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Cinema, Portugal — 5 Maio, 2015 at 06:57

Porto estreia um documentário póstumo de Manoel de Oliveira

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O cineasta português rodou ‘Visita ou memórias e confissões’ o 1982 para ser mostrado públicamente só depois da sua morte


O filme, que dura pouco mais de uma hora, está dedicado à sua mulher Maria Isabel, que ainda vive, e conta com diálogos escritos por Agustina Bessa-Luís e a participação de Diogo Dória e Teresa Madruga. Um testamento cinematográfico que o cineasta portuense realizou uns bons trinta anos antes de morrer e só agora pode ser visto pelo público em geral. O documentário foi filmado na casa onde o director português viveu por mais de quarenta anos no Porto, e agora se projecta no Teatro Municipal de Tivoli. Porto será a primeira cidade onde exibir-se-á o material, seguida de Lisboa na terça-feira na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema em duas sessões: uma às 21h45 e outra às 23h15, posteriormente no Festival de Canes na França.

De Oliveira, que morreu o passado 2 de abril aos 106 anos, rodou o material o 1982, e permaneceu durante mais de trinta anos na Filmoteca portuguesa, em Lisboa, sob a condição que só poderia ver a luz depois da sua morte.

 É um filme autobiogràfico em que o cineasta dialoga com as suas próprias lembranças, como quando foi encarceradono nos 60, durante a ditadura de Salazar. Ademais, também fala sobre a relação com os seus antepassados e com as mulheres e acrescenta reflexões sobre a morte e o sofrimento.

Realizado no início dos anos oitenta para ser visto como filme póstumo, VISITA OU MEMÓRIAS E CONFISSÕES levou Manoel de Oliveira a filmar a casa da Rua Vilarinha, no Porto, projetada pelo arquiteto José Porto, que fez construir e foi a sua casa de família desde que se casou em 1940 e durante cerca de quatro décadas mas foi forçado a vender (a “casa da Vilarinha” foi recentemente classificada imóvel de interesse público, também pela sua histórica ligação ao modernismo português e pela sua singularidade como obra arquitectónica, a que estiveram ligados, para além de José Porto, os arquitetos Viana de Lima e Cassiano Branco). Entre os momentos associados à vida nessa casa está a reconstituição da detenção de Oliveira pela PIDE, em 1963, altura em que conheceu o escritor Urbano Tavares Rodrigues. Na obra de Oliveira, é o filme seguinte a FRANCISCA, a partir de um argumento próprio com texto de Agustina Bessa-Luís, fotografia de Elso Roque, som de Joaquim Pinto e montagem coassinada com Ana Luísa Guimarães. VISITA OU MEMÓRIAS E CONFISSÕES é um filme autobiográfico, de “memórias e confissões”, facto que esteve na origem da vontade do realizador em mantê-lo inédito durante o seu tempo de vida. “Uma casa é uma relação íntima, pessoal, onde se encontram as raízes”, “a meu pedido, a Agustina fez um texto, muito bonito, a que chamou Visita. E eu acrescentei-lhe algumas reflexões sobre a casa e sobre a minha vida” (Manoel de Oliveira). Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

VISITA OU MEMÓRIAS E CONFISSÕES
de Manoel de Oliveira
com Manoel de Oliveira, Maria Isabel Oliveira, Urbano Tavares Rodrigues, Teresa Madruga, Diogo Dória
Portugal, 1982 – 68 min | M/12

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