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Movementos sociais, Política, Politica internacional, Portugal — 4 Outubro, 2015 at 8:09 a.m.

Os portugueses voltam às urnas após quatro anos de cortes e mais 4% de população emigrada

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Quarenta anos depois da eleições para a assembleia constituinte, os portugueses voltam às urnas para eleger um parlamento pela 15.ª vez. Portugal vai a votos sem uma alternativa clara a austeridade. A direita é a favorita à reeleição, mas sem maioria para  governar. A diferença d’Espanha e Grécia, não há chefe de novo partido providencialista capaz de decantar os resultados.


Almada, Lisboa. Portugal
Almada, Lisboa. Portugal

O PaF é a nova marca com que se apresenta à reeleição a governação de Pedro Passos Coelho, que aplicou durante quatro anos, e com devotamento, as recortadas da troica e que inclusive começou a pagar por antecipado a FMI. Para sobreviver, Passos Coelho (do PSD) uniu com outro grande partido de direitas, liderado por Paulo Portas (a CDs-PP). Muda o nome mas não a coisa: este tàndem é o favorito à reeleição em todos os inquéritos, até seis pontos acima do Partido Socialista, que  se esforça para libertar-se da herançade José Sócrates, que foi quem aceitou o resgate de 78.000 milhões de euros.O ex primeiro ministro socialista saiu da prisão durante a precampanha mas continua sob detenção domiciliaria por supostos delitos de corrupção, fraude fiscal e lavagem de dinheiro. O PAF tem agarrado a este legado, mas também o que aconteceu na Grécia, para lançar uma campanha de medo.

Em um artigo retrospectivo publicado no jornal Público dos 19 governos, 12 primeiros-ministros, foram três as ntervenções FMI. “O executivo acaba por assinar o memorando de assistência económica internacional com a troika: pela terceira vez, o FMI vem a Portugal devido às contas públicas do Estado. Sempre suscitando bulícios políticos. Assim foi no I Governo Constitucional de 1978, presidido por Mário Soares, que viu rejeitada uma moção de confiança para negociar com o FMI. Ramalho Eanes, então Presidente da República, pedira “uma maioria estável e coerente”. Que não aconteceu. Mais tarde, o apoio do CDS ao PS permitiu a um executivo de sete meses concluir a negociação com o Fundo.

Como é possível que 20% da população ativa viva com o salário mínimo de apenas 505 €, mesmo pode ser reeleito o governo? A evolução da Syriza é a chave para entender por que o português desmoralizou -existem até 40% de indecisos e é esperada uma baixa participação 

De facto, os mídia criaram uma atmosfera de expectativas negativas na Europa. Deu a entender que, se a situação atual é ruim, mas poderia ser muito pior. E quando existem expectativas negativas  sempre vence a direita. O presidente, Anibal Cavaco Silva, será fundamental. O partido do ex-primeiro-ministro Passos Coelho com duas maiorias absolutas, disse que “ele sabe do quepara formar governo.

Os dados

Com ele foi privatizada a ponte 25 de abril que liga Lisboa com Almada (têm de pagar 1,65 euros para atravessar). Hoje o ministro  que fez privatização é o presidente do consórcio que administra a ponte, a poucos quilómetros de Lisboa, em frente ao Tejo. Lá repousam os restos do passado industrial de Lisboa. Uma área urbana que cresceu sem controle na década de 60 e continua a ser um bastião da esquerda.

O índice de fecundidade de Portugal é 1,21 (1,99 França), a evolução industrial nos anos da crise lança  -13% para Portugal ( +18% Polónia). A Holanda tem 1,4 vezes mais médicos de familia por cem mil habitantes (a fatia da despesa do país em saúde que cabe às familias, 31,7 Portugal em relação ao 5,6 Holanda, 2012). A Austria (10,3%) tem umas das taxas mais baixas em desemprego jovem, Portugal atinge uma média anual de 34,7%. A densidade de populção de Trás-os-Montes é  25 habitantes por Km², a região de Auvergne, na França, é de 52 ( aposta polo ecoturismo e investimento na qualidade de vida e em serviços de proximidade). Os croatas (119%)têm a metade do endividamento privado de Portugal (220%).

Agir contra a abstenção

Portugal tem uma diáspora como a nossa, portugueses e galegos espalhados pelos quatro cantos do globo. A não adopção de um sistema de voto mais amigo do cidadão é condenar milhares de cidadãos ao ostracismo eleitoral, não lhes permitindo o exercício de um dos seus direitos mais importantes e decisivos, que é votar. A direcçao editorial de Público alerta hoje  que “é ridículo que num país cujas autoridades há muito se mostram tão exigentes quanto à utilização de meios informáticos na administração pública e na relação desta com os cidadãos, ao ponto de em muitas situações essa exigência ser desproporcionada face à larga faixa de info-excluídos ainda existente na sociedade portuguesa, aquelas nunca terem dado sinais de um verdadeiro empenho em tornar possível o voto electrónico.Depois de uma campanha eleitoral que acabou, mais uma vez, com lancinantes apelos à participação eleitoral dos cidadãos e num dia como o de hoje, em que a sensação de urgência dessa participação está tão presente, é inevitável não pensar em todos aqueles que querem votar e não o conseguem fazer. O Portugal da máquina fiscal sofisticada, do sistema de portagens tão cobiçado lá fora e que foi capaz de conceber uma das melhores redes multibanco do mundo dá-se ao luxo de continuar na pré-história no que ao sistema de votação diz respeito.”

Após legislativas  2015, crise política e novas eleições  em seis meses?

Passos Coelho tem tudo para enfrentar reeleição. Mas, no entanto, tem tudo em contra para governar. A maioria dos inquéritos dão muito apertado. O PAF acrescentaria cerca de 35% dos votos, à frente do Partido Socialista (PS) de António Costa, que seria em torno de 30%. Muitos analistas prevêem uma crise política e novas eleições  em seis meses.  

“O sistema político-partidário está a bloquear a tão necessária viragem para a esquerda, pondo termo à submissão à troica e aos troicanos”, afirmava Domingos Lopes en 2013, um dos promotores do Manifesto que defendeu a criação de uma candidatura de cidadãos que se situe nestes espaços: social- democratas de esquerda, socialistas não seguidores da orientação do PS, comunistas com ou sem partido, católicos defensores do Estado social em consonância com a teoria social da Igreja e que possa englobar ou não o BE e o Livre. Porém, a diferència de Espanya e Grecia, nenhum novo partido providencialista pode optar resultados. Eis o fundo de pano, o efeito-devalo da Syriza. Exceto o velho PCP (sob a CDU com os Verdes)  que defesa reestruturação da dívida de Portugal (130% do PIB) e debate aberto sobre a saída do euro. E hoje, segundo as pesquisas, espera ter os melhores resultados em eleições legislativas desde os anos 80, quando fecharam as maiores empresas do país. Não é por nada é uma das poucas alternativas à austeridade. A esquerda permanece atomizada. Agás o Bloco de Esquerdas (BE), que nasceu em 2000 e 2009 conquistou 9,6% dos votos. Após dois anos ele perdeu metade dos deputados por divisões internas. Depois de uma grande reforma, os inquéritos fornecen vai melhorar e coloca-o entre o terceiro e quarto lado a lado com os comunistas.

Se essa previsão é confirmada, as chamadas  telefónicas vão se multiplicar na próxima semana  para  impedir a nomeação de Costas para mais quatro anos de austeridade sem hesitação.

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