Ouvimos alguns políticos dizerem que, se chegarem a presidente, levaram para prisão a outros políticos, pedirão para eliminar direitos fundamentais devido a distúrbios específicos nas ruas.E há a equidistância de quem coloca no mesmo plano o político preso e o político que tem a chave da gaiola.
Na verdade, estes cidadãos foram presos por exercer o seu direito à liberdade de expressão e de associação, assim como de lutar pela autodeterminação do seu território. A sua prisão, baseada em motivações políticas, representa a negação do direito de todos a uma justiça imparcial.É mesmo inaceitável que, numa democracia, pessoas eleitas que ousam lutar, de forma pacífica e democrática (um referendo é uma das suas expressões) pela causa política para a qual foram mandatadas pelos seus eleitores, sejam alvo de uma perseguição que levou ao exílio de uns e à prisão e condenação de outros. É um conflito político, mas as autoridades espanholas insistem em combatê-lo como se fosse um crime. Rejeitam encontrar uma saída política, permitem que os líderes catalães democraticamente eleitos sejam sentenciados à prisão por crimes de sangue. Todos sabem que, mesmo que não o admitam, o diálogo é o único caminho viável para a crise na Catalunha.
O Estado pouco se importa se diz a verdade. Está interessado em desviar os fatos até que eles os levem ao terreno em que o direito a decidir e a independência não não são conceitos políticos, mas policiais.
Pedro Sánchez fecha a porta do diálogo durante sua visita eleitoral a Barcelona seica para visitar apenas um policial ferido na mão no hospital Sant Pau. Simultaneamente, a Audiencia Nacional ordena registrar o domicílio de Boye advogado de Puigdemont e Valtonyc, por suposta lavagem de dinheiro ligada à saúde pública encanto a Polícia Nacional registra a Associação Catalã de Municípios por suposta apropriação indébita. Poucas horas antes,a presidenta da Comunidade de Madrid pede que as manifestações em apoio ao povo catalão não sejam autorizadas . Não era necessário, não sim? É a guerra do estado autoritario contra a minoria nacional catalã e não só…
Na Espanha parece haver mais distribuição de funções do que separação de poderes. A judicialização progressiva da política espanhola assumiu que os juízes têm um papel que não é deles. Porém, a base da legitimidade na democracia não é a lei, mas o consentimento dos governados. Um referendo é simplesmente o esclarecimento do consentimento. Opor-se à autodeterminação significa estar disposto a governar sem o consentimento. Não é sustentável e não é democrático. Respeito pelos direitos civis está longe de ser contemplado. A via judicial, iniciada pelas autoridades de Madrid, já tem apelo ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos. A Comissária para os Direitos Humanos Dunja Mijatovic “preocupou-se com ataques a jornalistas e relatou uso desproporcional da força pela polícia contra manifestantes na Catalunha. Todos devem desempenhar seu papel na diminuição da tensão. Autoridades espanholas devem proteger”
CODA. Constituição da República Portuguesa : “Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão” (Artigo 7.º Relações internacionais)










