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América, Literatura — 15 Abril, 2020 at 6:25 p.m.

Morreu o escritor brasileiro Rubem Fonseca

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O escritor iria fazer 95 anos em maio

O escrito brasileiro Rubem Fonseca morreu aos 94 anos, num hospital do Rio de Janeiro. Era um dos nomes mais conceituados da literatura em língua portuguesa, autor de obras como “O Caso Morel” e “O Cobrador” e um dos maiores contistas da lingua portuguesa. Foi o vencedor do Prémio Pessoa em 2003. De acordo com o jornal O Globo, Rubem Fonseca sofreu um enfarte esta quarta-feira, por volta da hora do almoço, no interior do seu apartamento, no Leblon.‘Rubem Fonseca morreu sendo imortal’, diz a sua grande amiga a escritora galega-brasileira Nélida Piñon de 82 anos em O Globo,e primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (de 1996 a 1997).A amiga afirma que Rubem Fonseca tinha o mistério da criação como seu pão diário. Na visão de Nélida, ele “traduzia o mundo que desmoronava em torno e se emocionava”.

A boa recepção de “O caso  Morel” (1973) precedeu a proibição da publicação de contos explícitos de “Feliz ano novo”(1975), como em O Cobrador, um livro de contos publicado em 1979,  que acabou gerando um outro de seus principais. Constituída por dez contos, a coletânea está centrada no tema da violência: a pedofilia e o aborto em “Pierrô da Caverna”; assassinato por encomenda em “Encontro no Amazonas”; as lutas armadas em “Caminho de Assunção”; tráfico de drogas, extorsão e assassinato em “Mandrake”; violência familiar e no trânsito, além de suicídio em “Livro de Ocorrências”; estupro em “Almoço na Serra no Domingo de Carnaval”; doenças infecto-contagiosas e escravismo em “H. M. S. Cormorant em Paranaguá”; grupos de extermínio em “O Jogo do Morto”. Além da discriminação social em “Onze de Maio” e a violência generalizada em “O Cobrador”.

Seus romances mais notáveis são Bufo & Spallanzani (1986) – outra investigação criminal – e Agosto (1990), onde ele investiga as conspirações que acabaram com a vida do presidente Getúlio Vargas que cometeu suicídio no ano de 1954, com um tiro no coração, em seu quarto, no Palácio do Catete, na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal. 

“A verdade é que não sou cínico, não sei, por ser irônico, sarcástico; sou tímido e orgulhoso, mas meu orgulho não tem arrogância ou ostentação, dificilmente auto-estima”, escreveu o narrador de “Pierrô da caverna” , um conto em que ele repetiu o bordão icônico ‘Macacos me mordam’ ou «Sim, eu também me tornei um monstro e meu único desejo na vida é voltar a ser um macaco” em  “A Confraria dos Espadas” (1998). Repetidamente  desafiou seu país dizendo: “Ordem e progresso sou eu mesmo”. Essas duas são aquelas palavras que aparecem na bandeira do Brasil.

One Comment

  1. Sodes enormemente pertos. E hoxe traendonos ao grande Ruben Fonseca. Fai moitos anos cae nas miñas mans, EL GRAN ARTE, e xamais abandonou as alacenas da miña alma. Despois foron os contos.
    E continuo a regalar esa novela.
    Pois sentido pésame por este adeus que atraca nos nosos coraçaos.
    Saúde amigos

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