-BioNTech, deixando menos de um quarto do que está planejado para ser produzido para o resto do mundo. Nesta semana, a versão da vacina da farmacêutica Moderna contra a Covid parece significativa – ainda que precisa receber aprovação formal – e serviu para elevar os mercados de ações globais. A principal diferença é o fato de a empresa dizer que sua vacina pode ser transportada e armazenada por até seis meses a -20C e, então, permanecer estável por 30 dias em temperatura de geladeira. Em contraste, a Pfizer e a BioNTech falaram sobre -75C no armazenamento e apenas cinco dias de estabilidade em refrigeradores convencionais. Aconteça o que acontecer com o teste da AstraZeneca, a empresa do Reino Unido fez uma aposta muito boa quando investiu na Moderna já em 2013. A equipe por trás da vacina Moderna é liderada por Tal Zaks, diretor médico da Moderna e ex-chefe de oncologia global da Sanofi. Melissa Moore, a diretora científica da empresa de biotecnologia responsável pela tecnologia de mRNA, tem sido a chave para esse esforço. Moore passou toda a sua carreira analisando as estruturas das proteínas no centro da nova vacina. A bioquímica mapeou pela primeira vez a ribonucleoproteína mensageira (mRNA) como uma jovem pesquisadora no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) no início dos anos 1990, e ela passou a maior parte de sua carreira na academia. Em 2013, de acordo com a revista Science , Moore mudou de ar. A Moderna teve financiamento de 2,5 bilhões de dólares do governo dos Estados Unidos para ajudar no rápido desenvolvimento de sua vacina Covid-19, e foi criticada por suas intenções de 32$ – 37$ a dose.
A tecnologia de mRNA da Moderna foi desenvolvida com base na pesquisa dos bioquímica húngara Katalin Karikó e Drew Weissman na da Universidade da Pensilvânia no início dos anos 2000. Karikó ingressou em 2013 na BioNTech, a acima mencionada empresa de biotecnologia alemã que desenvolveu uma vacina rival Covid-19 com a Pfizer. Afinal, as farmacêuticas têm a chave para acabar com a pandemia mas ja estão a cobrar preços exorbitantes simplesmente porque podem.




























































